segunda-feira, 16 de maio de 2016

LUCCA: bate/volta desde Florença:


Passamos a manhã na Galleria dell´Accademia e como terminamos de explorar a galeria (onde está exposto em meio a belas artes o sensacional Davi de Michelangelo) antes do meio dia, nós resolvemos passar a tarde em Lucca.

Não tínhamos um objetivo definido na antiga cidade a não ser o de estar lá: deixamos naquela tarde a vida, ou talvez os nossos pés, nos levar.

A caminho da Estação Santa Maria Novella

Estação Santa Maria Novella

Comprando bilhetes para Lucca nas máquinas da Estação Santa Maria Novella

As plataformas de trem de Santa Maria Novella

Quadro informativo com número, horários e plataformas dos trens

Almoço no La Feltrinelli

La Feltrinelli na Estação Santa Maria Novella

La Feltrinelli lotado na hora do almoço 
Fomos caminhando desde a Galleria dell´Accademia até a Estação Santa Maria Novella onde compramos bilhetes em um das máquinas vermelhas espalhadas pela estação, em dinheiro. Comprar nas máquinas é muito fácil; o sistema delas é muito simples e descomplicado, sem mistério algum. Como não tinha a opção do sistema em português, optamos pelo inglês. 

Havia vários horários disponíveis. Como não sabíamos a que horas iríamos deixar Lucca, compramos apenas as passagens de ida. Um grande painel mostra as partidas de todos os trens: número, horário e a plataforma de onde ele sairá.  É interessante buscar no painel pelo número, pois acontece de ter mais de um trem saindo para a mesma cidade em horários próximos.

Almoçamos na La Feltrinelli, uma cafeteria/livraria ali mesmo: tomei um expresso, comi um sanduiche de pão integral com salmão e verdura (gostoso) em pé no balcão e olhei os livros enquanto esperávamos o nosso trem chegar.

O trem atrasou 5´(diferente do Japão e da Inglaterra, os trens que pegamos na Itália raramente saíram pontualmente) e fez o percurso lotado, com barulho incessante de conversas e risos. 

Estação Santa Maria Novella

Gosto da movimentação das estações de trens

Trem é aquela coisa: entrou, se acomodou e relaxou apreciando a paisagem

Paisagem Toscana entre Florença e Lucca
A estação estava movimentada com trens chegando a todo instante e pessoas com suas malas para cima e para baixo. Adoro este clima de movimento, pois me dá uma sensação boa de mudança iminente.

Eu já declarei em outros textos que tenho um fortíssimo caso de amor por trens. Eles costumam tornar minha vida de viajante muito fácil: eu entro, acomodo minha bagagem (quando estou com ela), me ajeito em meu assento (nesse trajeto os assentos eram livres), relaxo e vou apreciando a paisagem se movendo rapidamente por minha janela. Para mim não há meio de transporte melhor para me levar para os lugares. 

Estação de trem de Lucca

Estação de trem de Lucca

A muralha de Lucca

A muralha de Lucca

Subindo para caminhar sobre a muralha de Lucca

A bela paisagem desde a muralha de Lucca

Sobre a muralha de Lucca

Caminhando sobre a muralha de Lucca: bela paisagem de outono

A arquitetura de Lucca vista de cima da muralha

Paisagem de Lucca

Bela caminhada sobre a muralha de Lucca

Lucca em toda sua beleza 

Lucca

Sobre a muralha de Lucca

Sobre a muralha de Lucca
Descemos na pequena estação de Lucca e logo fomos caminhar pelas muralhas romanas construídas entre os séculos XVI e XVII, com 12 metros de altura e 4 quilômetros de extensão, sendo uma das mais modernas da época. Vista de baixo, de sua base, temos a devida noção do que ela deve ter sido, de sua função de proteger a cidade.

No entanto, ao caminharmos sobre ela, esquecemos facilmente de seu formato e de que estamos em uma muralha, pois ela mais parece um lindo caminho muito arborizado, cheio de belíssimas árvores, aonde vimos muitos corredores, mães passeando com carrinho de bebês, senhorinhas tagarelando, crianças brincando e cachorros e donos caminhando.

O tempo ali parecia girar em outro ritmo, com ruídos próprios, o que causou forte contraste com a cidade aos pés da muralha, mais intensa, facilmente visível de cima, mas ao mesmo tempo separada, como se fossem mundo distintos e não partes da mesma Lucca.

Andamos por cerca de 1 hora mergulhados na paisagem, pois afinal não tínhamos nenhuma pressa. A temperatura estava agradável, mas estava mais quente que em Florença. 

Deixando a muralha de Lucca

Porta de Santa Maria - um dos seis portões de acesso à cidade

Lucca com a muralha ao fundo

Detalhes que me encantam

Caminhar por uma cidade para conhecê-la

Ruas de pedra, edifícios antigos, bicicletas estacionadas, poucas pessoas nas ruas: assim encontramos Lucca

Detalhes que conferem identidade a uma cidade

Um dama de Lucca
Descemos então pelo lado oposto ao que entramos para conhecermos a cidade antiga, onde as ruas mantém o traçado romano, pois foi colônia de Roma quase dois séculos antes de Cristo, embora tenha sido fundada pelos Etruscos. A cidade escapou de ser bombardeada na Segunda Guerra Mundial: milagre?!

Lucca me deu a impressão de ser uma senhora decadente se esforçando muito para manter a dignidade, enrolada em um caríssimo caso de peles, mas completamente puído, conseguindo, no entanto obter sucesso em seu intento, pois está feliz em ser o que é.

Passamos por um dos seis portões que permitem a entrada na cidade: a Porta de Santa Maria (1592), que se abre para a Piazza Santa Maria, para em seguida nos perdermos pelas ruas de pedra de Lucca, nos preocupando apenas em observar os detalhes de sua arquitetura e espiar sua gente. A cidade não estava muito movimentada.

Basílica San Frediano

Basílica San Frediano

O mosaico colorido da Basílica San Frediano

O interior da Basílica San Frediano

A bela pia batismal
Deparamo-nos com a Basílica San Frediano, cuja fachada possui um mosaico do século XIII, representando os apóstolos de Cristo. Ela tem um formato estranho e está longe de ser uma igreja bonita.

Seu interior, escuro, estava em reforma, dando ao lugar um aspecto meio deprimente, sujo pela obra com o martelar de ferramentas como trilha sonora. Mesmo assim, foi impossível não notar, e apreciar as colunatas. A pia batismal, com cenas do Novo e do Velho Testamento é muito interessante.

O aspecto mais macabro da igreja é o corpo mumificado de uma freira, popular santa de Lucca, chamada Santa Zita, que parece mesmo um cadáver: horrível!

Lucca e seus contrastes: à esquerda a entrada para a Piazza Anfiteatro 

Siga as placas

Toda a beleza da Piazza Anfiteatro 

Janelas tão tipicamente italianas!

Charme e colorido para todo lado nas janelas da Piazza Anfiteatro

Chaminés engraçadas

Prédios na Piazza Anfiteatro

Piazza Anfiteatro
Fomos então até o antigo Anfiteatro Romano, hoje a Piazza Anfiteatro, o lugar que mais gostei de conhecer na cidade, apesar de só ter restado um pequenino pedaço do muro, pois pedras foram saqueadas para construir igrejas e palácios, mas o formato estava lá, perfeito, circular, com edifícios de estruturas variadas, aparente e enganosamente monocromática, ocupando o local da antiga arquibancada, onde as pessoas se amontoavam para ver o sangrento espetáculo dos gladiadores.

Os prédios ostentavam as tão características roupas penduradas nas janelas, chaminés engraçadas, com restaurantes, turistas e locais se misturando. Esqueci-me da vida olhando três senhorinhas na porta de um deles, jogando conversa fora antes de cada uma delas se dirigir à sua porta de entrada, imaginando se elas ainda tinham pernas para subir tantas escadas. 

Lucca

Torre Guinigi

Torre Guinigi 

Chiesa di San Michele in foro

São Miguel

Santa Helena, São Jerônimo, São Sebastião e São Roque, pintada por Filippino Lippi

Chiesa di San Michele in foro
As ruas e vielas de Lucca são o seu maior charme. Em uma delas fica a Torre Guinigi, enorme com 45 metros de altura, imponente em sua secularidade (século XIV). É possível subir na torre e ter uma vista de Lucca, mas estava fechada no dia que estivemos lá, assim como muitas outras coisas.

Também aqui nos disseram que era por conta da época: fim do outono, início do inverno. Seguimos para a Chiesa di San Michele in foro, construída entre os séculos XI e XIV no local onde funcionava o antigo fórum romano e por isso mantém as colunatas do antigo foro.

A fachada é incomum porque sua extremidade superior carrega duas estruturas, de larguras distintas e muito estreitas e por isso faz lembrar um bolo de noiva. No entanto  trás uma enorme e esquisita imagem de São Miguel.

Seu interior abriga uma linda imagem de Santa Helena, São Jerônimo, São Sebastião e São Roque, pintada por Filippino Lippi no final do século XV, início do século XVI. 

Café, brioche e conversa no Bar S. Frediano

Duomo de Lucca

Duomo de Lucca e eu sentada em suas escadarias observando o desenrolar da vida na cidade

As belas colunatas do Duomo de Lucca
Paramos para tomar café, comer brioches doces de cacau, deliciosos, no Bar S. Frediano, em frente à Basílica San Frediano, e ficamos jogando conversa fora com o dono, que tinha parentes em São Paulo capital.

Ainda passamos em frente ao Duomo, mas era preciso pagar para entrar, já estava escurecendo e já estávamos cansados. O que me chamou a atenção foram as colunatas que enfeitam a fachada, com formatos distintos umas das outras do século XIII.

Enquanto Léo contornava a Catedral tirando fotos, eu me sentei nas escadarias para ver Lucca mudando de cor, descansar as pernas que são fortes, mas não são de ferro e ver as mães com seus filhos voltando da escola. 

A caminho da estação de trens de Lucca

Estação de trens de Lucca

Estação de trens de Lucca

Tem que validar os bilhetes: sempre!

Adoro viajar de trem!

Encerrando o dia com pizza no Mercado Central de Florença

Pizza e vinho no Mercado Central de Florença

O Mercado Central de Florença cheio em uma noite de quinta-feira de outono
Compramos nossas passagens novamente nas máquinas vermelhas da estação de trem e encerramos o dia no Mercado Central de Florença, com vinho (muito bom) e pizza (beeeeeeem mais ou menos). Dessa vez o mercado estava cheio, mesmo sendo uma quinta-feira, talvez por conta do horário, perto de 20:30, mas não tivemos dificuldades em achar uma mesa.