terça-feira, 13 de outubro de 2015

SANTA FÉ de Antioquia - Colômbia, uma VIAGEM por ANTIOQUIA e Bogotá:




Rota Medellín - Santa Fé de Antioquia - Medellín

Belíssima região montanhosa
Bem vindos
Em nosso segundo dia na Colômbia, uma terça-feira, nós seguimos com Patrícia e Glória, de carro (há ônibus que fazem esta viagem saindo do Terminal Norte de Medellín) até Santa Fé de Antioquia, um pueblo fundado em 1541, por Jorge Robledo, distante cerca de 50 quilômetros de Medelín, por uma linda estrada cheia de vegetação diversa e muito verde, fincas e plantações em vales e montanhas. 
A viagem foi muito tranquila porque a estrada é ótima. Santa Fé foi capital da Antioquia até o século XIX e hoje tem forte apelo turístico, talvez por sua atmosfera antiga, que caminha a passos lentos e nos permite uma volta ao passado colonial sem, no entanto, nos afastarmos totalmente do presente. 
Santa Fé é agrícola, planta principalmente café, milho e feijão, há criações de gado e fica do lado ocidental de Medellín. Esta foi uma região muito castigada pelas Farc e pelo narcotráfico. Muitos colombianos tem uma história para contar sobre isso: parentes desaparecidos ou alguma situação de risco que vivenciaram.
Uma vez, uma de nossas amigas estava em uma finca com amigos e crianças, em um encontro festivo de fim de semana, quando apareceram alguns jovens armados, querendo saber quem eles eram e o que faziam. Alguma coisa muito ruim podia ter acontecido, mas por sorte, naquele dia, os guerrilheiros foram embora em paz, depois de terem causado medo por algumas horas.
Era comum acontecer uma coisa chamada pesca milagrosa. Guerrilheiros vestidos com roupas do exército faziam uma espécie de blitz e paravam carros que andavam nesta mesma estrada e sequestravam as pessoas. Se tivessem sorte pescariam pessoas com dinheiro. Isso, graças a medidas enérgicas e duras do governo, é coisa do passado.
Mas os colombianos não relaxam. O que se vê hoje é o exército nas ruas tomando conta da população. Há um sentimento de gratidão tão grande, que ao passarmos por eles nossas amigas acenavam e cumprimentavam alegremente e eles respondiam, quase sempre com um sinal de positivo com as mãos indicando que tudo seguia sob controle. 

Catedral Basílica Metroolitana

Plaza Mayor

Plaza Mayor e seus balcões coloniais
Eu tenho um apreço todo especial por estas pequenas cidades que vivem sem nenhuma preocupação aparente com o que acontece fora de suas fronteiras, vivendo de acordo com seus costumes, alguns deles seculares, com seu acento típico, sua linguagem própria. 
Chegando a Santa Fé, estacionamos na Plaza Mayor onde está a Catedral Basílica Metropolitana, toda branquinha, que em sua simplicidade despontou para nós. A primeira igreja construída na região ficava aí neste local, mas foi completamente destruída pelo fogo. A atual, esta belezinha que paira sobre a praça principal do povoado, data do fim do séc. XVIII e início do séc. XIX.
Mesmo estando com amigas nascidas e criadas na região de Antioquia, nós fomos até a Oficina de Turismo (Plaza Mayor que fica no prédio do Palacio Municipal) porque temos este hábito. Acreditamos que uma cidade é viva, que quase sempre tem novidades e que uma oficina de turismo pode nos dar informações preciosas.

Entretanto, Santa Fé está tão à margem do caminhar do tempo, que segue igual, ano após ano, sem grandes mudanças em sua trajetória.
O belo povoado cercado de montanhas

Os balcões coloniais om uma motochiva estacionada em frente

Plaza Mayor

Detalhes simples e rústicos

um tinto, servido de canudinho para as mulheres

Um pão de queijo

Um tinto, uma cerveja, um bom papo
Santa Fé tem lindas ruas de pedra e apesar da pouca quantidade de motos, carros e motochivas, o trânsito é meio "terra de ninguém". Onde tem ruas, os veículos automotivos vão se jogando. 
O pueblo nos recebeu com muito, muito calor. Sentamo-nos então em uma das padocas na Plaza Mayor: uma confusão de mesas e cadeiras ao ar livre, com sombreiros nos protegendo do sol.
Além das padarias, as outras portas eram de lojinhas vendendo roupa popular, botecos e lanchonetes. Coisas que temos em abundância por este imenso Brasil. Por isso, logo me senti à vontade. 
Eu e Patrícia tomamos um tinto (café coado colombiano) e bebemos água. Léo e Glória se refrescaram com cerveja local, a Pilsen. Uma curiosidade: a long neck das mulheres vem com um canudinho, assim como o tinto.
Comemos pão de queijo que tem sabores, texturas e formatos completamente diferentes dos nossos pães de queijo mineiros. Apesar de ter gostado bastante, se me atrever a comparar, prefiro os brasucas. 

A cidade emoldurada pelas montanhas

As fachadas coloniais
Enfrentamos o calor e fomos explorar a cidade: entramos e saímos de ruas a passos muito lentos para que nossos olhos pudessem absorver os detalhes das calçadas estreitas, das fachadas coloniais, das montanhas emoldurando o povoado, das pessoas que circulavam.

Não havia pressa alguma. Desaceleramos. Olhamos. Apuramos os sentidos. Se não fossem as motos, zunindo quase o tempo todo, eu teria facilmente voltado alguns séculos no tempo, esquecendo-me do ano corrente.
Belas e conservadas fachadas

Perambular por Santa Fé de Antioquia

O povoado é gracioso

Janelas despertam a nossa curiosidade

Uma casa vista por dentro
Saímos em busca da casa do fundador do jornal El Colombiano, cujo um dos herdeiros é amigo de Pat. Por incrível que possa parecer, já que o centro de Santa Fé é minúsculo, nós nos perdemos. Não achei ruim. Deu-me tempo de degustar um pouco mais de suas curvas.
Enquanto passava por belíssimas janelas, ficava imaginando que histórias elas escondiam, que vidas vividas elas testemunharam ao longo dos séculos. Tantas gerações impregnando de energias aquelas casas e ruas.
Por sorte, muita sorte, encontramos uma, uma única janela aberta e pudemos, sem a menor cerimônia, olhar para dentro, curiosos como crianças, tentando absorver, um pouco que fosse, do estilo de vida dos habitantes locais.
Vimos uma casa simples, sem luxo algum, quase nua de ornamentos, com paredes brancas irregulares e comprida, muito comprida. Percebi cadeiras dispostas em círculo, o que me remeteu a acolhimento, aconchego, pessoas que conversam e sentem prazer em estar juntas, onde a vida moderna não atropelou as amizades.

Queria ter entrado, sentado naquela magnífica cadeira de balanço e ouvido conversas sem fim. Não o fiz. Seguimos em frente e encontramos a casa que buscávamos. Esta história eu conto no próximo texto.