quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Mergulhando na HISTÓRIA russa, através do MUSEU DA REPRESSÃO:


Em nosso último dia em Tomsk, nós caminhamos até o Museu da Repressão (pr. Lenina 44). Era um dia frio e nublado e aproveitei para ir me despedindo da cidade. Já estava com saudades.

Me despedindo de Tomsk

O Museu da Repressão
Escada que dá acesso ao museu

A recepção do Museu da Repressão
Antiga prisão da KGB, já é possível sentir um pouco do clima meio pesado, logo na entrada, com a semi-escuridão de um ambiente pequeno, onde funciona a recepção. Para ter acesso, a gente abre uma porta (as portas russas costumam ser pesadas e costumam estar fechadas) e desce uma escadaria.

A senhorinha na recepção nos vendeu ingressos e nos apontou a entrada. Então nos deparamos com Carlos (vou chama-lo assim), um garoto punk-rock que trabalhava lá quando fizemos esta visita e que nos ajudou com informações preciosas sobre o que aconteceu naquele lugar na época stalinista. 

A maioria das informações no Museu de Repressão, que funciona em um andar do prédio, está quase toda em russo, mas a atmosfera do lugar, as fotos das pessoas e objetos nos dão uma ideia dos dias sombrios que a Rússia passou com Stálin.

Museu da Repressão

Entretida com as imagens e informações dadas por Carlos

Famílias atingidas pelo governo Stálin

A prisão
Mapa dos Gulags
Os presos que passaram por aqui eram obrigados a ficar de pé durante o dia inteiro, sem poder dormir e à noite eram interrogados. Esta era uma forma de tortura, segundo Carlos, e a prática de torturar pessoas era lícita na era stalinista.

Houve muitas prisões na Sibéria e muitas pessoas foram enviadas a vilas, onde os moradores de uma vila não podiam comunicar-se com os moradores de outras vilas. Além disso, havia os Gulags, os campos de trabalho forçado para onde opositores da União Soviética eram enviados. 

As celas

Conversando com Carlos

Resgate da história russa

Quadro pintado com o morro dos corpos

Lendo as poucas informações em inglês
As pesadas e antigas portas
Falando inglês fluente, Carlos nos contou um pouco da história do país que se confunde com a história de sua própria família que envolve mortes, prisões e exílios, sofrendo a crueldade da época. Ele falou do morro onde diversos corpos, de pessoas assassinadas, foram encontrados, caindo aos montes no mar. A descrição que ele fez foi assustadora. 

Apesar dos dias negros vividos pelos russos, este momento da história não parece ser uma ferida aberta, exposta, para eles. Aparentemente, eles falam com muita tranquilidade sobre este momento e querem apenas resgatar as informações sobre o que aconteceu com amigos e parentes. Carlos comentou que muitos russos consideram Stálin um líder. 

A visita ao Museu da Repressão foi um desses momentos inesquecíveis e muito graças à longa conversa que tivemos com Carlos. Gratidão eterna por sua disponibilidade.

Jardim em frente ao museu

O lindo parque em frente ao museu

Paisagem linda
O parque em frente ao museu é muito bonito. Na época da repressão ele era fechado e havia uma passagem subterrânea que levava para o prédio em frente, onde os presos eram conduzidos para serem interrogados. Reza a lenda que há corpos enterrados ali, mas nunca foi encontrado nada. 

Bulange

Léo e seu blini

Minha deliciosa pasta com carne
Do museu fomos passeando pela Lenina até o número 80, onde havia um prédio parecendo um shopping. Subimos uma escadaria e à direita havia um café chamado Bulange, onde resolvemos almoçar.

Para variar um pouco, ninguém falava inglês mas havia cardápio em inglês. Escolhi uma massa com carne que estava deliciosa e tomei um café muito bom.

Após o almoço fomos em busca da famosa estátua do escritor russo Tchekhov, mas esta história eu conto no próximo mais tarde.