quinta-feira, 28 de abril de 2016

La GROTTA Guelfa, um SORVETE e por fim, a CASA e a CHIESA di DANTE, Florença:

Um brinde à vida

Difíceis escolhas no Restaurante La Grotta Guelfa 
Saindo de La Bellezza Divina, exposição temporária que acontecia no Palazzo Strozzi, nós fomos almoçar e escolhemos, a esmo, o restaurante La Grotta Guelfa: sentamo-nos na área externa para ver o movimento das ruas e porque a temperatura estava agradável. Embora geralmente na Itália área externa seja sinônimo de fumantes, demos sorte e quando apareceu o primeiro já estávamos esperando a conta.

La Grotta Guelfa significa mais ou menos A Gruta dos Guelfos. Os Guelfos e Gibelinos eram duas facções políticas que disputavam o poder na Florença Medieval, a partir do século XII, com a rivalidade se intensificando no século XIII, após o Imperador Henrique V morrer sem deixar herdeiros.

Os Guelfos eram partidários do papa que apoiavam a Casa de Welf. Posteriormente os Guelfos se dividiram em Guelfos Brancos e Negros, onde os brancos foram expulsos de Florença, no início do século XIV, entre eles o maior de todos os poetas, Dante Aliguieri, que nunca mais voltou a ver sua amada cidade.

Menu

Detalhes

Penne all'arrabbiata

Porco com espinafre
Na mesa ao lado estava uma garota oriental, sozinha. Ela se debatia com o cardápio, o virava de um lado e de outro e teclava no celular, provavelmente tentando traduzir o menu, que para ela parecia um grande mistério. Eu posso imaginar o que ela devia estar sentindo diante do desafio: senti o mesmo diante dos cardápios japoneses quando visitei o país. 

Ela então pediu nossa ajuda e prontamente Léo a ajudou dentro do que a barreira linguística permitia, uma vez que ela não falava inglês. 

O garçom, italiano, latino, estava absolutamente impaciente. O mais curioso é que ela pediu colheres para comer os pratos, mesmo tendo optado por massas, dispensando garfos e facas. O garçom não aguentou e tentou de todas as formas informa-la que não era sopa e não se comia de colher. Não teve jeito: ela não recuou, o que deixou o garçom exasperado.

Resolvido o impasse, ela se recolheu ao seu mundo, mal levantando os olhos da mesa, comeu lentamente e fazendo expressões engraçadas. Ela estava tão compenetrada, envolvida em seu mundo, que não tive coragem de invadir seu espaço, fazendo perguntas, embora estivesse muito interessada em conhecer sua história Contentei-me em observá-la descobrindo novos sabores e novas texturas. 

Conosco, o garçom foi simpático, fez piadas, elogiou o vinho que escolhemos e ajudou na eleição dos pratos, tirando dúvidas.

A comida estava deliciosa! A pasta na Itália tem uma particularidade: ela não é sofisticada, é simples, básica e por isso mesmo costuma ter um sabor divino. Como prato primeiro eu escolhi um penne all'arrabbiatapicante na medida certa. 

Como segundo prato, escolhi uma finíssima carne de porco com espinafre. Não sou uma apreciadora de espinafre, mas havia alguma coisa aqui, um tempero que modificou completamente sabor e textura, enquanto o porco derretia na boca. Os pães do antepasto estavam deliciosos: impossível parar de comer. 

Um sorvete de sobremesa
Para completar esta refeição excelente, passamos na sorveteria Festival del Gelato, escolhida ao acaso, para tomarmos um sorvete. A variedade era tão absurda que levamos muitos, muitos minutos para nos decidirmos. Escolhi uma bola de café.

Em tempo: não sou uma big fã de sorvetes, prefiro muito mais picolé, mas gostei mais dos sorvetes que tomamos em Veneza do que os experimentados em Florença. 

Ruas de Florença

Os detalhes de Florença

Vida ao ar livre - tem como não amar esta cidade?

Meus pés são meu melhor meio de transporte

Buscando a Casa di Dante

Museu Casa di Dante

Entrando no Museu Casa di Dante
Seguimos pelas ruas de Florença rumo ao Museu Casa di Dante (Via S. Margherita): perdemo-nos um pouco, mas não havia pressa alguma. Andar pelas ruas da cidade é uma atração imperdível: é nesses momentos de caminhada que sentimos as vibrações da cidade, absorvemos suas nuances, construímos conexões significativas com o lugar. Florença é repleta de detalhes.

Chegando lá, no museu de Dante, desistimos de entrar. As explicações que a recepcionista nos deu sobre o que continha a casa não nos atraiu, mas talvez devêssemos ter entrado. A casa original do poeta já não existe. 

A esquerda da foto, a Chiesa di Dante

Chiesa di Dante

Chiesa di Dante

Chiesa di Dante
Eu estava mais interessada na verdade em conhecer a Chiesa di Dante (Via Santa Margherita). Vai de lá e vai de cá, a descobrimos muito próxima a casa, na mesma rua, perdida entre um bar, uma casa e sei lá mais o que.

A Igreja de Dante é na verdade a Chiesa di Santa Margherita dei Cerchi. Reza a lenda que nesta igreja ele teria visto pela primeira vez, aos nove anos, sua musa de toda a vida Beatrice Portinari. Eles não se casaram, há quem diga inclusive que nunca nem se falaram.

Dante casou-se que Gemma Donati, a quem parece nunca ter amado, nesta mesma igreja. Após o exílio do poeta, o casal nunca mais se encontrou.

Dentro da igreja há um túmulo falso de Beatrice e ao lado uma cesta onde amantes desesperados, homens e principalmente mulheres, em busca do amor, deixam bilhetes pedindo ajuda a Beatrice.

Infelizmente, estava fechada quando lá chegamos. Buscamos informações com homens que bebiam no boteco ao lado e eles disseram que ela não abria em horários fixos e sim de vez em quando, sem nenhuma regra ou critério. Fiquei frustrada, muito, muito frustrada. 

As belas ruas de Florença

O maior poeta de todos

Chiesa di Santa Croce

O Rio Arno
Diante disso, só me restou ir chorar minhas pitangas no pé do caboclo, ou melhor, no pé da estátua de Dante, que fica em frente a Chiesa di Santa Croce.

A Divina Comédia, em minha opinião, é uma das grandes obras primas do mundo. O passeio pelo Inferno, acompanhando Dante, sendo guiado por Virgílio é uma viagem que todo ser humano deveria fazer ao menos uma vez na vida. O ritmo, as cenas, as tintas, a poesia, a descrição: tudo é perfeito nessa odisseia.

Começava a entardecer em Florença e este é um dos momentos encantados da cidade. Resolvemos  então passear pela orla do rio Arno.