segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

SALVADOR e a Caixa CULTURAL:



Água de coco que refresca

Verão em Salvador é quente. Verão em Salvador é ensolarado, colorido, cheio de turistas e com cheiro de maresia, do azeite de dendê que vem das moquecas, do acarajé e do abará dos tabuleiros das baianas. O verão em Salvador tem corpos bronzeados e sotaques diversos. 

O verão em Salvador combina com Timbalada e Sarau do Brown no Museu do Ritmo. Combina com a Terça da Benção do Olodum, com voltar ao passado subindo e descendo as ruas do Pelourinho. Verão em Salvador combina com praia, areia, com sandálias havaianas, cerveja gelada, água de coco e roskas variadas.

Combina com tomar um sorvete na Ribeira e pedir a benção na Igreja do Sr. do Bonfim ou aos Orixás no Dique do Tororó. Verão em Salvador combina com festa e alegria, mas combina também com Caixa Cultural e com exposições.

Caixa Cultural Salvador

Exposição de Cândido Portinari
As portas lindas da Caixa Cultural

Vista para a baía de Todos os Santos desde a Caixa Cultural
A Caixa Cultural em Salvador foi inaugurada somente em 1999, mas funciona em um prédio velho, antigo, secular, onde um dia, lá pelo século XVIII, foi a Casa de Oração dos Jesuítas. O edifício foi doado aos padres da Companhia de Jesus por um anônimo. Hoje, em meio às suas paredes brancas em contraste com lindas portas azuis, abriga exposições temporárias. 

O sobrado de dois andares por si só já merece uma visita: ele é lindo e está muito bem conservado! Isso sem contar que a casa tem um pouco da alma das centenas de pessoas que percorreram aquelas salas antes nós, meros apreciadores de arte.

No número 57 da Rua Carlos Gomes já funcionou o jornal Diário de Noticias e já foi residência de famílias baianas abastadas. Aqui também já funcionou um asilo para viúvas idosas e uma casa de jogos. Tem história este prédio tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional! Já viu e viveu muitas coisas. E agora, como uma cereja em cima de um bolo magnifico ele hospeda muitas exposições interessantes, para todos os gostos. 

A Rua Carlos Gomes, onde a Caixa fica é uma das ruas de maior simbolismo da capital baiana, por onde passam os trios durante o carnaval no circuito mais tradicional e antigo da cidade. Ali próximo está a famosa Praça Castro Alves, aquela que é do povo, como canta a antiga marchinha de carnaval composta por Caetano Veloso.

A Rua Carlos Gomes, uma rua popular e caótica, tem um delicioso ar decadente, Há casas antigas, velhas mesmo, estragadas pelo tempo, cheias de rugas. Durante a semana é engarrafada com carros, ônibus e pedestres e seus barulhos, cuidando de suas vidas modernas. Aos domingos é quase vazia e silenciosa. Meu dia preferido para visitar a Caixa. 

Exposição de Cândido Portinari e Sérgio Campos
As escadarias do sobrado de dois andares

Rua Carlos Gomes

Portinari e Sérgio Campos
Na primeira semana de Janeiro eu estive lá para ver a exposição de Cândido Portinari e Sérgio Campos (até 31/01/2016). Eu não conhecia a obra dele e me encantei, talvez, por me fazer voltar à minha infância através de seus espantalhos, cangaceiros e meninos armando suas arapucas, mas meu apreço total vai para o Menino Morto, tão triste e desolador. 

Vi sofrimento e ao mesmo tempo conformismo em seus personagens. Vi lágrimas ainda que não vertidas. Vi suor nas colheitas de café, mas ouvi os risos das crianças que plantavam bananeiras. 

Sérgio Campos deu vida às personagens de Portinari. Esculturas em bronze onde eu esperei que a qualquer momento elas fossem criar vida e falar comigo. Acho mesmo que a menina de tranças piscou para mim.