segunda-feira, 25 de abril de 2016

La BELLEZZA Divina no Palazzo STROZZI, Florença:

O Palazzo Strozzi cuja fachada permanece inalterada desde sua construção séculos atrás
Uma cidade é viva: além de sua exposição permanente de monumentos, igrejas, ruas, prédios e todo tipo de arte, quase sempre há algo novo e temporário acontecendo. Em nossos dias em Florença, estava sendo largamente anunciada La Bellezza Divina, uma exposição de quadros e esculturas, de artistas diversos e distintos, no Palazzo Strozzi. Fomos conferir.

O Palazzo Strozzi, uma grande estrutura quadrada, que se sobressai diante de outros edifícios, foi encomendado por Fillippo Strozzi, em fins do século XV com intuito de superar em tamanho o palácio dos Medici. As duas famílias eram ferrenhas rivais.

Strozzi levou anos comprando prédios, cerca de 15 no total, os quais demoliu para dar lugar à construção de seu palácio. No entanto, o banqueiro morreu apenas dois anos depois do início da construção, que só foi concluída na metade do século XVI.

O paredão cheio de blocos por si só chama a atenção, não necessariamente por sua beleza, mas a fachada, que se mantém inalterada tantos séculos depois guarda algumas curiosidades como: o porta-archotes com formato de dragões e esfinges, as lamparinas, argolas de ferro para amarrar os cavalos e uma placa onde diz ser proibido o comércio de alimentos sob pena de multa.

Esta placa data do século XVIII: durante todo o Renascimento, por conta de tal comércio a área era local de despejo de dejetos e lixo o que desagradava os Strozzi. 

O pátio do Palazzo Strozzi

Os arcos, janelas e estudantes que adornam o pátio do Palazzo Strozzi

Panfletos e propagandas: achamos cupons que nos deram direito a taças de vinho no Mercato Centrale
O pátio do Palazzo Strozzi vive cheio de jovens e estudantes, além de turistas, formando um burburinho quase eterno. Formado por arcos e janelas em uma composição que lhe confere beleza, ele nem parece que tem séculos de existência. Aqui está uma sala com a interessante história da família, além da bilheteria.

A partir do século XX o prédio passou a pertencer ao Estado Italiano.

Também no pátio encontramos uma daquelas estruturas utilizadas atualmente para disponibilização de panfletos de propaganda. Léo os adora e sempre descobre pequenos tesouros ali, como descontos e lugares para conhecer. Nesse dia ele descobriu cupons que nos davam direito a taças de vinho no Mercato Centrale. Uma delícia de achado!

Entrando no Palazo para ver a exposição La Bellezza Divina

Os Mártires de Gorcum

A Ressurreição de Lázaro

Léo apreciando La Pietá de Van Gogh

Crianças apreciando a arte ao fundo e em destaque escultura em bronze de Arturo Martini chamada O Filho Pródigo de 1927
Entramos então no palácio e mergulhamos na Bellezza Divina: o acervo não era grande, mas continha obras fabulosas como Os Mártires de Gorcum (1867), do pintor Cesare Francassini. Os mártires foram dezenove religiosos católicos torturados na cidade holandesa de Gorcum, no século XVI e canonizados posteriormente. A cena de sua execução é forte e nos leva para uma viagem no tempo.

Embora a Nativity (1928), de Bugiani careça de um tom de realidade, ele tem uma aura de luminosidade, de luz divina, como um momento mágico de grande significado, expresso principalmente pelo semblante da virgem. A Ressurreição de Lázaro (1946) de Annigoni esteve entre os meus preferidos: gosto especialmente de quadros mais escuros, com atmosfera mais sombria, mais melancólica, mais invernal, secos e áridos.

Havia muitas outras obras, inclusive Chagal e Van Gogh. O que mais despertou minha atenção foi a quantidade de artistas contemporâneos, modernos, retratando cenas bíblicas e fatos pretéritos. Eu conheço (e aprecio) mais os antigos, mas descobri muitos artistas do século XX nesta exposição, que estava lotada de gente de todas as idades, ávidas por absorverem imagens e histórias. Foi difícil a aproximação de algumas obras, mas é muito agradável ver pessoas interessadas em cultura, especialmente crianças. 

Nós saímos da exposição famintos: depois de alimentarmos o espírito, era hora de alimentarmos o corpo. Escolhemos o La Grotta Guelfa (Via Pellicceria, 5, 50123 Firenze, Itália). Esta foi uma das melhores refeições que fizemos em Florença. Detalhes sobre ela no próximo texto.