quarta-feira, 20 de abril de 2016

A Ponte VECCHIO, o PALAZZO PITTI e a Piazza della REPUBBLICA, Florença:

As luzes na primeiras horas de Florença

O Arno reflete a cidade

Bela arquitetura
Na terça-feira, sexto dia na Toscana, eu acordei exausta. Os dias em Florença estavam sendo cheios de informação e conhecimento e o dia anterior, em Siena, havia sido intenso porque desejei absorver o máximo possível daquela cidade no pouco tempo disponível que tínhamos.

Depois de um farto café da manhã no Hotel Palazzo Ognissanti, onde estávamos hospedados, saímos cedo para o ar fresco e revigorante de Florença, meio sem rumo, sem buscar nada específico, contemplando as luzes da manhã incidindo sobre o rio Arno e os edifícios florentinos, deixando que a mente e o coração absorvessem a essência daquela cidade, que grudasse seus fragmentos em minha consciência, enquanto eu caminhasse distraída, sem perceber para onde meus pés me levavam.

A Ponte Vecchio ao fundo

Belíssima Florença

A Ponte Vecchio

Ponte Vecchio em detalhes

Ruas de Florença

Sempre buscamos caminhos desconhecidos

Todos os caminhos levam à Roma? 

A Ponte Vecchio em todo o seu esplendor
Seguimos pela margem do rio em silêncio, deixando nossa energia naquela estreita calçada como muitas outras pessoas fizeram outrora, ouvindo nossos passos, pois havia poucas pessoas na rua aquela manhã. Passava pouco das 8 horas. Cortamos pela Galeria degli Uffizi e seguimos por uma rua que deixou o rio às nossas costas, mas logo em seguida voltamos a ele, para enfim, depois de quase uma semana na cidade entrarmos na Ponte Vecchio.

Sua presença reina absoluta sobre a cidade: de uma forma ou de outra sempre nos deparamos com ela, mas ainda não a tínhamos atravessado. Primeiro a saboreamos de outros ângulos, de muitos ângulos: das duas margens do Arno, de dentro da Uffizi, desde a Piazzale Michelangelo e da Chiesa di San Miniato. Vimos sua beleza estonteante sob o efeito das diversas luzes que compõe o dia e a noite de Florença. 

Caminhos que levam até a ponte

Eu e a Ponte: quase somente nós
As lojas ainda fechadas
As lojas começando a abrir
O corredor Vasari contornando a Torre dei Mannelli

A torre dei Mannelli
De todos os monumentos de Florença, a Ponte Vecchio era a que mais me causava expectativa. Antes de estar ali, se pudesse escolher um único lugar para conhecer, teria sido ela. Construída em 1345, originalmente era ocupada por ferreiros, açougueiros e curtidores que jogavam todo o lixo no rio.

Então, no século XVI, o duque Fernando I os expulsou por conta do cheio desagradável e os substituiu por ourives e joalheiros que hoje permanecem na ponte.

O corredor Vasari passa por cima das lojas. Ele foi projetado no século XVI por Giorgio Vasari, a mando de Cosimo I, para permitir que os Médici entrassem em suas residências sem precisar misturar-se ao povo. Ao final do lado sul, está a Torre dei Mannelli cujo corredor Vasari teve que contornar, pois Cosimo não permitiu sua derrubada, causando um estranho efeito. 

O corredor Vasari liga o Palazzo Vecchio, a Galeria degli Uffizi e o Palazzo Pitti. Nele há pequenas janelas que eram usadas para manter a privacidade da família Médici, permitindo, no entanto que eles pudessem observar a vida que transcorrida do lado de fora.

Quando Hitler visitou a cidade em 1941, o ditador italiano Mussolini mandou construir novas e maiores janelas para que o alemão pudesse apreciar melhor a vista do Arno. Para sorte nossa, a ponte sobreviveu à destruição da Segunda Guerra Mundial. 

Atravessando a Ponte Vecchio

A bela vista que a Ponte Vecchio oferece

Detalhes da Ponte Vecchio

Gasta, usada

Ela e eu

Os turistas começam a chegar

Eternizar o momento é irresistível

Os edifícios puídos fazem parte de seu charme

A Ponte Vecchio à noite

A Ponte Vecchio no domingo
A Ponte Vecchio estava ainda vazia quando chegamos, fato que geralmente acontece no início da manhã. Em outros horários ela fica absurdamente cheia, especialmente nos fins de semana. Naquela terça ela era praticamente só nossa. As lojas ainda estavam fechadas.

Eu não sei exatamente o que eu esperava, mas a ponte foi uma de minhas (poucas) decepções em Florença. Os antigos edifícios, corroídos pelo tempo e pelo uso fazem com que ela seja diferente de todas as outras pontes que eu já conheci e oferece uma bela vista, mas faltou alguma coisa, algum tempero, algum dendê, como se ela fosse, na verdade, uma farsa, uma réplica, um embuste. Vista de fora ela é interessantíssima, linda. Dentro, perde quase todo o seu esplendor. 

Depois desse dia passei por ela inúmeras vezes, em horários distintos e nunca consegui desfazer esta impressão.

A caminho do Palazzo Pitti

O Palazzo Pitti

A arquitetura em torno do Palazzo Pitti

Beleza que não silencia

Buscando informações: sempre

As cores da Toscana
De lá, muitas fotos depois, seguimos para o Palazzo Pitti, mas desistimos de entrar por duas razões: o enorme acervo do palácio merecia uma visita em que eu estivesse em minha melhor forma física e mental e descobrimos que a entrada é gratuita no primeiro domingo do mês.

Confirmamos esta informação na bilheteria e perguntamos ao moço que nos atendeu se costumava encher. Ele riu e disse que sim, mas não muito cedo, pois afinal é domingo. Anotamos mentalmente que deveríamos chegar pouco antes de abrir para garantir que não perderíamos muito tempo na fila. Isso não seria um problema, pois gostamos de acordar cedo. 

Para muitos lugares, atravessar a Ponte Vecchio é uma opção

Florença desde a Ponte Vecchio

Piazza della Repubblica

O fofo caminhão de lixo limpando a Piazza della Repubblica

Um caso de amor intenso com o café italiano

La Feltrinelli Red

La Feltrinelli Red

Hard Rock Café

Hard Rock Cafe
Ainda sem destino certo, caímos na Piazza della Republica, local do antigo fórum romano que séculos depois abrigou o mercado da cidade, até fins do século XIX. A praça também já foi um gueto até que na época do Renascimento sofreu uma revitalização onde avenidas e bulevares foram criados. 

Paramos para tomar um café e tentar recuperar as energias. Escolhemos o La Feltrinelli Red que na verdade é uma livraria, mas que tem uma ótima e moderna cafeteria. Livros e café? Estou em casa!

Passamos no Hard Rock, que fica ao lado, para comprarmos camisetas da cidade, souvenir que colecionamos. A menina que nos atendeu foi simpática e muito tagarela. Disse que Florença é muito provinciana e que os italianos são muito preconceituosos. Falava espanhol fluente, pois já morou na República Dominicana.

Criticou os meios de transporte da cidade, comparando inclusive com os do país caribenho: lá , nos disse ela, podemos até ter que nos amontoar em ônibus velho, disputando espaços, mas tem transporte a qualquer hora. Aqui, se eu quero sair com amigos para beber, tenho que voltar para casa andando, pois não tenho transporte público disponível tarde da noite. 

A cada um uma visão de mundo de acordo com seus anseios e necessidades. Por conversas como essa que considero viajar uma maneira de dilatarmos a nossa alma. 

Recuperados, reestabelecidas as forças, resolvemos fazer uma visita à exposição temporária que estava sendo largamente anunciada chamada Bellezza Divina, com acervo variado: história para outro dia.