quarta-feira, 13 de abril de 2016

O DUOMO e a BIBLIOTECA Piccolomini, Siena:


Continuamos nossas andanças por Siena. Depois da visita ao Museu dell´Opera del Duomo, onde apreciamos belas obras de arte e tivemos uma fabulosa vista dos telhados de Siena, desde o terraço do museu, chegara a vez de entrarmos no Duomo, conhecer a Biblioteca Piccolomini, a Cripta e por fim o Batistério.

A caminho do Duomo

O gracioso Duomo de Siena com seus detalhes magníficos 
  
A pequena largura da fachada

O Duomo e o Campanário 

Duomo de Siena
  
Família que se diverte em frente ao Duomo
A fachada do Duomo possui detalhes em mármore rosa, verde e branco, conferindo-lhe elegância e graciosidade. Um feixe de colunatas, estreitas e distintas umas das outras dão um toque singular a fronte da catedral. O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi a largura da fachada: muito estreita em contraste com o comprimento dela.

O campanário compõe a estrutura, fazendo parte dela completamente e não está afastado, apenas velando, como em outras igrejas, a exemplo do Duomo de Florença. Apesar disso, ele me pareceu deslocado, talvez por parecer muito diferenciado da aparência da face da catedral.

Os portões foram feitos entre 1284 e 1297, mas o resto da fachada foi construído apenas 1 século depois. As estátuas que adornam a entrada principal do Duomo são cópias: as originais estão no Museo dell´Opera del Duomo.

As colunas alvinegras do Duomo

O Duomo em detalhes

Piso decorado

Beleza e sobriedade

Belo Duomo
A Catedral de Siena teve o início de sua construção no fim do século XII e foi finalizada na primeira metade do século seguinte, embora ao longo dos séculos tenha sofrido diversas intervenções em sua arquitetura. Sua estrutura gótico-romana recebeu forte influência de Pisa.

O interior do Duomo guarda muitos tesouros criados por Pisano, Donatello e Michelangelo. As listras alvinegras horizontais das colunas dominam a alma da catedral. Colunas estreitas se colam umas as outras de maneira a formar uma maior em um bonito e imponente modelo, compondo arcos em um longo corredor.

O seu tom é sóbrio, mas no alto há um céu de estrelas. Os painéis coloridos abrandam um pouco a sobriedade da igreja, assim como o vitral que retrata a Última Ceia. No púlpito há cenas da vida de Cristo esculpidas por Pisano.

O piso de mármore é particularmente interessante, pois é decorado por 56 painéis descrevendo cenas históricas e bíblicas. Os mais antigos datam do século XIV e são em preto e branco, sendo os mais recentes do século XVI e são coloridos, mas nem todos estão disponíveis para os nossos ávidos olhos. 

O que seria a fachada da ampliação do Duomo: hoje o terraço do Museo dell´Opera del Duomo

Lá no alto é possível ver pessoas caminhando na fachada, que nunca foi finalizada, da ampliação do Duomo. Do lado esquerdo da foto, a estrutura próxima ao terraço, ou esqueleto da fachada, está o Museo dell´Opera

O museu visto do terraço do Museo dell´Opera del Duomo
No século XIV surgiu a ideia de se construir uma nova nave, o que transformaria o Duomo de Siena na maior catedral de toda a Cristandade. A cidade terminou desistindo da ampliação quando a peste dizimou uma grande parte da população.

Hoje podemos ver o esqueleto da pretensa nave, o que nos dá uma ideia do que teria sido a igreja caso os planos tivessem se concretizado. Inclusive, é de cima de parte dela, o terraço do Museo dell´Opera del Duomo, que seria a fachada, que temos uma bela visão dos telhados de Siena. 

O colorido teto da biblioteca

A biblioteca de Piccolomini

Um das muitas cenas retratadas da vida do papa Pio II

Cenas da vida do Papa Pio II

Livros, muitos livros, e Léo ávido por informação
Em seguida, entramos na Biblioteca Piccolomini, cujo acesso se dá pelo Duomo, conhecida também como a Biblioteca do Papa.

A moça que recolheu os nossos ingressos, muito educada, perguntou de onde nós éramos; do Brasil, respondemos e ela replicou, ah! Os espanhóis passaram por lá! Não senhora, fomos colonizados (ou explorados, vai de interpretação) pelos portugueses por isso, inclusive, falamos português. Ela riu de sua gafe, é verdade, nos disse, eu sabia! Nós rimos junto com ela, que foi simpática afinal, apesar de seu equívoco.

Os afrescos que adornam a biblioteca são do princípio do século XVI e foram pintados por Pinturicchio e retratam cenas da vida do papa Piccolomini, o Pio II, como celebração de noivados, por exemplo.

Eu achei este pequeno espaço colorido, sensacional. Amo os livros e as inúmeras possibilidades de viagem que eles guardam. Amo a ideia de pegar carona nas palavras de um autor, na forma como eles fazem com que as histórias cheguem até nós, o formato, as cores, o ritmo de seus personagens. Por isso, eu acho, gostei tanto da casa de livros do papa Pio II. Em tempo, gosto também, e muito, de narrativas feitas através de imagens. 

Deixando o Duomo

A caminho da Cripta e Batistério, com as cores de Siena já mais suaves
Afastamo-nos do Duomo e tomamos o rumo da Cripta e do Batistério (esta história eu conto outro dia): as luzes de Siena já estavam mais suaves, indicando que o dia começava a despedir-se. Nosso tempo na cidade estava acabando e ainda havia muito por ver, mas eu sabia que não teríamos espaço para conhecer tudo. O resto da cidade teria que ficar para outra oportunidade.