quarta-feira, 7 de maio de 2014

FURTADA na ILHA DE PÁSCOA, DENTRO do quarto de hotel - Tea Nui Hotel em Hanga Roa, Ilha de Páscoa, Chile

Escolher um hotel em uma cidade desconhecida não é tarefa fácil. Eu leio guias impressos, vejo o que viajantes estão dizendo em seus blogs, pesquiso muito antes de tomar uma decisão. Nem assim estou livre de fazer uma escolha errada. Foi o que aconteceu comigo na Ilha de Páscoa. Me hospedei no Tea Nui Hotel, que me pareceu uma boa ideia e no final das contas não foi bem assim.

Ilha de Páscoa e um de seus habitantes

Ilha de Páscoa
Desembarcamos em Rapa Nui cheios de expectativas. O pessoal do Tea Nui Hotel já nos esperava no aeroporto e no caminho para o hotel, a simpática Maria parou para tirarmos fotos como esta acima.

Entrada do Tea Nui Hotel
Apartamentos do Tea Nui. Fiquei hospedada no segundo andar
Suquinho delicioso
Na recepção do hotel fomos recebidos com um delicioso suco natural e informações sobre a ilha, inclusive que a ilha era muito segura. Fomos alojados no segundo andar do pequeno hotel que parecia mais uma pousada, tão comum nos litorais brasileiros. Na noite do quarto dia, que seria o nosso penúltimo em Rapa Nui, uma quinta-feira, foi quando o furto aconteceu.

Café da manhã servido no quarto
O quarto era simples mas amplo e limpo. O banheiro era pequeno e às vezes dava problema no chuveiro, mas o pessoal do hotel sempre dava um jeito. O café da manhã era básico, porém bom e sempre servido no quarto. Bastava acordar e abrir a varanda para que o pessoal batesse em sua porta com a cesta.

No entanto, o que tinha tudo para ser uma estada agradável transformou-se em amargas lembranças. Na quinta-feira chegamos por volta de 22:00, exaustos depois de correr e pedalar o dia inteiro. Tivemos um jantar agradável olhando o mar e voltamos caminhando para o hotel.

Ao chegarmos no quarto eu deixei minha mochila ao lado da cama e fui tomar banho, enquanto o Léo, meu namorado, adormeceu. Ao sair do banho dei por falta de minha mochila. Dentro estavam, entre vários objetos de uso pessoal (sem preço) meu passaporte (com vários carimbos de estimação), meu Garmin (relógio com GPS que uso nas corridas) e meu óculos escuros.

Cheguei na varanda, ainda perdida com a situação, e vi um tipo saindo do hotel com um agasalho vermelho com capuz, bermuda e meião de futebol. Ele virou, olhou para mim e seguiu seu caminho.

Desci imediatamente e busquei um funcionário do hotel que me ouviu (a esta altura já estava bem nervosa), bateu na porta de um quarto para saber se o hospede tinha visto ou escutado algo. Com sua negativa, o funcionário resolveu dar uma busca nos arredores. O detalhe é que no entorno do hotel só havia rua vazia e vegetação. Não achando nada, resolveu chamar os Carabineros de Chile, a polícia.

Eles chegaram, fizeram o boletim de ocorrência e garantiram que iam sair naquele momento em busca do sujeito. Voltamos para o quarto, mas eu estava muito aborrecida com aquilo tudo: nos haviam dito que a Ilha de Páscoa era um lugar muito seguro.

Por onde, o bandido voltou, depois do furto e ficou olhando para dentro
Fiquei então deitada na cama navegando na internet, para relaxar. Depois de algumas horas, ainda sem sono, olhei para a janela retangular que havia em frente à cama. Resolvi checar se estava fechada e quando pus as mão nela, o homem estava com a cara na janela. Ele havia voltado!

Ninguém pode imaginar o susto. Gritei, gritei muito. O recepcionista apareceu, os Carabineros voltaram e o bandido fugiu e até hoje, um ano depois, não foi encontrado. Em uma ilha minúscula?!

Quarto no segundo andar, com varanda por onde o sujeito entrou no quarto para furtar minha mochila que estava ao lado da cama. Meu namorado dormia nesta cama, no momento do furto, enquanto eu tomava banho. Olha minha mochila ali em cima da mesa, no fundo da foto.

O quarto do Tea Nui Hotel

Local de onde minha mochila foi furtada

A varanda de nosso quarto por onde o bandido entrou no quarto

Depois deste terror, eu não quis mais ficar na ilha e antecipei o voo para o dia seguinte. Não sabia a razão pela qual o tipo tinha voltado e não ia ficar por ali para descobrir. Passei a madrugada acordada. Nos colocaram em outro quarto e o funcionário do hotel nos deu uma espécie de tacape "para o caso dele tornar a voltar". Aquilo me deu ainda mais medo. 

Assim que amanheceu, o staff do hotel ajudou com toda a burocracia (que não foi pouca) para que eu conseguisse um documento para sair do Chile já que não tinha mais passaporte. Tive que passar por diversas polícias em Hanga Roa e tentar fazer reconhecimento em um enorme livro de suspeitos, mas não consegui identificar ninguém.

Da ilha mesmo ligamos para o consulado brasileiro e agendamos com um funcionário porque no fim de semana o consulado fecha. Foi ele quem me deu o documento para sair do país. Ainda tive que provar que eu era eu mesma. Minha irmã teve que digitalizar um documento meu, no Brasil, mandar por email para que eu pudesse imprimir e anexar aos inúmeros documentos que tive que tirar.
O dia amanhece tarde e muitas vezes com chuva. Foi uma noite interminável sem saber se o bandido voltaria uma terceira vez e para que.

A recepção do Tea Nui Hotel vista do meu quarto


Vegetação em torno do Hotel
Foi assustador e eu só pensava em sair da ilha. Passei dias maravilhosos neste lugar, mas o desfecho deixou um gosto muito amargo.

Fiquei em contato com o hotel por muitos meses ainda, na esperança de reaver pelo menos meu passaporte e meu Garmin, mas nada nunca foi encontrado. Pedi para ser ressarcida pelo menos desses dois pertences, mas depois do pedido, ninguém nunca mais me respondeu.

Recomendo muito esta viagem, mas não recomendo hospedar-se no Tea Nui Hotel. E uma vez em Rapa Nui, fique atento aos seus pertences porque não é um local seguro como eles querem fazer parecer.