quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CORES e sabores do Dia dos MORTOS mexicano

Barraca com doces e pães do Dia dos Mortos

Lo Día de Los Muertos
O México é um país absurdamente interessante! Cheio de vida, de cores, de identidade. Marcela Serrano, autora chilena, em seu livro "Nossa Senhora da Solidão", fala que o México é um país para aqueles que não acharam outro lugar. É um país que acolhe. E que apesar de querer romper com o seu passado, para se modernizar, o valoriza, o respeita. Por tudo isso, o México é um país fascinante!

Altar público

Altar no palco montado no Pantheon para a divertida peça sobre a Morte

A Morte queria morrer

Um divertido monólogo sobre a Morte que queria morrer
Antes de visitá-lo eu achava que o país se resumia a Cancun. Nada mais errado. A cultura é intensa, múltipla e preservada. O novo e o antigo se confundem. O lugar tem uma identidade muito forte e mergulhar nela foi uma das viagens mais fantásticas que eu já fiz. 

A visita foi feita na época de el Día de los Muertos, mesma data de nosso Dia de Finados (2 de novembro), sendo que eles comemoram três dias e fazem disso uma festa colorida e cheia de sabor. Altares são levantados em homenagens aos mortos e cheios de significados e doces e pães gostosos são vendidos em forma de caveiras e esqueletos. Os cemitérios são enfeitados com flores roxas e laranjas de cor intensa. Vimos a festa em Guadalajara, em Axixic e também em México DF, capital do país.

Detalhes do altar montado nos correios com a coisas que o morto homenageado neste altar gostava como cigarro e comidas típicas

A vitrine de uma loja em Ajijic

Xempazuchiti

Altar em um shopping em Guadalajara homenageando Pancho Villa
Em Guadalajara passeamos pela Praça Guadalajara onde várias banquinhas estavam montadas com doces e salgados típicos da região. Uma festa para os olhos e para o paladar. Eu gostei especialmente de um pão meio doce que eles chamam de pão de morto. 

Vimos diversos altares coloridos: nos correios, na praça e nos shoppings. Os altares mexicanos são cheios de significados e tradições. Uma delas se relaciona com os níveis destes altares. Pela tradição devem conter sete níveis:
  1. Este nível é para as almas que estão no purgatório;
  2. Aqui se põe o sal para as crianças do purgatório;
  3. Já Neste se coloca o pão de morto, que deve ser feito por familiares, pois é uma homenagem, consagração ao morto;
  4. No quinto nível estão as comidas preferidas do morto;
  5. No sexto, a foto do defunto a quem o altar se destina;
  6. Por fim, aqui entra uma cruz.
As velas colocadas no altar formam os pontos cardeais para orientar os mortos que vem visitar seus parentes nestes três dias de festa.

O altar do Palacio de Bellas Artes na Cidade do Mexico

Altar montado no Palacio do Governo no Zócalo

Altar montado no Palacio do Governo no Zócalo

A famosa La Catrina
Visitamos o cemitério em dois momentos: durante o dia para ver as pessoas limpando os túmulos e colocando as mesmas flores de cor laranja, chamadas xempazuchiti, que vimos nos altares, nos túmulos. E à noite do dia 31 para assistir uma peça. Cadeiras foram colocadas no local onde acontecem as cremações e estava lotado. Havia duas sessões: nós compramos nossas entradas, na hora mesmo, para a primeira. Chegamos cedo e ficamos bastante tempo na fila. Estava lotado.

A peça era um divertido monólogo onde a morte nos contava que estava de saco cheio da vida e queria morrer. Ela parte para a ação e tenta matar-se das formas mais criativas que encontra nos causando intensas risadas. 

Em México DF, vimos muitos altares como no Palácio de Bellas Artes e no Palácio do Governo. 

Existe uma representação muito bacana e interessante da morte, criada por José Guadalupe Posada, gravurista e cartunista, chamada La Catrina, que hoje é reproduzida das mais diversas maneiras e pode ser encontrada em toda parte. 

Ela é cheia de charme, mas sua criação é uma crítica e ironia do autor aos mexicanos pobres que negavam sua ascendência indígena, querendo ser europeus. Em sua composição original inclusive La Catrina não tinha roupas e usava apenas um sombrero. Quem a vestiu e lhe conferiu um ar mais aristocrático foi o famoso (e sensacional) muralista Diego Rivera ao representá-la em seu mural "Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central", uma de minhas obras preferidas do autor. 

Posada afirmava (e tinha razão) que a morte é democrática, pois chega para todos independente de cor, raça, religião. Hoje La Catrina tem a cara do país e está em toda parte, conferindo ainda mais identidade a um país que já é tão culturalmente rico e cheio de colorido e nuances espetaculares.