quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pegamos mais uma vez a TRANSIBERIANA: desta vez de OMSK para TOMSK:


Deixamos Omsk logo após a SIM - Siberian International Marathon, onde Léo correu, e seguimos para a estação de trem. A recepção do Ibis Hotel solicitou um táxi para nós e a corrida levou cerca de 15 minutos. Próximo destino: Tomsk, ainda na Sibéria, através, mais uma vez da famosa transiberiana.

Uma coisa que demoramos a entender e que poderia ter nos causado problemas, foi o horário que o trem partia de Omsk. A Rússia possui 9 fusos horários, mas quase tudo no país é regido pelo horário de Moscou. Tanto Omsk quanto Tomsk estão 3 horas à frente de Moscou e Petersburgo. Portanto, o horário que constava em nossos bilhetes, 16 horas, era o horário de Moscou e não o de Omsk, o que significava que tínhamos que estar na estação antes das 19:00, hora local. 

Lanchonete da estação de trem de Omsk
Na estação de trem, pequena mas bonitinha, havia muitos policiais: todos sisudos, com uma expressão carrancuda e por conta disso fiquei com receio de tirar fotografias.

Checamos nosso trem no painel para ver plataforma e confirmar o horário e fomos tomar um café na lanchonete da estação. Para variar, nada de ter alguém falando inglês, mas já estávamos acostumados às mímicas depois de tantos dias circulando pela Rússia.

Para descobrir como chegar em nossa plataforma, buscamos ajuda em uma ilhota, que parecia ser de informação e fomos orientados, por gestos, que caminho devíamos seguir. 

Na plataforma, apresentamos o voucher com o código de barras impresso dos bilhetes que compramos ainda no Brasil, através do site Visit Russia, à ferromoça que nos indicou o nosso vagão, onde foi preciso apresentar a cópia do passaporte para podermos entrar.

Nossa cabine, nossa bagunça

Beliche de couro vermelho

Cabine para quatro pessoas

Vamos lá para mais esta experiência
A plataforma estava cheia de gente. Me lembrou um pouco as rodoviárias do Nordeste em época de São João: pessoas se despedindo, cheias de bagagens, travesseiros e comida. Um pouco da casa nas costas, tipo cágado. 

Quando fui entrar no trem, um homem, exalando forte cheiro de álcool, não me deu passagem, mesmo diante de meu pedido insistente de licença. Eu tive que me encolher para passar por ele. 

O trem cheirava a suor, não teve chá de boas vindas ou café da manhã. As camas eram de couro vermelho com um aspecto nada atraente: aquele trem em nada se parecia com o que pegamos de Moscou para Petersburgo, também pela transiberiana. Definitivamente seria uma nova experiência.

O banheiro do trem: compartilhado

A paisagem rural durante o percurso

Fim da viagem

Fim da viagem: noite péssima
Neste trecho Omsk-Tomsk da transiberiana, não havia cabine dupla, somente quádruplas, com dois beliches. Por sorte, só havia Léo e eu no vagão, porque fiquei imaginando como seria viajar por 14 horas, durante a noite toda, naquele lugar apertadinho, com quatro pessoas e mais todas as bagagens.

Pude vislumbrar o que poderia ter sido, ao ir ao banheiro em um momento e observar as cabines que estavam abertas e completas, com pessoas e bagagens espremidas e amontoadas compartilhando aquele minúsculo espaço. No entanto, elas me pareceram felizes e habituadas àquele movimento, conversando, trocando petiscos e deitados sobre malas e sacolas. Impossível saber se eram famílias, velhos conhecidos ou apenas companheiros daquela viagem. 

Os banheiros (vaso + pia) eram compartilhados e ficavam nas extremidades dos vagões. A descarga era um pedal no chão e apesar do aspecto desleixado, mal acabado e sujo, estava relativamente limpo. 

Recebemos lençóis e fronhas para os travesseiros o que ajudou a camuflar o desagradável odor, além de uma espécie de colchão, similar a um edredom, para colocar sobre a cama de couro vermelho. Assim como no trecho Moscou - Petersburgo, havia separado uma roupa mais confortável para passar a noite (incluindo meias porque faz frio) e pude usá-las porque só estávamos Léo e eu no vagão. 

O trem

Olá Tomsk

Tomsk

A Estação de trem de Tomsk
A viagem foi péssima! O trem fez diversas paradas barulhentas, sacolejou muito e havia música russa tocando distante parecendo rádio, boa parte do caminho. Não dormi a noite toda e cheguei em Tomsk um bagaço. 

Faltando cerca de meia hora para chegar, a ferromoça bate nas portas do vagão para despertar a galera, de forma que na parada do trem todos já estejam prontos para desembarcar. Chegamos pouco antes da 6 AM com temperatura marcando 3 graus em um dia lindo de sol. Viva o verão siberiano!