sexta-feira, 20 de maio de 2016

PISA: bate/volta desde Florença:


Na sexta-feira resolvemos deixar Florença mais uma vez e fomos passar o dia em Pisa, a cidade que já dominou o Mediterrâneo e que tem uma história de força e poder. Nós fomos em busca de uma das representações desse passado, o ícone da cidade, seu maior símbolo: a torre torta. 

Estação Santa Maria Novella - Florença amanheceu fria

Adoro viajar de trem

Trem é aquele meio de transporte onde entramos e relaxamos

Paisagem toscana entre Florença e Pisa

Em uma das paradas do trem, fiquei observando o moço no banco - ele me distraiu
Florença amanheceu muito fria naquele dia e com pouca luminosidade. Logo depois do café da manhã seguimos para a Estação Santa Maria Novella onde compramos passagens, exatamente como no dia anterior.

Mais uma vez entramos no trem, escolhemos nossos assentos, nos acomodamos e relaxamos: enquanto Léo lia o jornal local, eu ía observando a bela paisagem toscana que se descortinava diante de minha janela à medida que avançávamos velozes. Diferente do trem que tomamos na véspera para Lucca, o que nos levou à Pisa não estava cheio e nem barulhento. 

Stazione Pisa S. Rossore

Trem Florença - Pisa

Portão de acesso ao Campo dei Miracoli

Complexo do Duomo
Descemos na Stazione Pisa S. Rossore. Encontramos a cidade muito fria e com céu cinza naquele fim de outono: adoro esse clima. Fomos caminhando por cerca de 10 minutos até o objetivo de nossa visita: a Torre de Pisa. Para chegarmos lá, seguimos o fluxo e logo nos deparamos com a muralha e o portão de acesso ao complexo que envolve o Batistério, o Duomo, o Campanário (a torre) e o Camposanto no Campo dei Miracoli.

É muito curiosa a sensação de irrealidade que me acomete quando eu me deparo com um monumento tão mundialmente famoso como a Torre de Pisa. Sinto-me entrando em um cartão postal e parece quase sempre muito surreal estar com qualquer um deles diante de mim: ao vivo e em cores.


Batistério, Duomo e Campanário

Duomo e o Campanário (a torre) em destaque
O complexo me impressionou à primeira vista: depois que meus olhos e sentidos se acostumaram, tudo mudou de perspectiva. Entretanto, sob nova análise o conjunto continuou belíssimo e muito interessante. De qualquer ângulo que olhemos para aquelas peças inseridas no Campo dos Milagres vemos lindas imagens.

Para ter acesso ao interior das estruturas é preciso ter ingressos que são vendidos ali mesmo. Há várias opções, dependendo do que queremos visitar. O único edifício gratuito é a Catedral (Duomo), mas mesmo para entrar nele é preciso solicitar os ingressos. A fila estava enorme e gastamos mais ou menos meia hora até conseguirmos nossos bilhetes.   

O robusto Batistério que mistura o estilo romântico e o gótico

O Batistério é um edifício majestoso 

O Batistério em detalhes góticos

O Batistério é um dos elementos que celebra o poder da Pisa medieval

O Camposanto bombardeado na Segunda Guerra
Começamos nosso recorrido observando o todo, sorvendo em pequenos goles o que estávamos vendo. Contornamos o Batistério, redondo, robusto, bonito, majestoso com perímetro de 107 metros e altura de 55 metros, o maior da Itália, mas não entramos. Contentamo-nos com sua fachada. 

Ele começou a ser construído em 1152 e levou dois séculos e meio para ser finalizado. Combina o romântico (parte inferior) com o gótico (parte superior e cúpula). Acho que essa mistura de estilos caiu muito bem ao Batistério de Pisa.

A construção dele, que é dedicado a São João, foi muito custosa e em determinado momento, ainda no início das obras, as famílias pisanas concordaram em pagar uma taxa especial para que ele fosse completado. 

Passamos para o Camposanto, o quarto e menos famoso elemento do conjunto de Pisa, o último a ser erguido: uma comprida e retangular estrutura do século XIII que combina perfeitamente com o formato circular do Batistério, como uma moldura, conferindo harmonia e ainda mais elegância ao complexo. 

O cemitério levou esse nome porque seguia uma tradição onde continha areia trazida de lugares santos pelos barcos pisanos. Durante a Segunda Guerra Mundial foi bombardeado e teve seus afrescos quase totalmente destruídos restando apenas alguns vestígios. Aqui também optamos por não entrar. 

A Catedral Santa Maria Asunta - o Duomo de Pisa

O interior magnífico do Duomo de Pisa

A arte para todo lado no Duomo de Pisa

Beleza em alto grau 

Lindos afrescos

Púlpito de Pisano

Púlpito de Pisano com cenas da vida de Jesus em alto relevo e curvo

O colorido do altar

A arte que adorna o altar

Ricardo Coração de Leão concede privilégios aos Pisanos

As colunas foram trazidas das mesquitas de Palermo, depois do ataque de Pisa a cidade

As colunas foram trazidas das mesquitas de Palermo, depois do ataque de Pisa a cidade
No início do século XI deu-se início à construção da Catedral de Pisa chamada Santa María Asunta, um dia após a vitória dos pisanos sobre os muçulmanos de Palermo. Foi a primeira construção a ser erguida no Campo dei Miracolo. O contínuo crescimento da cidade foi celebrado e marcado por extraordinárias obras arquitetônicas como a catedral. 

Entramos no Duomo: seu interior é magnífico e cheio de ornamentos e detalhes. É um mundo inteiro de informações e colorido. De arte e de proporção. Apesar da iluminação indireta, pouca, tão típica da maioria das igrejas e catedrais, o Duomo de Pisa não tem uma atmosfera opressiva tão comum neste tipo de construção. Ele tem ares de museu, embora seja impossível esquecermos que estamos em um templo católico. Talvez o contraste o torne tão atraente.

O púlpito esculpido por Giovanni Pisano é uma obra de arte com alma própria: a sensação que eu tive foi de soberania, que aquela peça tinha consciência de sua independência absoluta diante de todos os outros elementos dispostos na catedral. O púlpito era carregado de arrogância, merecida, com cenas em alto relevo narrando a vida de Cristo em paineis ligeiramente curvos: uma inovação.

O altar foi um dos mais bonitos que eu já vi: repleto de quadros contando a história de Pisa como o Riccardo Cuor di Leone Concede Privilegi al Pisani (1850). Um imenso mosaico do Cristo Majestoso, cercado pela Virgem e por São João, do século XIV completa o cenário. 

As colunas foram trazidas de Palermo após a vitória de Pisa sobre os muçulmanos. Para quem já visitou a Andaluzia irá perceber semelhanças com a Mesquita de Códoba e La Alhambra de Granada. 

Campanário e Duomo por outro ângulo

Nós em um cartão postal

Ela é mesmo muito torta

Impressiona a inclinação 

Quanto mais distantes mais percebemos a inclinação 

O Duomo e a torre

Pessoas caminham no alto da torre

O alto da torre
Contornamos o Duomo e saímos do outro lado, onde entramos na lojinha cheia de gente, vendendo os souvenires de sempre, caros como sempre. O objeto mais comum, claro, era a torre: de todos os tamanhos, materiais, tonalidades e preços.

A famosíssima Torre de Pisa na verdade é o Campanário, cuja construção foi iniciada em 1173, sobre terreno arenoso, perto da cabeceira do Duomo. Começou a inclinar antes mesmo de sua conclusão e mesmo assim, continuou subindo até sua conclusão em 1350.

Galileu Galilei realizou aqui experimentos relacionados a velocidade de queda dos objetos. Não subimos a torre: consideramos que não valia o custo X benefício. O valor do ingresso era caro, inversamente proporcional a sua altura - 56 metros - o que não iria me proporcionar uma vista tão ampla quanto a de Siena e de Florença.

Obras de engenharia foram executadas para impedir que a torre caísse e a tornasse segura para os turistas: especialistas acreditam que ela está salva pelos próximos 3 séculos. Tomara!

Para quem não abre mão de subir é bom saber que o número de pessoas permitido por vez é de apenas 40, então é melhor garantir o ingresso on line para evitar ficar longos períodos na fila. Crianças com idade inferior a 8 anos não são autorizadas. 

Vou derrubar!

Alguém achou minha vergonha?

Você consegue!

Força, Léo!

Consigo soprar de volta?

Todo mundo entra na brincadeira

Segurando com a cabeça - não é fácil achar os ângulos

Posso afundar?

Tentando não deixá-la cair
Pisa foi a primeira cidade que visitei na Toscana que estava apinhada de pessoas. Turistas de todas as idades, nacionalidades e tipos físicos aos montes, disputando cada centímetro de chão para as irresistíveis fotos brincando com a torre torta.

Apesar de multidões me irritarem profundamente, eu estava ali, e acabei entrando na brincadeira: deixei minha vergonha (que tenho em demasia) de lado e passei muito tempo tirando (tentando) fotos jogando com a inclinação da torre. Léo sofreu comigo e com minha incapacidade de coloca-lo nos ângulos corretos para fotos bacanas. 

O entorno do Campo dos Milagres
Depois de muito tempo perambulando pelo Campo dos Milagres, bateu a fome e fomos almoçar. A tarde já tinha iniciado, a temperatura tinha caído bastante, Pisa estava gelada, o céu continuava cinza e eu estava ansiando por uma boa massa e uma taça de vinho. Saímos então em busca de um local simpático que atendesse aos meus anseios.