sábado, 5 de setembro de 2015

PARTICULARIDADES russas:

O que fazer na Rússia

Descobrir uma nova cultura, diferente da minha, com todos os seus aspectos positivos, negativos, estranhos, absurdos, engraçados e até irritantes é o que me move quando penso em viajar. A Rússia terminou sendo mais comum e "normal" do que eu imaginava, mas não deixou de ter suas particularidades. 

Estar na Rússia para mim foi muito forte. Eu cresci durante a Guerra Fria: o mundo dividido em dois polos. Cresci com a imagem da União Soviética como um país inimigo que queria destruir e dominar os outros países, com espiões malvados: imagens plantadas e sedimentadas pelos filmes americanos

Quando decidimos ir à Rússia, tínhamos muitos sentimentos contraditórios: medo, curiosidade, ansiedade, alegria, expectativa... Havia pouco material disponível sobre o país, o que aumentava o mistério. Daí a surpresa diante do que, muito bem definiu um inglês, em um almoço na Sibéria, para uma russa: vocês são normais! 

Sobre essa "normalidade" me disse um jovem em Tomsk: "vocês agora estão descobrindo a Rússia e percebendo que nós, os russos, somos abertos e simpáticos. Antes vivíamos isolados e vocês não tinham como nos conhecer".

O que fazer na Rússia
Trouxemos da Rússia as melhores lembranças
Ele tinha razão! O que eu descobri por lá, mais do que um país ocidentalizado, foi um país completamente diferente de tudo o que eu imaginava: pessoas amigáveis, receptivas, adoráveis.

Um povo aberto e um país magnífico e colorido: grandioso. Não era cinza e sério como eu pensava. Estar em um país em que tive que estudar tanto na escola, sobre o qual assisti várias matérias nos telejornais, que vi sua política influenciar o mundo, foi muito intenso. 


Toda viagem, todo país, toda cidade é especial e interessante para mim por uma ou mais razões, mas talvez, a Rússia tenha sido uma das viagens mais ricas, em termos de descobertas e de surpresas, de história recente e de quebra de conceitos que eu tenha feito. 

O que fazer na Rússia
Rússia
A seguir, algumas singularidades russas que observei e vivenciei durante os poucos dias em que passei turistando pelo país:

Os russos não fazem fila indiana. É mais um aglomerado de pessoas. Eles vão chegando em uma bilheteria, por exemplo, e vão formando um bolinho de gente, que vai caminhando à medida que pessoas vão saindo da fila após o atendimento.

Não sei como, mas funciona e de forma rápida e eficiente, sem empurrões, caras-feias ou palavras rudes. Buscávamos dançar aquela música no ritmo certo para não ficarmos para trás.

Outra coisa curiosa é que na maioria dos lugares públicos, como restaurantes e cafeterias, não há distinção entre banheiro feminino e masculino. Eles costumam ser unissex. No início eu estranhei, mas depois acabei acostumando.

O que fazer na Rússia
Rússia
As porções de comida no país costumam ser pequenas. Comum vê-los almoçando um prato de sopa e um blini (a panqueca russa). Achei o povo, na maioria, magro.

Os motoristas russos dirigem loucamente e em alta velocidade, principalmente nas avenidas mais largas. Eles até costumam parar em faixas de segurança e semáforos, mas vi carros invadindo também e por isso só atravessava a rua quando tinha certeza que podia ir. Mal pisava o pé na calçada e já ouvia os motores acelerando. 

Vi muitos acidentes de trânsitos nos dias em que estive lá, incluindo um motoqueiro atropelado. Em Moscou é mais tranquilo porque não atravessamos a rua pela superfície e sim por passagens subterrâneas. 

Além disso, os motoristas estacionam o carro em qualquer lugar, em qualquer posição. Todo pedacinho de chão é uma vaga em potencial. Isso sem falar que eles amam uma buzina.

As mulheres russas pareciam saídas de um editorial da Vogue, com roupas muito elegantes e cabelos impecáveis enrolados em tranças e coques elaborados, principalmente em Moscou.

Elas não pareciam andar, e sim estarem desfilando em uma passarela, suaves, delicadas e femininas. Claro que vi uns exageros, como uma moça toda vestida de pink e botas salto agulha com plumas. Achei os homens mais desleixados.

O que fazer na Rússia
Rússia
Achei as pessoas muito curiosas: todo mundo olha todo mundo, especialmente no metrô. E não era uma coisa muito discreta não, ao contrário, era bem ostensivo. Léo e eu tivemos percepções diferentes sobre isso.

Ele entendeu que essa prática é resquício do passado comunista, onde todos vigiavam todos. Eu achei que era apenas curiosidade. É um povo consumista e que tem interesse de saber como é o outro, como se veste e como se comporta. 

Nunca estive em um país para ver tantas pessoas nas ruas tirando fotos: desde autorretratos até fotos mais profissionais, em celular, máquinas fotográficas pequenas e aquelas enormes. Vimos muitas noivas fazendo trash the dress em pontos turísticos abertos e fechados, na chuva e no frio. 

O que fazer na Rússia
Rússia
Quando eu comecei a ler a literatura clássica russa (Gogol, Tchecov, Tolstoi e Dostoievsky), algum tempo antes de embarcar, eu comecei a pensar que talvez os meus conceitos a respeito da personalidade russa estivessem um pouco equivocados. Estes autores descreveram personagens apaixonados e apaixonantes e muito longe da frieza e da dureza que esperava encontrar.

O que vi lá foi um povo muito hospitaleiro, meio agoniado, muito acessível, sorridente e receptivo ao turista. Eles não desistiram de nós nem quando a comunicação entrava pelo que parecia um beco sem saída. Três momentos marcantes: 

Em uma barraquinha do lado de fora do metrô, uma senhora abriu cinco "esfihas" para que víssemos o que havia dentro, já que os nomes estavam em cirílico. Depois quis nos vender uma fechada, e não uma das que ela já tinha aberto, coisa que não aceitamos.

No voo de Tomsk para Moscou, a comissária não falava inglês e abriu as quentinhas para vermos quais as opções disponíveis e pudéssemos escolher. De um jeito ou de outro, eles sempre encontravam uma forma de ajudar.

No Museu Hermitage, quando me perdi (sou desorientada, mesmo com mapa na mão), uma das senhoras que tomam conta das salas vendo que não estava conseguindo entender suas mímicas, me pegou pelo braço e me levou até a sala para me mostrar que estava fechada.

Vivenciamos muitos momentos como esses.

O que fazer na Rússia
Rússia
As escadas rolantes dos metrôs em Moscou e Peters levam mais ou menos 2 minutos para subir e 2 minutos para descer. Eles são muito profundos. Reza a lenda que a razão se deve ao fato de poderem ser usados como proteção contra possíveis bombardeios. Uma espécie de bunker.

A água em Omsk e Tomsk, não sei a razão, é muito ruim.

Sempre que eu viajo, procuro aprender algumas palavras básicas de cortesia para ser gentil com o povo que me recebe. Percebi que na Rússia isso não estava funcionando muito bem. Quando entrava com o meu bem treinado dobroye utro, lá vinha uma enxurrada de palavras em círilico. 

Resolvi então mudar de tática e comecei a entrar nos lugares cumprimentando em inglês. Era muito divertido porque a pessoa que nos recebia ficava desconcertada, vermelha e meio apavorada.

Tudo isso transparecia em seu rosto. Sorria, pedia um instante, sumia e voltava com a alguém que falava alguma coisa de inglês e entendia muito de mímica. Isso aconteceu repetidas vezes e foi uma das coisas mais interessantes e divertidas de se observar.

O que fazer na Rússia
Rússia
De qualquer forma sugiro aprender a grafia de algumas palavras como:

·                     Entrada: вход;
·                     Saida: Выход;
·                     Cafeteria: Кофейня;
·                     Restaurante: Ресторан
·                     Bilheteria: Касса
·                     Um: odin (fala-se adin)

Passamos dias muito divertidos na Rússia e trouxemos na bagagem de volta conhecimento e ótimas histórias, além do carinho do povo que tão bem nos recebeu.