quinta-feira, 3 de setembro de 2015

E foi ASSIM que nos DESPEDIMOS de TOMSK e da SIBÉRIA:



Passamos a manhã toda no Museu de Repressão, em nosso último dia em Tomsk, e depois do almoço, fomos nos despedir da cidade. Era hora de partir, mas definitivamente este lugar ganhou um espaço no meu coração.

A praça e suas fontes observam o rio Tom

Não são só os franceses que acreditam em simpatias de amor

A bonita arquitetura de Tomsk

A beleza sóbria e simples de Tomsk
Saímos em busca da famosa estátua do autor russo Tchekhov: passamos pela ponte sobre o rio Tom, que fica em uma praça com fontes e flores coloridas adornando o local. Mesmo no frio havia crianças brincando. Na ponte, muitos cadeados simbolizando o amor e as superstições. Em volta da praça a linda, sóbria e simples arquitetura da cidade. O tempo estava nublado e frio: era apenas o início do outono!

O rio Tom

Dizem que apertar o nariz de Tchekhov dá sorte

Eu e Tchekhov
Delicioso tempo cinza

Seguimos pela calçada que margeia o rio e chegamos até Tchekhov (1860-1904). A estátua feita em bronze para a comemoração dos 400 anos de fundação de Tomsk é na verdade uma pequena vingança da cidade ao famoso dramaturgo.

A história conta que, de passagem por Tomsk, ele detestou tudo por lá e teria escrito em seu diário que a cidade era chata e seus habitantes enfadonhos. Teria dito ainda que esta era uma cidade "bêbada" e que ainda por cima não havia mulheres bonitas.

Então, em 2004, um autor local criou a estátua com os seguintes dizeres: "Anton Pavlovich através dos olhos de um bêbado deitado em uma vala". Não sei se o escritor teria gostado e mudado de ideia a respeito do povo local ser maçante, mas eu achei a vingança cheia de senso de humor e o Tchekhov de bronze muito simpático, com seus pés enormes e seu guarda-chuva aninhado às costas.

A chuva caiu e deixou o dia com cores ainda mais bonitas

Nem sempre conseguimos identificar o que eram os prédios

Olhando, observando podíamos apenas imaginar. 

A Estátua de Lenin apontando para o Teatro de Drama

A capelinha perto da estátua de Lenin
A chuva caiu quando estávamos brincando na estátua de Tchekhov. Corremos para nos abrigarmos em um prédio e ficamos esperando a chuva passar. Ficou ainda mais frio, mas a cidade ficou mais bonita com o tom de cinza chumbo das nuvens carregadas e da água que caía.

Quando melhorou e transformou-se apenas em chuvisco, continuamos a fuçar a cidade, olhando os prédios e suas janelas, tentando adivinhar o que representavam, o que eram, qual a sua importância e sua história. Claro que era mais um jogo de imaginação pois não entendíamos nada do que estava escrito.

Chegamos na estátua de Lenin, apontando para o Teatro de Drama indicando que o mundo precisa de mais prédios como aquele. Há controvérsias! A estátua fica em uma rotatória parecendo ser ignorada por todos os que passam por ali, apressados, vivendo suas vidas.

Próximo há uma capelinha, muito bonitinha e pequena. Léo entrou e eu esperei do lado de fora, mais interessada no vai e vem de homens, mulheres e crianças encerrando o dia e sentindo o frio, o vento e me deliciando com as cores do outono siberiano.

Lá dentro, uma senhorinha, arranhando no inglês, puxou papo com ele e ficou explicando coisas sobre a igrejinha dizendo que eles, os russos ortodoxos, não tem esculturas nas igrejas porque elas não significam nada, mas que as pinturas mexem com eles e os inspiram a orar. Ela apontou para mim e perguntou se eu era russa pois eu não havia entrado. Li em algum lugar que a maioria dos russos não tem religião e fiquei imaginando que a pergunta dela tinha alguma relação com isso.

Onde Tomsk começou

A ladeira que dá acesso ao início da cidade

Exposição com imagens antigas da cidade

Vista de Tomsk
Fomos indo, debaixo de chuvisco, até chegarmos ao local onde Tomsk nasceu, onde tudo havia começado, 410 anos antes. O acesso foi por uma ladeira, e lá temos uma vista da cidade, ou melhor, dos telhados da cidade. Quase pude ver Mary Poppings (eu sei que o filme se passa em Londres e provavelmente Mary nunca andaria pelos telhados da Sibéria. Mas bem que poderia!).

Aqui também funciona o Museu de História de Tomsk (Ter a Dom, das 11:00 às 17:00), mas infelizmente já estava tarde para entrarmos. Em compensação, na casa de madeira, que fica ao lado do museu, havia uma linda exposição com imagens antigas de Tomks, inclusive no inverno, toda coberta de neve. Uma pedra, neste local, marca a fundação da cidade.

Fomos voltando para a Lenin Prospekt e no caminho entramos em um mercadinho. Estava cheio e eu fiquei ali, olhando o que os russos gostam de consumir. Na Sibéria tem uns mini croissants doces, que vendem em sacos, com recheios diversos, que é para comer rezando.

No caminho havia um prédio que parecia um teatro, de onde saía uma música, e nele uma porta. Entramos. Era um centro de entretenimento onde a senhora na recepção não falava inglês. Rapidamente apareceu uma moça, em seguida outra e depois um moço. Eles falavam um pouco de inglês e juntos foram nos explicando o que era aquele lugar: um centro de arte com música, teatro e o que ganhou todo o meu coração: uma linda sala para roda de leitura, com sofá, iluminação, estante e uma atmosfera intimista. Eu quase pude me ver ali, com outras pessoas debatendo alguma história.

Este ambiente, eles ainda estavam terminando de montar e abriram para nos mostrar! Eles pareciam orgulhosos e felizes enquanto faziam um tour com a gente por todas as salas. Falaram que ali havia wi-fi e que eu podia ficar na sala de leitura, se eu quisesse, navegando. Confesso que não soube o que fazer com tamanha gentileza.

Era engraçado ouvi-los poque um deles inciava uma explicação, aí não sabia a palavra em inglês, o outro continuava e parava sem saber como continuar e então vinha outro em seu socorro e assim eu vivi mais uma experiência deliciosa nesta gelada Sibéria.

Na hora de ir embora, eles nos deram um papel com a programação (toda em cirílico) e o site. Sem óculos, colei o papel no nariz para tentar enxergar. Uma das moças tomou o papel da minha mão e escreveu o site em letras grandes - www.aelita.tom.ru. (Aelita, a Rainha de Marte, filme mudo soviético de 1924)

O restaurante

A vista de nossa mesa

O nome do restaurante

O cardápio

A sopa de brócolis com couve-flor

Pizza marguerita

A volta para o hotel

Na Lenina paramos para jantar. Antes, passamos em uma lojinha para comprar chá. Como me entender com atendente para escolher os meus chás? Simples: google translator! Ela escreve, muda o teclado para cirílico, traduz, muda o teclado, eu escrevo e assim consegui comprar os meus chás. Fácil!

O restaurante tinha um ar meio pop americano e o cardápio estava em cirílico, mas os títulos dos pratos estavam em inglês, o que facilitou e muito a nossa vida. Experimentei uma sopa de brócolis com couve-flor e uma pizza de marguerita. Gostei de ambos.

Voltamos para o hotel, a pé, para arrumar as bagagens. No dia seguinte cedo pegamos um voo de Tomsk para Moscou, onde passamos os últimos dias de nossa visita à Rússia.

O hotel chamou um taxista para nos levar ao aeroporto. Em um inglês muito lento, ele foi tagarelando o tempo todo (não, não foi o mesmo que nos pegou quando chegamos em Tomsk. Foi outro tagarela.). Ele falou duas coisas interessantes; a primeira foi que a Sibéria é um país dentro da Rússia, porque é uma região muito diferente. A segunda coisa foi que o russo é very open people, que é um povo muito aberto e que o mundo não sabia disso porque eles viviam fechados.

Concordo: encontrei, especialmente na Sibéria, um povo amigável, simpático, gentil. Os russos que cruzaram o meu caminho nesta viagem deixaram as melhores impressões e me fizeram amar este país, tornando esta viagem inesquecível.

Aeroporto de Tomsk
A estrada que leva ao aeroporto é estonteante! Estava meio escuro ainda, mas vimos uma paisagem belíssima. O embarque foi tranquilo e descomplicado.