segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Só tenho uma coisa a DIZER: em OMSK, nós fomos VIP - SIBERIAN International Marathon


No segundo dia em Omsk, sábado, fomos para a feira da maratona retirar o kit. Como em Omsk nós somos VIP (afinal apenas oito não russos se inscreveram na corrida), Alexandra, a guia designada pela organização da SIM - Siberian International Marathon, nos pegou no Ibis, com uma van e levou até a feira. Além de nós, havia o casal de canadenses, que chegou na cidade na mesma noite que nós, um inglês e dois finlandeses. Os outros inscritos não apareceram. 

Alexandra resolveu tudo para os corredores pegando e distribuindo os kits e passando informações gerais sobre a prova. Como eu e o J (canadense) não iríamos correr a maratona, éramos apenas apoio, ganhamos uma crachá VIP para circularmos por todas as áreas da maratona. Gostei!

A feira da maratona
Ensopado russo de carne

Detalhe do restaurante

Circulamos pela feira da maratona que geralmente tem a proposta de divulgar produtos voltados para os corredores e elas costumam ser boas e diversificadas. A de Omsk foi muito fraca, com poucas opções de produtos e muito pequena. 

De lá fomos almoçar em um restaurante de comida russa, perfeito de gostoso. Eu escolhi um ensopado de carne de carneiro e verduras, acompanhado de um pão russo espetacular. Estava maravilhoso! Pena que o nome é impronunciável e todas as informações estavam em cirílico. Alexandra nos ajudou com algumas traduções.

A conversa foi longa e a troca de experiências, sensacional. Cada um de nós contou sobre o seu país (os finlandeses não foram. Queriam descansar para a prova no dia seguinte): Canadá, Londres, Brasil e Russia. Talvez o momento mais interessante neste compartilhamento tenha sido a pergunta que J fez sobre como os russos viam a situação da Crimeia (à época estavam se iniciando os conflitos e a comunidade internacional estava aplicando várias sanções à Rússia). 

Ela deu um gole em sua água, nos olhou um instante em silêncio, sorriu meio sem graça, enrolou um pouco, disse que havia gente a favor do presidente e que havia gente contra. Deu mais um gole na água, sorriu mais um pouco e afirmou: Putin está defendendo os russos! Esta é a verdade, disse ela. 

Durante o almoço, D, o inglês ainda comentou uma coisa curiosa: que o que mais o tinha surpreendido na Rússia, tinha sido o fato das pessoas serem normais. As mulheres são bonitas, usam maquiagem e salto alto, disse ele. Parece bobagem e com certeza é ignorância, mas quando ele falou isso, resumiu minha perplexidade. Eu me dei conta de que tive o mesmo sentimento. Achei que fosse encontrar um país diferente, estranho, pela pouca informação que consegui antes de ir, mas a Rússia é muito europeia. 

Após o almoço, Léo, eu e o casal de canadenses fomos ao Café Berlim tomar café e jogar conversa fora. Foram horas de conversa boa, impressões sobre o mundo e o que pensamos sobre a afirmação de Alexandra no almoço. Foi uma tarde tão boa que menos de uma ano depois nós os recebemos no Brasil e passamos momentos ótimos com eles por aqui.

Quando nos demos conta já havia escurecido e era hora de nos reunirmos com o resto do pessoal para jantarmos e compartilhar mais informações e percepções sobre o mundo. À noite fomos de massa, afinal havia maratonistas na mesa precisando de combustível para a prova no dia seguinte.

Largada e chegada em frente à Catedral da Anunciação 

Superou diversas condições adversas

Maratonista

Vencedor
No domingo, dia da maratona, fomos caminhando até a largada, em frente à Catedral da Anunciação - belíssima! Os corredores puderam trocar de roupa junto com a elite e eu e J pudemos circular com nossos crachás de VIP. A prova foi ótima, bem organizada, os russos foram para as ruas, torceram e incentivaram (isso faz muita diferença em uma prova de longa distância). A temperatura subiu um pouco e parou de chover.



Eu e J passamos mais de quatro horas conversando e aplaudindo os maratonistas, apoiando nosso corredores, Léo e S, a esposa dele: ambos vencedores! Foi muito engraçado porque somente nós dois gritávamos em inglês, o que chamava a atenção.

Havia na largada/ chegada uma banda russa tocando música ao vivo na maior animação: qual não foi a minha surpresa quando ouço, com forte acento russo uma dessas músicas brasileiras tipo chiclete ruim. Foi difícil de acreditar!

Ao final da prova, nos despedimos de Alexandra e seguimos para o hotel, ruas ainda fechadas, maratonistas ainda chegando, se superando, suor escorrendo, a dor muitas vezes estampada no rosto, misturada à vontade férrea de sentir a emoção indescritível de cruzar a linha de chegada.

Havia desde cedo, muitos policiais nas ruas, durante todo o percurso, todos muito sisudos, assustadores e ríspidos, correspondendo à imagem que eu tinha deles. Imagem esta formada pela leitura de livros russos, ou sobre a Russia, que li antes de voar para lá.

De volta ao hotel, arrumamos as bagagens, nos despedimos de S e J e partimos de Omsk com excelentes lembranças e ótimas histórias para contar.