terça-feira, 21 de julho de 2015

REGRAS de Viagem: eu tenho ALGUMAS:

Besalú uma linda e pequenina cidade medieval na região da Cataluña
Semana passada uma amiga muito querida me ligou pedindo ajuda para organizar a viagem que ela quer fazer com o marido em Novembro deste ano. A dúvida dela era em relação à escolha dos países e das cidades a serem visitadas.

Bom, eu tenho algumas regras de viagem e não atravessar fronteiras internacionais é uma delas, mas, além disso, procuro focar em uma mesma região dentro do país escolhido. Aqui estão algumas de minhas razões:

  1. Acho que os países têm muito a nos oferecer além de suas capitais e de seus grandes centros. As cidades pequenas costumam ser cheias de charme, de aconchego, de história e de muitas maneiras nos permitem participar mais de seu cotidiano, nos aceitam mais em seu contexto. Há uma troca maior entre nós turistas e as cidades menores, de ritmo mais lento;
  2. Quando focamos em uma região, dentro de um único país, gastamos menos tempo com deslocamentos e acredito que tempo é um fator importante para a maioria dos viajantes;
  3. Além disso, o custo tende a ser menor quando os deslocamentos são mais curtos. 

A Casa Batlló, obra de arte de Gaudí, em Barcelona
Assim, quando eu viajo, seleciono apenas um país e mergulho nele. Claro que, já houve exceções, raras, mas houve: quando optei por fazer uma semana de snowboard em Bariloche, em vez de Vale Nevado, quando estávamos visitando o Chile.

O custo aqui foi determinante para essa tomada de decisão uma vez que foi mais barato pegar um voo para Argentina, do que ficar no Chile para praticar snow.

Dito isso, minha amiga então perguntou sobre a Espanha. Deveria escolher Barcelona (um dos seus sonhos é conhecer a cidade catalã) e descer para Sevilla? Não achei uma boa ideia, embora tenha um casal de amigos que tenha feito assim e recomenda.

As lindas e seculares ruelas de Girona
Eu não recomendaria: são regiões distantes, o que envolve tempo e custo (ela tem cerca de 10 dias de férias) e seria uma pena deixar de conhecer cidades como Girona e Besalú (na região da Cataluña) e Valência (na região de Valência), todas próximas à Barcelona, onde é facílimo deslocar-se de trem. 


Recomendaria, para visitar a Andaluzia, pousar em Madri, visitar a cidade com seu maravilhoso Museu do Prado e muitas outras atrações e descer de trem para o sul visitando, com calma, Sevilla, Córdoba, Granada e Málaga, as principais cidades andaluzas, com sua gastronomia bárbara e sua cultura ricamente mesclada construída por muçulmanos e cristãos ao longo de vários séculos. 

Omsk

Pelas ruas de Tomsk
Viajando dessa maneira tenho podido colocar o pé na estrada mais vezes, pois o custo torna-se mais baixo, além de me encontrar com deliciosas surpresas ao sair dos grandes centros.

Em Girona, um senhor nos parou no meio da rua para conversar sobre sua Girona Aimada. Em Padova, na Itália o atendente da pizzaria ficou jogando conversa fora com a gente por todo o tempo em que ficamos lá.

Isso sem contar em Omsk e Tomsk, na Sibéria, onde encontramos ótimos papos. O ritmo menos frenético, nos permite este tipo de contato, sem pressa. 

Em Bath, Inglaterra, o guarda dos banhos romanos, diante de minha frustração na hora de fechar o local, quando eu queria ficar mais, carimbou nossos bilhetes para que pudéssemos voltar no dia seguinte, sem nenhum custo adicional.


Em Gastonbury, uma senhora foi comigo até um jardim para tirar minhas dúvidas a respeito de uma planta local. Em Edam, Holanda a administradora do museu o abriu para nós quando ela já estava de saída. 

Almoço na praça em Edam depois de trocar ideia com a moça da delicatessen
Claro que Barcelona, Londres, Tóquio, Moscou nos proporcionaram experiências bárbaras, mas com certeza menos contato humano. Então, por que, em uma mesma viagem não usufruirmos dos benefícios do ritmo intenso de uma cidade grande casado com um ritmo mais slow das cidades menores?

Assim, procuro escolher uma ou no máximo duas cidades maiores e então vou em busca das cidades de menor porte.

Depois de nossa conversa, minha amiga continuou em dúvida. Ela ainda acha que vale a pena fazer Barcelona e Andaluzia. Então, dei a ela mais um conselho, outra de minhas regras de viagem: decida por aquilo que vai te fazer feliz!