sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ANA KAI TANGATA, na Ilha de Páscoa, Chile


Saindo para correr com o dia ainda nascendo

O dia amanhecendo chuvoso

Depois de correr com vento e chuva

Café da Manhã no quarto
Mais um dia na misteriosa Ilha de Páscoa. A noite foi de ventania intensa. O barulho era tão ensurdecedor que eu acordei na madrugada com a sensação de que o mundo estava se acabando.
O dia amanheceu chuvoso. Fizemos um treino de corrida pela ilha para sentir a força da natureza. Além disso, eu gosto muito de ver o nascer do dia.  O vento era tão absurdo que em alguns momentos eu quase não conseguia deslocar, me sentindo em um daqueles filmes em que os personagens andam em câmera lenta.
De volta ao hotel, tomamos café da manhã, que era servido no quarto, e nos dirigimos para Ana (caverna) Kai Tangata, que fica a oeste da ilha.
A estradinha enlameada depois da chuva matinal
O caminho
Caminhamos para Ana Kai Tangata sem pressa, por uma estradinha de carros vazia. Tivemos um guia muito especial que nos acompanhou o tempo todo: um dos muitos cachorros que vivem nas ruas de Rapa Nui. 

Ele chamou a nossa atenção para a placa que indicava a descida para a caverna. Não fosse por nosso cachorrinho guia teríamos passado direto pela placa, que não estava muito visível.
Nosso guia, o cachorrinho que nos acompanhou por todo o caminho
A estrada que nos levou a ANA KAI TANGATA - as placas te guiam. Observar a placa no canto direito da foto
Eu e nosso guia
Esta caverna está relacionada com a cerimônia do homem-pássaro, onde se acredita, por conta de desenhos de inúmeros pássaros encontrados nas paredes, que os atletas que disputariam o ritual anual para o deus Makemake se reuniam aqui.
A lenda conta que todo ano os chefes de cada tribo escolhiam seu competidor, que iria disputar em seu nome o título de homem-pássaro. Os concorrentes deveriam descer pelo vulcão Rano Kau e nadar cerca de dois quilômetros até uma ilhota e pegar os ovos da andorinha negra: a Manu Tara.
Quem pegasse o primeiro ovo daria o título ao chefe que seria o soberano da ilha pelo resto daquele ano. O ritual teria iniciado no século XVIII e durado até o século seguinte, quando os missionários católicos chegaram à Rapa Nui e proibiram os rituais pagãos.

Supõe-se ainda que os rapa nui utilizavam Ana Kai Tangata para construírem canoas ou em rituais de canibalismo.
Placa com instruções em ANA KAI TANGATA

ANA KAI TANGATA
O que nos ajudou muito na ilha foi sempre ler as placas porque elas não só guiaram o nosso caminho como também nos forneceram, além de informações sobre o local que estávamos visitando, orientações para nossa segurança. Estávamos em meio à natureza e ela é bruta em Rapa Nui, portanto, todo cuidado é pouco.
A descida para ANA KAI TANGATA

A caverna vista de cima
Ao chegarmos ao topo de Ana Kai Tangata, demos de cara mais uma vez com aquele mar de cor linda, de azul suave, diferente, com ondas violentas que batiam nas pedras com fúria. Havia uma escadinha precária, com um apoio de madeira que nos levava para o interior da caverna.

Confesso que hesitei em me lançar escada abaixo, mas já estava ali mesmo, resolvi arriscar. Valeu a pena. O interior da caverna é interessante e nos dá uma ideia do que era trabalhar naquele lugar. De dentro sentimos ainda mais a força das ondas e o barulho que elas fazem ao bater nas pedras.
Dentro de Ana Kai Tangata
A caverna
O mar que entra na caverna: a cor do mar é impressionante aqui. Pena que a máquina não captou
As pessoas na caverna
O seu interior não é muito grande e havia outras pessoas ali, como nós, explorando e sentindo, imaginando os antigos habitantes daquela ilha, isolada do resto mundo, construindo canoas ou comendo outras pessoas.

De Ana Kai Tangata seguimos então para conhecer o Ranu Kau. Assim, fomos caminhando, aproveitando os intensos momentos de estar inseridos em meio a essa natureza tão primitiva e diferente do que estávamos acostumados.