sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Nos Jardins de PETERHOF, a VERSAILLES russa


Terceiro dia em São Petersburgo, resolvemos sair da cidade e visitar Peterhof, a Versailles russa, erguida a mando de Pedro, o Grande, no século XVIII, e que fica na cidade de mesmo nome a cerca de 30 kms de Peter. A Czarina Isabel, filha de Pedro e Catarina II, também moraram em Peterhof, modificando a aparência do lugar e promovendo badaladas festas. Peterhof sofreu grandes danos, causados pelos alemães, que aqui se instalaram, durante a segunda guerra mundial. 

Vista do Palácio de Inverno de dentro do barco

O barco por dentro

O pier em Peterhof
Havia a possibilidade de irmos a Peterhof por terra ou pela água, e optamos pelo barco. Achei que a travessia iria me oferecer belíssima vista de Petersburgo, sob outra perspectiva, mas embora a saída da cidade tenha, de fato vista espetacular, na maior parte da viagem só vemos água por todos os lados, não havendo portanto nenhum atrativo. O valor da passagem é superior ao da viagem feita de ônibus, mas ir de barco é mais rápido. 

Pegamos o barco próximo ao Palácio de Inverno. É fácil achar, pois ficam várias pessoas abordando os turistas e tentando vender as passagens. A maioria destas pessoas falava muito mal o inglês, eram agoniadas, falavam rápido demais, e não davam informações muito precisas, o que me deu um certo receio pois em determinado momento parecia golpe. Não era. Eu estava enganada. 

Compramos as passagens próximo à hora do embarque: saem barcos de hora em hora podendo sair de meia em meia hora, caso haja demanda para isso. Temos a opção de comprar somente ida ou ida e volta (o que torna o bilhete mais barato) mas nós escolhemos comprar só de ida. A travessia dura cerca de meia hora e depois de cinco minutos, tudo o que vemos é a água do Golfo da Finlândia.

Ao desembarcarmos no pier, nos deparamos com diversas bilheterias, com todas as informações em russo e ninguém falando minimamente inglês. Ficamos observando, para tentar entender como funcionava e percebemos que outros estrangeiros também estavam perdidos. 

Sem alternativa, encostamos em um guichê, onde a caixa se virava no inglês e nos explicou, com a ajuda de mímicas, que para entrar nos jardins de Peterhof teríamos que pagar. Para cada prédio, teríamos que pagar: cada lugar, um bilhete e um custo, assim como na Fortaleza de Pedro e Paulo. Crianças abaixo de 7 anos não pagam. 

A bela entrada de Peterhof

A praia que banha Peterhof
 
A floresta de suas árvores centenárias
Peterhof

Os  jardins de Peterhof

Alguns prédios que fazem parte de Peterhof
Peterhof
Já na entrada dos Jardins de Pedro (tradução livre de Peterhof), vemos a grandiosidade do lugar. É amor à primeira vista e fiquei imaginando como deve ter sido agradável passar os dias entre aqueles jardins, floresta e palácios. 

Vários prédios fazem parte do complexo, como o prédio de Catarina e a casa de banho, sendo o principal deles o Grande Palácio. Para cada prédio a ser visitado podemos comprar os bilhetes no próprio prédio. O problema é que cada um deles tem um dia e um horário de abertura, o que significa que no dia em que visitamos, por exemplo, o Hermitage, estava fechado. 

Assim, decidimos então por passear e explorar os jardins com suas cascatas e estátuas de ouro e visitarmos o Grande Palácio. Os ingressos esgotam rapidamente pois o horário de funcionamento é apertado (10:30 - 12:00/ 14:30-16:15, podendo mudar) e há grupos enormes entrando o tempo todo. Os bilhetes podem ser comprados no lobby do palácio, à esquerda de quem entra. À direita fica o guarda-volumes. 

Almoço
Um brinde às experiências e aos bons momentos

Vista de Peterhof, as cascatas e a Water Street

Vista do Grande Palácio e as cascatas.
Proteção para o piso secular
Como nossa visita para o Grande Palácio era à tarde, almoçamos antes. Há restaurantes e barracas de lanche espalhados pelo local e escolhemos cachorro quente na barraquinha, com sorvete de sobremesa, mesmo no frio. Peterhof é mais frio que Petersburgo.

O Grande Palácio, como não podia deixar de ser é magnífico. Sua estrutura horizontal, com detalhes em amarelo, paira sobre toda a extensão do jardins de Pedro, como se a tudo vigiasse e controlasse. Por dentro ele incrivelmente bonito! 

Para ter acesso ao palácio, recebemos estas camisinhas de sapato para proteger o piso secular e temos que devolve-los ao final da visita. 

A escada principal é carregada de dourado, como os russos parecem adorar, mas as pinturas dão um pouco de leveza ao ambiente. O salão de baile, é repleto de brilho e de espelhos, com um afresco enorme no teto: tudo nos remetendo à suntuosidade. Na sala do trono, tons pesados de vermelho e verde, com um belíssimo lustre em tons de roxo. O que mais chamou a minha atenção nesta sala, foi um retrato de Catarina, a Grande, montada à cavalo, em postura masculina. O que deve ter sido esta mulher?!

Definitivamente não podemos dizer que os czares eram discretos. Um ambiente após o outro, com cores fortes, decoração opulenta, e completamente distintos um do outro. A sala de jantar, fugindo um pouco do padrão, é incrivelmente branca, com detalhes em verde. A mesa estava posta com louças delicadas e cheias de minúcias. A sala de estudos de Catarina com seu papel de parede floral, talvez tenha sido meu espaço preferido. 

Detalhes das esculturas que fazem parte da cascata

Detalhes do Grande Palácio

As cascastas com a estátua de Netuno, que ornamentam a entrada do Grande Palácio

O Grande Palácio e suas cascatas ao fundo

Ao sairmos do Grande Palácio (levamos pouco mais de 1 hora visitando) demos outra volta pelos jardins. Afinal não tínhamos pressa alguma. Apesar de frio, havia sol e estava muito bom para passear. Havia muita gente circulando, mas ainda assim não havia tumultos, por conta da extensão do local. É preciso ter muita atenção com os batedores de carteira. Há avisos por todo lado alertando sobre isso. 

Os jardins do fundo, com o Grande Palácio

O lago e os jardins ao fundo do Palácio

A cidade de Peterhof
Igreja de São Pedro e São Paulo

Pelas ruas de Peterhof

Ponto de ônibus

Estação de trem no fim de linha da van
Nós deixamos Peterhof pelos fundos do Grande Palácio, onde há mais jardins e esses são gratuitos para circular. Há um bonito lago e árvores com cortes perfeitos. Nos demoramos um tempo ali também, tirando fotos e sentindo o ar fresco. 

Saindo do jardim, viramos à esquerda e fomos seguindo pelas ruas de Peterhof até o ponto de ônibus. A cidade é muito fofa, com casas de linda arquitetura. No meio do caminho nos deparamos com a Igreja de São Pedro e São Paulo, que seguindo o padrão das igrejas ortodoxas russas, é uma verdadeira obra de arte. Por dentro não a achei tão bonita: é pequena e escura. Estava tendo missa, com pouco fieis, e não pudemos circular livremente. 

Pegamos o ônibus (na verdade uma van) número 300 (o 424 também servia) para voltarmos à Petersburgo: mais ou menos 1 hora de viagem, van lotada (fomos em pé que nem sardinha em lata todo o percurso) e um motorista completamente doido.

Eu já havia notado que os motoristas russos, tanto em Moscou quanto em Petersburgo, só andam em alta velocidade, com direção perigosa, mas estar naquela van, onde quase batemos e eu não sabia se ia conseguir chegar é bem diferente de observar. Mas, quando olhei para expressão tranquila dos outros passageiros, eu relaxei: vamos chegar.

No fim de linha, que fica em frente à estação de metrô, saltamos e ali eu vi uma Russia diferente: mercado popular de rua, gente subindo e descendo as calçadas, pessoas gritando, uma bagunça típica das principais cidades brasileiras.


Shopping Galeria ao lado do Ibis
Borsh e blini
Sete estações de metrô depois estávamos na rua do hotel e jantamos no Shopping Galeria: pizza, blinis e borsh.