domingo, 23 de agosto de 2015

DESCOBRINDO a SIBÉRIA, através de OMSK:


Três razões nos levaram até Omsk: 
  • Nós amamos as cidades pequenas pelo que elas tem a nos proporcionar. Nem sempre elas possuem grandes atrativos turísticos, mas acredito que é nas cidades menores onde temos mais oportunidades de trocar experiências com as pessoas; 
  • Já que estávamos na Rússia, queríamos descobrir que cara tinha a Sibéria, o que havia além do gelo;
  • Por fim,  a Siberian International Marathon, pois eu sou meia maratonista e Léo, ultramaratonista e nós dois somos aficcionados pela festa que é uma prova de corrida. Ele se inscreveu para correr a maratona da Sibéria e desta vez eu fui apenas apoiar e incentivar.
Desde já eu afirmo: valeu cada dia que passamos na cidade. 

A guia da maratona Alexandra
Omsk não é uma cidade de encantos visíveis, explícitos. É preciso paciência e observação para desvendá-la. Acho que o aspecto mais surpreendente de Omsk é a sua normalidade, o fato dela não ter nada de extraordinário. Confesso que não era bem isso que eu esperava encontrar na Sibéria. Seja como for, para o visitante interessado, Omsk se revela através da simpatia de seus habitantes.

Desembarcamos no aeroporto de Omsk com a temperatura de 2 graus e sensação térmica de 4 graus negativos, chuva e vento. Era verão na Sibéria! O que deve ser o inverno na região?! Não é à toa que o inverno russo ganhou guerras! Era uma sexta-feira. 

A guia da maratona nos aguardava. Ela foi designada pela comissão organizadora para dar apoio a todos os corredores internacionais. O quantitativo de corredores não russos inscritos na prova impressionava: oito! Havia apenas oito corredores estrangeiros que iam correr a maratona, sendo que o total de inscritos estava em torno dos 15000.  Já participamos de muitas provas de corrida fora do Brasil e nunca tinha visto nada parecido! 

Ibis no padrão internacional

Ibis - ótimo custo/benefício
Alexandra, a guia, nos deixou, junto com um casal do Canadá, (J e S, ele meio maratonista estava lá para apoiar a esposa que iria correr a maratona) no Ibis. Como acontece em quase todos as cidades, o Ibis estava muito bem localizado e seguia o padrão dos apartamentos reformados. Gosto de saber o que eu vou encontrar, especialmente em uma cidade onde eu tinha conseguido tão pouca informação. Fizemos check-in e fomos explorar a cidade. 


Cafeteria: esses russos gostam de um vermelho e de um excesso

Linda igrejinha amarela

Omsk é fofa

Estava muito frio! Omsk estava gelada! Logo que começamos nossa exploração, tivemos que fazer uma parada em uma cafeteria para aquecer um pouco. Entramos na primeira que apareceu, ainda na rua do Ibis (Lenina Street). As garçonetes não falavam inglês, mas pedir café é fácil. Tomamos nosso expresso, ganhamos coragem e fomos enfrentar a friaca. Não havia muitas pessoas nas ruas e eu conseguia entender a razão. 


Coisa mais fofa a Casinha Amarela
O artista

Passamos em frente a uma linda igreja, toda amarela e a admiramos por fora. Continuamos nossa caminhada, mãos nos bolsos, gorro enterrado na cabeça, cabelos protegendo a nuca, junto com o cachecol. Nos deparamos então com uma casa amarela, toda de madeira e eu me apaixonei. 

Não conseguimos identificar de cara o que era, mas estava aberto e havia uma porta. Como eu adoro portas, e adoro saber o que há por trás delas, entramos para descobrir o que era aquele lugar. Nesta casa morou o artista do foto, que morreu em 1988. Hoje funciona como um local de exposição. Havia quadros pintados por ele e por outros artistas locais. Era uma exposição pequena, distribuída por alguns ambientes, mas muito interessante. 

Conversamos um pouco com o moço que estava na recepção. Ele perguntou de onde nós éramos e espantado, quis saber o que estávamos fazendo ali. Falou do inverno rigoroso que podia chegar a 40 graus negativos, mas que o normal era ficar em torno dos 30 graus negativos e que isso não impedia que as pessoas tocassem suas vidas, afinal todos tinham que trabalhar e estudar. A conversa rendeu um bom tempo e esta troca é o que me atrai nas cidades pequenas.


Oi Omsk

O jeito é caminhar para esquentar
Continuamos caminhando, buscando um lugar para almoçar, mas a sinalização não é fácil e mesmo com um mapa tivemos dificuldades. Tínhamos a indicação de um restaurante, mas não conseguimos achar a rua. Resolvemos perguntar em uma espécie de shopping, mas ninguém falava minimamente inglês. Mostramos o nome para umas moças e elas tentaram ajudar buscando a localização pelo celular. Foram muito gentis, mas aquilo não nos ajudava.

No entanto, elas não desistiram, saíram do shopping com a gente e falaram durante muitos minutos em russo, fazendo gestos que não conseguimos compreender. Agradecemos e partimos de volta ao Ibis e por sorte Alexandra estava lá e nos guiou até o tal restaurante (não iríamos achar nunca sozinhos!), mas ele estava fechado. 

Como a gente escolhe um prato, se não entende o cardápio?

Strogonoff russo

O jeito foi entrar em um prédio, um mix de escritório e lojas, onde no terceiro andar havia um restaurante holandês. O cardápio estava todo em cirílico. Uma garçonete, que falava um pouco de inglês, nos ajudou traduzindo alguma coisa. Escolhi o strogonoff que estava gostoso, mas que não se comparava com o que havia comido em Petersburgo. 

Museu de Arte de Omsk

Pelo meno a chuva deu uma trégua: cidade arborizada
À tarde, visitamos o Museu de Arte de Omsk (ul. Lenina 23): a casa onde ele funciona é bonita, data de 1862 e possui um bom acervo com quadros, louças e objetos de épocas passadas. Arte russa pura. Em cada ambiente, como sempre, uma senhorinha nos orientava, por gestos, o caminho a seguir. Em uma das salas havia várias miniaturas onde precisamos olhar através de lupas para vermos livros e outros objetos minúsculos. Foi divertido!

Em uma das salas havia um casal de noivos tirando fotos profissionais. Vimos muito disso nos monumentos russos. Fiquei com receio de atrapalhar e muitas vezes parei, esperando que eles finalizassem uma foto para que eu pudesse me aproximar de um quadro. Sempre que eu fazia isso, a senhorinha da sala, mandava, com gestos vigorosos, que eu não me incomodasse e seguisse meu caminho. Àquela altura do campeonato eu já sabia que ordem dada por uma senhora russa nos museus é ordem cumprida!

Caminhando de volta para o Ibis Hotel

As estátuas de Omsk

O rio que corta a cidade

Jantar: pelmeni (пельмени) - primo do raviolli

A gente adorou Omsk

Confortáveis e aquecidos no Café Berlim
Saindo do museu, o frio nos venceu. Parecia que estava ainda mais gelado, apesar da chuva ter parado. O jeito foi voltar caminhando para o hotel, com passos vigorosos, para aquecer o corpo. 

Com um rio que serpenteia por toda parte e suaviza esta cidade industrial de pouco mais de 1 milhão e habitantes, Omsk é cheia de estátuas interessantes, simulando cenas cotidianas da cidade encenadas por seus moradores: um trabalhador saindo do bueiro, uma moça sentada no banco da praça, um guarda vigiando a esquina. Muito legais! Às vezes, somente quando já estamos perto delas é que notamos que não são pessoas reais. 

Visitamos a loja da Adidas (onde vi pela primeira vez um casaco apropriado para um frio de 40 graus negativos - parece um colete salva vidas, maior) e entramos no Café Berlim para tomar um chocolate quente. Ambos ficam ao lado do Ibis. Estava tão quentinho dentro do café que terminamos ficando por lá mesmo e jantando uma massa: pelmeni (пельмени), uma espécie de raviolli. Léo escolheu molho de cogumelos e eu de salmão. Não gostei muito não! 

Assim, encerramos o dia em Omsk!

Museu de Arte de Omsk - Aberto de terça a domingo das 10:00 às 18:00 (podendo haver alteração)