sexta-feira, 1 de julho de 2011

História de VIAGEM, Montevidéu, Uruguai:



Essa história aconteceu há muito tempo atrás, em 2011, quando o Santos Futebol Clube foi para a final da Libertadores. Isto não acontecia desde 2003, quando o time perdeu para o Boca Juniors da Argentina. O adversário agora era o Peñarol do Uruguai. Ir ou não ir assistir ao jogo em Montevideo? Ora, quantas vezes nosso time do coração disputa a final de um campeonato importante como este? Não tem nem o que pensar: vamos!!!
Em apenas um dia, as passagens foram compradas e o hotel reservado. Tudo pronto. Problema seria somente segurar a ansiedade por mais de dez dias. Ah! Se todos os problemas fossem este...
No meio do caminho havia um vulcão. Havia um vulcão no meio do caminho. O Puyehue resolveu acordar. Ele até cochilou no fim de semana anterior à viagem ao Uruguai, mas na segunda-feira, no dia do nosso voo, resolveu despertar novamente, com força total. Foi frustrante chegar ao aeroporto e sermos informados de que o voo havia sido cancelado, sem previsão alguma de quando ou mesmo se iria decolar. Com quem mesmo a gente podia reclamar? Só com Deus.
Então tá. Queremos ir para São Paulo, dissemos no balcão da companhia aérea. De lá pegamos um voo para Porto Alegre e depois vamos por terra para o Uruguai. Não vai ser possível! Guarulhos está um caos. E seu destino final é Montevideo. Mas, se reabrir o aeroporto de Carrasco, eu embarco vocês, disse a gerente de aeroporto da companhia aérea. É?? Que bom! Então está na hora de rezar, de perambular pelo aeroporto e de acessar a internet à espera de um milagre. Milagre este que não veio. Depois de um dia inteiro no aeroporto, voltamos para casa, desanimados e com poucas esperanças. 
Dia seguinte, terça-feira: alvorada às cinco da manhã. Era cedo e o vulcão podia ter cansado de soprar fumaça. Bom dia para ele adormecer novamente. As notícias entretanto eram desalentadoras: o Puyehue não dava nem mostras de cansaço.  Pior: a Conmebol estava resistente em adiar a partida. Cheios de frustração, resolvemos voltar para o aeroporto: melhor esperar lá do que em casa. 
Chegando lá, nada havia mudado. Os voos seguiam cancelados. Para piorar a nossa situação, a delegação do Santos recebeu uma autorização especial para voar e conseguiu no meio da manhã pousar em Montevideo. Acabaram-se as esperanças de adiamento da partida, e todos os voos continuavam sem poder decolar. A decepção e o desapontamento só aumentavam e a confiança que tínhamos de que a situação poderia se reverter estava de desfazendo. 
Na loja da companhia aérea nos informaram que as nossas chances de chegar a tempo para o jogo eram, na verdade, inexistentes. Mesmo que os aeroportos abrissem, só conseguiríamos embarcar dali a 4 dias. A fila estava enorme, pelo remanejamento dos voos. Sentamos desanimados. E agora? 
Vamos ver o que achamos para hoje para Montevideo. Há um voo, com disponibilidade, mas tem que passar a madrugada todinha em Assunção, no Paraguai. Ora, ora, ora. Estamos esperando o que? Vamos nessa! É uma final de Libertadores. Compramos novas passagens, pedimos reembolso das antigas e nos preparamos para nova espera. Sim, porque os aeroportos seguiam fechados. 

Aeroporto de Asunción - Paraguay
Aeroporto de Montevideo - Uruguay
Parrilla del Solís
Mas eu acho que o vulcão chileno no final das contas era alvinegro, porque resolveu cochilar novamente naquele dia. Às 16 horas os aeroportos foram abertos e às 17:30 embarcamos para Guarulhos. De lá para Asunción. Estávamos a caminho. A madrugada em Assunção não foi fácil. Aeroporto pequeno, vazio, gelado. Fiquei andando de um lado para o outro e o tempo custou a passar. Em um determinado momento chegou um boato que o vulcão havia acordado e se assim fosse, ficaríamos presos no Paraguai. Não vulcãozinho, nana neném, volta a cochilar, por favor. 

Às 06:45, começou o check-in, mas faltou luz no aeroporto. Ah, não!! Quem é que está de brincadeira aí em cima??? Mas às 07:45 embarcamos e finalmente às 09:30 estávamos pousando, finalmente, no Aeroporto Internacional de Carrasco em Montevideo. Já era o dia do jogo, estávamos exaustos, mas a adrenalina estava a mil. Ainda deu tempo de tomar uma chuveirada, comer uma parrilha incrível e dar uma cochiladinha de meia hora.

Ônibus apedrejado a caminho do estádio
Estádio Centenário
Estádio Centenario - Montevideo
Estadio Centenario - Montevideo

Depois desta odisseia de mais de 36 horas sem dormir e de ter o ônibus que nos levou ao estádio apedrejado pela torcida adversária, chegamos finalmente ao Centenário, para ver o primeiro jogo da final. Foi tenso, nervoso e terminou 0 x 0, mas na semana seguinte, no Pacaembu, em São Paulo, levantamos a taça de campeões da América. Tri campeões da América e valeu cada minuto dessa odisseia.
E como somos torcedores/viajantes ou viajantes/torcedores, aproveitamos a oportunidade de estarmos em Montevideo e depois do jogo fomos aproveitar a cidade que é uma graça, cheia de pessoas muito gentis e simpáticas, onde comemos muitíssimo bem.