quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A FORTALEZA de São PEDRO e São PAULO em São PETERSBURGO, Russia


Em nosso segundo dia em São Petersburgo (era uma segunda-feira de Setembro), depois de passar o domingo apenas caminhando sem rumo, sentindo a atmosfera da antiga capital do império russo, nós decidimos visitar a Fortaleza de Pedro e Paulo. 
Entrada da Fortaleza de Pedro e Paulo

Para ter acesso à fortaleza, atravessamos uma ponte sobre o Rio Neva

É possível caminhar pela fortaleza de graça

A fortaleza é um conjunto de lindos prédios
A fortaleza foi fundada em 1703 e ela era Petersburgo! Sim, aqui nasceu a cidade dos Czares, construída por Pedro, o Grande. Para termos acesso à entrada, passamos por uma ponte sobre o Rio Neva. É possível circular livremente pela fortaleza, sem custo algum. Ela é composta por um conjunto de prédios distintos e bonitos, além da Catedral de Pedro e Paulo.

Alguns destes prédios foram transformados em museus, cada um com um custo diferente. Na bilheteria, que fica logo após a entrada principal, há informações sobre o que tem em cada um deles e o preço. Nós optamos por conhecer tudo e compramos o bilhete completo. Estávamos preparados para passar o dia todo ali.

O lindo rio Neva e a cidade vista pela fortaleza
Russos tomando banho na prainha da Fortaleza de Pedro e Paulo
Registros fotográficos são coisa muito séria
Da fortaleza temos uma vista maravilhosa da cidade do outro lado do Rio Neva, com seus opulentos prédios de cores muito particulares e fascinantes. É uma vista espetacular!

Do lado de fora, "ao fundo" há uma prainha. Era fim do verão quando estive na Rússia e posso afirmar que não estava calor. Bom, pelo menos não para o meus padrões, que moro em uma cidade de clima tropical, quente, de verdade, o ano inteiro. Parece, no entanto, que os russos não concordam muito comigo. Havia muitos deles, de biquines, aproveitando o "calor" do verão, na prainha de Pedro e Paulo. Eles pareciam estar aproveitando muito, inclusive mergulhando nas águas geladas. Confesso que senti frio só de olhar!

As escadas do museu da história da fortaleza

Antigos cenários

A entrada do museu
O primeiro prédio que visitamos foi o que conta a história da fortaleza: The History of Peter and Paul Fortress. Ah! Mas não foi tão fácil assim acha-lo. Nem no bilhete e nem na entrada havia nome em inglês, apenas dentro. Além disso todas as portas estavam fechadas. 

Tivemos que ir comparando os caracteres em círilico do bilhete com o panfleto que estava na porta. Quando achamos, entramos e mostramos à senhora o bilhete que confirmou que estávamos no local certo.

O museu é, na verdade, um mini museu, com seis pequenas salas, expondo maquetes e gravuras da fortaleza em séculos passados. Tem umas muito bonitas e interessantes, assim como a escadaria em madeira da primeira sala. Tem uma parte com ilustrações dos eventos que já aconteceram na fortaleza bem como imagens dos funerais de Nicholas I (imperador de 1825 a 1855) Catarina II, a Grande (imperatriz de 1762 a 1796) e Anna Ioannova (imperatriz de 1730 a 1740).

Mirante

Entrada da prisão

Cárcere

Vaso sanitário

Os corredores da prisão

Alguns presos e suas histórias

Simulação de como era à época

Os jardins, onde ficava a bath house
Depois de conhecer um pouco da história da fortaleza, seguimos em direção ao próximo museu: a prisão - The Trubetskay Bastion Prision. Passamos pelo mirante, que é pago para subir. Eu confesso: não sou uma grande fã de mirantes. Prefiro ver as coisas de perto e não exatamente do alto, por isso não subimos.

Ali funcionou a prisão por 194 anos, desde antes de existir luz elétrica. Antes da catraca, ainda na recepção há uma maquete muito bacana do lugar. Fechou como prisão em 1918, mas continuou sendo usada pelo regime comunista até virar museu em 1924. Quase 1500 prisioneiros, quase todos presos políticos, passaram por estes corredores e muitos não saíram.

É comovente ler a história dos presos: há várias delas espalhadas pelas paredes do corredores. Ler, conhecer um pouco, humaniza, o lugar, nos torna parte daquilo, ainda que apenas como testemunhas distantes de vidas que não conhecemos, mas que deixaram ali suas energias, sonhos, pensamentos e convicções. O intelectual marxista Trotsky (que foi amante da mexicana Frida Khalo e morreu assassinado no México) ficou preso aqui por cerca de dois meses.

No lugar onde ficava a livraria é possível ver as marcas das estantes nas paredes, . Nos jardins, onde os presos faziam exercícios, há uma casinha que era a bath house. Vale muito à pena colocar a carinha na janelinha e olhar como era por dentro. Na antiga cozinha, encontra-se hoje a lojinha e há informações de como era o seu funcionamento, incluindo uma maquete.


Barraquinhas de lanche

Cardápio em inglês - UFA!

Cardápio em russo

Lanche almoço

Mesinhas ao ar livre para o lanche almoço
Casa do Comandante
Fizemos uma pausa para o almoço. Como ainda havia muito por ver e visitar, fizemos um lanche nas barraquinhas que ficam dentro da fortaleza. Em todas elas havia cardápio em inglês e ainda imagens das comidas, o que facilita, e muito, a vida de um turista.

Eu fui de hot dog e apesar de ser diferente do nosso, seco e sem molho, estava gostoso. Se bem que com a fome que eu estava até se o menu fosse de pedra sem sal, eu estaria comendo e me deliciando.

Após o almoço seguimos para a Casa do Comandante que não gostei muito. Talvez a coisa mais atrativa que tenha neste pequeníssimo museu (ou a única) seja a maquete da Shlusselburg Fortress, onde muitos prisioneiros foram enviados para morrer.

Fachada do Museu da História da Cidade

Caneta tinteiro de Alexandre I

Belo conjunto de chá

Vestuário

Maquete com simulação de diversos ambientes russos em tamanho maior que o meu: MUITO LEGAL!

A maquete anterior no detalhe

A maquete anterior  no detalhe
Em seguida, nos dirigimos para o museu que contava a história da fundação de Petersburgo (o meu preferido), que cresceu a partir da fortaleza e do Almirantado, através de roupas, utensílios, das transformações causadas pela chegada da luz elétrica, das mudanças na indústria, nos meios de transporte e de comunicação. Este museu mostra como tudo começou em São Petersburgo até a entrada no país na Primeira Guerra Mundial, culminando com o comunismo onde nada mais seria igual. O prédio é lindo!

Fundada às margens do Rio Neva, um rio novo de somente 4000 anos, há, além de objetos e simulações de situações em tamanho natural, muitas gravuras, quadros e estudos. E o melhor é que há informação em inglês. O piso de madeira (sim, sou apaixonada por madeira) é especialmente bonito.

Nas últimas salas tem pinturas e desenhos de cenas cotidianas da cidade. Como neste caso, as informações estavam todas em cirílico, eu pude apenas imaginar o que elas significavam, mas foi um exercício divertido. Há uma gravura bárbara da Nevsky Prospect (a principal avenida comercial de Petersburgo) de tempos passados, onde é possível notar as muitas mudanças pelas quais a rua passou.

Para mim, o mais forte dessa visita, foi ler um cartaz, já no final do museu, que fala que na primavera de 1914, os cidadãos de Petersburgo foram para as suas dashas (propriedades rurais) como era de praxe, sem saber que eles nunca voltariam. A Russia entrou na guerra, veio a revolução russa e a era dos Czares estava chegando ao fim. Escreveu Anna Akhmatova, poetiza russa (visitei a casa - que virou museu - dela na cidade): "... nós voltamos, não para Petersburgo, mas sim para Petrogrado. Do século XIX nós entramos no século XX, e tudo parecia diferente, começando pela aparência da cidade".

O cartaz continua dizendo que a cidade estava mergulhada no caos, uma vez que os homens que eram a alma da cidade: intelectuais, políticos, trabalhadores em geral estavam mergulhados no terror que tomou conta de Petersburgo.

Depois de acompanhar, imergir na antiga capital russa, desde o seu nascimento, com Pedro, o grande, me transportando para tempos passados diante daqueles objetos, foi um choque me deparar diante de tais dizeres, e fiquei imaginando o que deve ter sido sair de férias e toda a sua vida não existir mais.

Catedral de Pedro e Paulo

As colunas da Catedral de Pedro e Paulo e suas cores

A suntuosidade da Catedral de Pedro e Paulo

O belíssimo lustre da catedral de Pedro e Paulo
Por fim, visitamos a Catedral de Pedro e Paulo: amarelinha por fora, pequena, ela parece muito modesta e por isso mesmo tomei um susto quando entrei e me deparei com toda a suntuosidade dela, tão típica dos russos: um mar de colunas tomavam conta da nave principal, em tons deliciosos de rosa e verde. Lustres enormes, com detalhes em azul, ornamentavam o teto e os altares eram completamente cobertos de ouro, chegando a ser ofuscantes.

Aqui estão enterrados Pedro I, o fundador de Petersburgo, Catarina, a grande, além de Anna Iovanova. Na saída da catedral, em um corredor, há uma exposição com fotos e algumas informações sobre alguns dos czares russos.

Saímos da fortaleza pela prainha

Caminhando às margens do Rio Neva, com a vista da cidade

Que tal uma placa indicando que Kiev e Talin estão logo ali?
Fachada do Ivanoff House

A cara da felicidade diante de meu estrogonofe de carne
Preferimos sair da fortaleza pela prainha. Ela dá acesso a ponte que leva à entrada principal. Assim, caminhamos bem pertinho do Neva. Mesmo para quem não se interessa por museus, vale visitar a fortaleza para conhecer onde Petersburgo começou, para apreciar a maravilhosa vista da cidade do outro lado do rio  e ver os russos aproveitando o "calor" de 15 graus do verão deles.

Voltamos caminhando até a Nevsky, quando avistei um restaurante que me chamou a atenção (talvez pelo luminoso meio cafona), o Ivanoff House (Nevsky Prospect, 29-31, St Petersburg, Rússia) e entramos para jantar: decoração muito fofa, lembrando o campo, atendimento ótimo com garçonete falando inglês. Experimentei o Strogonoff russo e embora ele seja completamente diferente do nosso (é servido com purê e não com arroz): aparência e sabor, eu adorei!

Uma particularidade: a maioria dos banheiros públicos, de restaurantes, cafeterias e museus é unissex. É bem estranho no início, entrar em um banheiro em que um homem vai saindo, mas depois eu acostumei.

De almas e corpos alimentados, é hora de encerrar o dia e voltar ao hotel.