sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Valpo em clima de romance

Plaza Sotomayor e o Monumento a los Heroes de Iquique






La Sebastiana



Fomos ao Chile em um inverno. Quando contamos aos amigos que iríamos visitar Valparaíso, ficamos surpresos com a unânimidade. Todos nos aconselharam a não ir. Argumentaram que era uma cidade feia, portuária e que no inverno não havia nada para ver ou fazer. Mas seria um desperdício estar tão perto deste Patrimônio Cultural da Humanidade e não ir lá conferir. Então nós fomos.

Ainda bem que decidimos ir. Uma pena que passamos somente uma tarde. Chegamos no Metrô de Valparaiso, inaugurado em 2005, que liga Valpo a Viña del Mar. Lembro que era um dia de muita chuva e fazia muito frio. Os termômetros marcavam 5 graus. Quando desci do trem, tive que comprar um guarda-chuva, preto, grande, feio, mas que salvou minha vida e preservou um pouco de minha saude. Como tínhamos pouco tempo, resolvemos perambular pela cidade. A cada passo eu me apaixonava mais.

Passamos pela Plaza Sotomayor e seu Monumento a los Heroes de Iquique, que foi a batalha final na guerra entre Chile e Peru. Nesta mesma praça fica o prédio da Armada de Chile. Subimos e descemos os cerros nos ascensores, como o Reina Victoria e vimos a cidade de cima de seus morros, subimos escadarias imensas, passeamos pelas ruas de pedra, pelas casinhas coloridas... Introspectivos, como o tempo, cinza e bucólico. Me senti em um filme, ou em um romance, do século XIX.

Um taxista me deu um banho de água quando caminhávamos por uma rua. Me deixou toda molhada e congelada até os ossos. Mas nem isso me fez desistir de vagar pela cidade. Um dos últimos lugares que passamos foi La Sebastiana, a casa de Pablo Neruda, que fica no cerro Bellavista. Ele a comprou em 1959. Apreciamos a vista privilegiada que o escritor tinha e visitamos a sua casa por dentro. Encantadora. Fácil mergulhar na vida de Neruda, através da atmosfera preservada em sua casa. A visita é imperdivel. Ao sair, sentei em um banco no jardim e apreciei o porto, com as águas escuras, carregado de nuvens. 

Fomos então para o centro que fica bem movimentado no fim do dia. Devemos ter andado por umas 8 horas sem parar e então resolvemos jantar por ali mesmo. Fomos comer peixe no The O´higgins. O lugar era agradável, com um bom atendimento. Mas fazia tanto frio e eu continuava molhada, que comi de luvas. 

Voltei a Valpo depois desse dia, em outra ocasião e outro clima e não consegui sentir a mesma paixão desta tarde chuvosa.