sábado, 17 de outubro de 2015

Explorando o PASSADO em Santa FÉ de ANTIOQUIA - Colômbia, uma VIAGEM por ANTIOQUIA e Bogotá:


Entramos e saímos de ruas em nossa peregrinação em busca da casa do fundador do jornal El Colombiano, de Medellín, Don Francisco de Paula Pérez, construída lá pelo início do século XX, cujo um dos herdeiros é amigo de nossa amiga P. Fazia muito calor em Santa Fé de Antioquia, mas estava uma delícia este entrar e sair de ruas, este olhar sobre sua arquitetura, este respirar o passado mesclado com presente e promessas futuras, este sentir o ritmo desacelerando de quem quer viver cada segundo em vez de vê-lo escoar entre os dedos sem verdadeiramente percebe-lo. 

Fachada da casa de Don Francisco

A casa mantem a decoração antiga

Lindo móveis antigos

Bela louça para higiene pessoal sobre linda toalha
Absorvendo os detalhes desta casa secular
Finalmente encontramos a casa, que tem cerca de 180 anos, está muitíssimo bem conservada, onde há muito pouca intervenção moderna e hoje pertence à quarta geração da família de Don Francisco, que costuma frequentá-la nos fins de semana e dias festivos. Na Semana Santa chega a ter 75 pessoas hospedadas na casa. 

Cada família é dona de um dos quartos. O mais curioso é que eles mantiveram mais ou menos a mesma decoração antiga e pesada com ambientes recheados de quadros de antepassados, cadeiras de balanço, louças maravilhosas, elementos religiosos e até penicos e bacias para higiene pessoal. Fiquei imaginando como deve ser uma imagem singular e interessante um fim de semana com a família vestida com roupas modernas, seus celulares, tabletes e afins, naquele ambiente pretérito. 

Lindas camas

Um dos quartos e sua decoração antiga

O pátio: influência espanhola

Sala de jantar com louças (ao fundo) trazidas em viagens da família pelo mundo
 
Portas e janelas que testemunharam muitas vidas
Pudemos percorrer a casa em nosso ritmo, o que foi ótimo uma vez que ela é muito rica em detalhes (uma gentileza sem tamanho do amigo de P, que nos permitiu esta visita esplêndida).

O casal de cuidadores desta relíquia, amistosamente nos guiou e nos presenteou com informações sobre o funcionamento da casa, nos chamando a atenção para os detalhes que ela ostenta. Nos serviram delicioso guandolo, que ajudou a amenizar o calor, tamanha refrescância desta suco feito com panela (rapadura), onde deixa-se pequenos pedaços da panela derreter em água, na temperatura ambiente e depois, quando houver derretido e água estiver marrom, acrescenta-se gelo e suco de limão.  

Caminhando pela ruas seculares de Santa Fé

Restaurante do Hotel Mariscal com mural de Ramon Vazquez ao fundo

Sopa de verduras

Salada

Truta com batatas 

O hotel e sua decoração

A recepção do hotel
A visita à casa de Don Francisco abriu o apetite e caminhamos até o Hotel Mariscal Robledo, nome do fundador da cidade, para almoçarmos. O calor estava ainda mais forte e buscamos nos abrigar sob as sombras dos balcões. O ar nesta região é muito seco então não suamos, o que é bem menos desconfortável.

Para mim, que sou uma amante apaixonada de coisas velhas, como ironicamente me disse uma amiga, tempos atrás, a indicação de nossas amigas P e G para o almoço não podia ter sido melhor. Com ambientes repletos de moveis pesados, adornos remetendo a viagens, certa poluição visual com tantos objetos decorativos enchendo, entulhando, superlotando mesas, paredes e pisos, eu estava no paraíso. 

Ao fundo do restaurante havia um mural de um pintor antioqueño chamado Ramón Vásquez, falecido no início deste ano de 2015, aos 92 anos de idade. Eu gosto muito de murais por trazer muitos elementos, que contam longas histórias através de imagens, muitas vezes misturando personagens de diversas épocas. Eu não conhecia Vásquez e G me contou que uma das características deste pintor é inserir Don Quixote de La Mancha em seus murais. 

Não havia cardápio no restaurante e sim duas opções de menu executivo: optei por sopa de verduras de entrada, que me lembrou minha infância, salada crua, na sequência, pois além de gostar muito de verduras, eu sabia que geralmente as saladas na Colômbia vem acompanhadas de abacates e por fim, truta com batatas porque raramente como trutas no Brasil e um tinto para encerrar. Não foi uma refeição dos deuses. Para o meu paladar estava apenas ok, com a truta um pouco gordurosa demais. Ainda assim, eu voltaria porque o serviço foi simpático e o ambiente muito agradável. 

No hotel há também lojinhas e uma em especial me chamou a atenção: joias feitas com a técnica da filigrana, muito típica na região, onde antigamente somente o ouro era trabalhado, mas que hoje é feito em prata também. Eu vi peças muito bonitas e delicadas. 

Após o almoço, ficamos ainda um tempo fuçando pelos corredores do térreo, da recepção e um funcionário que estava por ali, com ar de orgulho, nos chamou a atenção para os quadros de diversos famosos (não conhecia ninguém!) que já haviam passado pelo hotel e restaurante e ainda nos perguntou:

- Sabiam que Tom Cruise está em Antioquia gravando um filme (O nome do filme é Mena e conta a história de Barry Seal, informante do DEA - órgão de repressão as drogas, morto por Pablo Escobar)?!

Sim, sabíamos, mas infelizmente não topamos com ele. Em compensação, topamos muitas vezes com a simpatia antioqueña que vale mais que qualquer encontro com Tom Cruise. 

O tempo estava se esgotando e em breve teríamos que voltar à Medellín, mas ainda tinha um par de coisas que queríamos fazer. História para outro post.