segunda-feira, 6 de junho de 2016

FLORENÇA em poucas PALAVRAS:


Florença é magnífica e merece todos os superlativos a ela atribuídos. A cidade mostrou-se muito mais interessante do que eu poderia imaginar: tem história, tem arte, tem arquitetura, tem gastronomia boa e despretensiosa e ainda tem luzes mágicas. Florença não vive de passado, mas não abandonou este passado: hoje muitas épocas se confundem e se misturam contribuindo para seu magnetismo.

A seguir um resumo da capital da Toscana: um pouco do que ver, fazer, comer e onde se hospedar.

Museus: 


                                                                     



Galleria degli Uffizi: é o principal museu de Florença e o maior museu de arte da Itália. O prédio foi construído por Vasari e é belíssimo, com janelas que o circundam, nos proporcionando lindas vistas do rio Arno e a Ponte Vecchio.

O acervo é enorme, composto por esculturas e pinturas de artistas famosos como Botticelli e seu Nascimento de Vênus. O museu costuma ter longas filas (podendo chegar a duas horas) e por isso é aconselhável comprar os bilhetes pela internet, com hora marcada.

No primeiro andar há uma cafeteria com bom café e opções de lanches, que ficam muito mais caros para quem abre mão de comer em pé e prefere sentar em alguma das mesas disponíveis. 

Pagamos 8 euros pelo bilhete + o IOF do cartão de crédito. 



Galleria dell´Accademia: tem um acervo muito menor que o exposto na Uffizi, mas tem quadros muito interessantes, (distribuídos em dois andares)  e uma sala abarrotada de esculturas de artista variados, mas definitivamente, a menina dos olhos desse museu é o colossal Davi de Michelangelo (muito mais impressionante que suas réplicas: da Piazzale Michelangelo e da Piazza della Signoria).

Também aqui as filas podem ser enormes e também vale a pena comprar os ingressos com hora marcada pela internet

Pagamos 8 euros pelo bilhete + o IOF do cartão de crédito.




Palazzo Pitti: este é o segundo museu, em importância, de Florença, com um maravilhoso acervo que engloba pinturas de diversos séculos, desde a época renascentista até princípios do século XX, esculturas, vestuários, ambientes luxuosos e arte em prata, distribuídos em cinco museus distintos: Galleria Palatina (possui onze salas), Appartamenti Reali (os aposentos reais), Galeria d´Arte Moderna (um grupo de toscanos do século XIX com estilo semelhante aos impressionistas franceses), Museo degli Argenti (museu da prata) e a Galleria del Costume, além do Jardim de Boboli, um jardim renascentista, muito extenso e cheio de cor e beleza.

Entre os artistas mais famosos podemos encontrar quadros de Rubens, Tiziano, Caravaggio e Rafaello.

Não é necessário comprar com antecedência, mas é bom chegar cedo, pois as salas costumam ficar lotadas. No primeiro domingo do mês o acesso é gratuito. Nos outros dias os valores variam de acordo com a quantidade de museus visitados. 


Palazzo Davanzati: casa museu do século XIV utiliza moveis e utensílios para recriar os diversos ambientes de uma antiga casa de uma família abastada de Florença. Sua arquitetura é sensacional.


Para quem não ama obras de arte, essa visita é perfeita! O ingresso custa 2 euros, não é preciso comprar com antecedência, mas é necessário reservar antes, no próprios local uns 2 ou 3 dias antes.

Palazzo Vecchio – um dos símbolos de Florença, ainda hoje a prefeitura funciona aqui. Além do Salão dos Quinhentos, há muitos outros ambientes montados, como o quarto de Eleonora de Toledo, esposa de Cosimo I, para visitarmos.

Sugiro além da visita tradicional, fazer a visita guiada pelos caminhos secretos do Palazzo Vecchio. Bárbaro! Basta reservar uns dias antes do dia pretendido para a visita, no próprio local.


Em frente ao palazzo encontramos uma réplica do Davi de Michelangelo, Poseidon com suas ninfas além de Hércules e Caco.

Pagamos para entrar no Palazzo Vecchio 10 euros + 4 euros pela visita guiada aos caminhos secretos do palazzo




Il Bargello – Museu repleto de esculturas de artistas como Donatelo e Giambologna, além de objetos do dia a dia, como porcelanas.

O acervo é muito bacana, mas talvez o mais interessante seja o prédio em forma de fortaleza que já foi inclusive uma prisão. Por isso minha sugestão aqui é visita-lo à noite para mergulhar em uma atmosfera mágica.

Não é necessário comprar os ingressos com antecedência. Pagamos 4 euros pela entrada.


Em determinadas épocas a Uffizi, Accademia e Il Bargello tem Late Openings. Conseguimos essas informações no posto de informação turística, onde nos entregaram uma time table dos museus.

O Bargello por exemplo do dia 01/08 até 19/12 de 2015 abriria todo sábado das 08:15 às 13:50 e depois das 19:00 às 23:00. Sônia, uma brasileira que nos atendeu no posto de informação turística, nos recomendou visitar o Bargello à noite e foi sensacional, como voltar ao passado em uma atmosfera mágica.


Lembrando que os horários podem mudar. A Uffizi e Accademia, segundo a time table abriria de 27/06 a 19/12/2015 das 08:15 às 23:00, aos sábados. 


Museu Santa Reparata – esse museu é ótimo para quem gosta de ruínas. Para quem não gosta vale dar uma passadinha também. Ele é pequenino e fica no subsolo do Duomo:  é o esqueleto da antiga e primeira catedral da cidade, a Santa Reparata.

Os restos da Catedral de Santa Reparata, encontrados durante escavações no fim dos anos 60 do século passado, mostram rasgos e evidencias da era cristã primitiva em Florença.

 O acesso é possível com o mesmo ingresso do Complexo do Duomo. 


Museu dell´Opera del Duomo – Esse museu tem um acervo enorme, distribuídos em 25 salas e 3 andares, referente à Santa Maria del Fiori, o Duomo de Florença. Aqui encontramos os famosos Portões do Paraíso (os originais, que ficavam no Batistério), feitos em bronze por Lorenzo Ghiberti, no século XV, encomendados para comemorar o fim da peste.

Além disso, encontramos esculturas interessantíssimas com a Maria Madalena arrependida de Donatello.  Essa escultura me impressionou por que seu corpo e rosto eram puro sofrimento. Foi intenso.

Assim como em Santa Reparata, o bilhete de acesso é o mesmo do Complexo do Duomo. 

Igrejas:

Florença tem muitas igrejas (chiesas) para serem visitadas: algumas são gratuitas e outras são pagas. A seguir, algumas delas:



A Catedral Santa Maria del Fiori, o Duomo de Florença – um dos símbolos mais famosos de Florença, a igreja é a quarta maior da Europa, tem uma fachada belíssima onde a cúpula de Brunelleschi com suas telhas laranjas se destaca. Aliás, subir até a cúpula é uma dessas atrações imperdíveis de uma cidade.

Santa Maria del Fiori, tem 155 m de comprimento, 90 de largura e consegue abrigar cerca de 30.000 pessoas. Suas dimensões e mistura de estilos a torna uma igreja grandiosa. Ela é mais clara do que a maioria das catedrais que já visitei. 

O acesso ao seu interior é gratuito. No entanto para subir até a cúpula e ter a oportunidade de estar a poucos metros da espetacular obra de Vasari representando o Juízo Final e de estar diante da vista sensacional dos telhados de Florença, tem que pagar. 

A minha sugestão aqui é chegar cedo, poucos minutos antes de abrir a bilheteria para evitar o tumulto, pois o espaço é diminuto e pessoas demais atrapalham. 

Para subir à cúpula é preciso certo esforço físico, pois são muitos degraus, com alguns trechos longos e íngremes.  














O Duomo de Florença, junto com o Campanário de Giotto e o Batistério de São João Batista formam o Complexo do Duomo. É possível comprar o ingresso casado que nos permite subir à cúpula, visitar o Batistério e o Campanário, além dos museus Santa Reparata e Museu dell´Opera del Duomo. Recomendo fortemente essa visita. Pagamos 15 euros para visitar todo o Complexo.



Santa Croche – É uma bela basílica franciscana onde estão enterrados Michelangelo, Galileu e Maquiavel: só os mestres. Há um túmulo de Dante, mas é só uma homenagem, uma vez que exilado da cidade, nunca mais voltou à sua amada terra natal e não está enterrado ali.

Eu achei o interior de Santa Croche mais bonito que o Duomo, embora mais escura. Aqui é preciso pagar para visitar (8 euros). Em frente à igreja há uma estátua de Dante Aliguieri.  


San Miniato al Monte – minha igreja preferida em Florença. Ela é pequena, tem mais de oito séculos de existência e nos proporciona uma vista belíssima da cidade. Além disso, às 17:00 a missa é acompanhada por cantos gregorianos. É mágico! Em minha opinião vale uma visita durante o dia e durante a missa: acesso gratuito.


OrsanmicheleSeu nome vem do Orto di San Michele - jardim monástico desaparecido há muito tempo): pequenina, com afrescos no teto, possui ao fundo um bonito tabernáculo gótico esculpido em alto relevo. Acesso gratuito. 

Praças:


Algumas piazzas da cidade são icônicas como a Piazza della Signoria, o coração de Florença, onde fica o Palazzo Vecchio e a Loggia dei Lanzi repleta de esculturas maravilhosas como O Rapto das Sabinas de Giambologna, minha preferida. 


Piazzale Michelangelo – lugar perfeito para ver o por do sol. Melhor chegar um pouquinho antes, com o sol ainda brilhando para ter oportunidade de ver as luzes de Florença irem mudando e o efeito sobre a cidade: tem algo de muito especial nisso.  

Há duas maneiras de chegar lá: pegar o ônibus 12 ou 13 na Estação Santa Maria Novella ou ir caminhando. Nós subimos de ônibus (demorou muito pois era hora do rush) e descemos andando. 

Compramos os bilhetes na tabacaria e custou 1,20 euros. 


Piazza della Republica - local do antigo fórum romano que séculos depois abrigou o mercado da cidade, até fins do século XIX. A praça também já foi um gueto até que na época do Renascimento sofreu uma revitalização onde avenidas e bulevares foram criados. Aqui nós paramos para tomar um café. O Hard Rock fica nesta praça. 

Piazza della Santissima Annuziata – esta é uma praça que não tem nada demais e, no entanto a achei uma das mais interessantes de Florença, talvez por ver nela a sua antiguidade. 

Aqui está o Ospedale degli Innocenti o primeiro orfanato da Europa, inaugurado na primeira metade do século XV e tem esse nome em uma referência ao Massacre dos Inocentes de Herodes. É uma obra arquitetônica de Filippo Brunelleschi.

Mais uma ou outra coisinha que merece nossa atenção, sem dúvida:


Ponte Vecchio – o clássico dos clássicos da cidade. Passamos por elas inúmeras vezes: não só porque estava constantemente em nosso caminho para muitos de nossos destinos, como porque ela nos oferece belas vistas de Florença. A cada hora do dia ela se torna diferente e merece ter sua beleza apreciada de muito ângulos distintos. 


Officina Profumo Farmaceutica di Santa Maria NovellaA Officina Profumo – Farmaceutica di Santa Maria Novella iniciou seu funcionamento em 1612 e logo a farmácia ficou famosa em toda a Europa por vender elixires, bálsamos e essências que prometiam curar um par de doenças como a histeria.

Ela cheiro de incenso, sabonetes, lavandas, aromatizadores de ambientes, águas de cheiro e muitos outros perfumes que despertam os nossos sentidos. Todos estes olores estão à venda. 

Possui diversos ambientes, cada um vendendo um grupo de produtos, além de uma linda tea room e a Capela di San Niccolò.


Fiseole – a cidade dista apenas 8 quilômetros de Florença e vale uma visita de um dia, pois apesar da proximidade entre as duas cidades, Fiesole tem muita identidade. Visitamos o sítio arqueológico e a Chiesa di San Francesco e almoçamos na cidade.

Para chegar à Fiesole pegamos o ônibus 7 na Piazza San Marco. Compramos os bilhetes na tabacaria (elas ficam espalhadas por Florença).

Onde Comer:

O aperitivo é uma tradição iniciada lá pelo século XIX e praticada atualmente em algumas cidades italianas, para o happy hour, onde pedimos uma bebida alcoólica e podemos desfrutar do buffet oferecido pelo local, que varia muito de lugar para lugar. Em alguns deles, no entanto, a comida vem à mesa e não é possível repetir.

Confesso que nós adoramos esta tradição, mesmo nas cafeterias/restaurantes mais modestos, e usufruímos dela algumas vezes. Muitas vezes o aperitivo foi nosso jantar, apesar de os italianos geralmente jantarem depois. 

Os lugares que servem aperitivo indicam isso com cartazes na porta, com o horário que se inicia e o horário em que ele é encerrado.

Atualmente eu sou adepta ao “passei, gostei, entrei” em relação a escolher de lugares para comer. Mesmo assim, vou listar alguns lugares em Florença que, por uma razão ou outra, deixaram boas lembranças:




Mercado Central – no térreo funciona o mercado de frutas, carnes e especiarias: é colorido e perfumado. No andar superior funcionam restaurantes diversos, para todo gosto e todo bolso. Está quase sempre muito movimentado e as mesas são compartilhadas. 

Jantamos lá duas vezes e na última noite em Florença, passamos para tomar uma taça de vinho. Foi nossa despedida da cidade.


Black Bar – Em frente ao Complexo do Duomo, é um pequeno corredor que fica lotado de gente. Embora tenha outros andares todo mundo parecia preferir o burburinho do térreo, que podia irritar e, no entanto fazem do lugar um charme.

Nós também preferimos ficar no térreo olhando o movimento.  Foi melhor pizza que comi em Florença e melhor ainda: barata. O café é delicioso. 

Caffè Amerini (Via dela Vigna Nuova, 63-r, 50123) aqui o sistema era de  buffet quase praticamente de mini sanduíches, com recheios variados, mas havia outras coisas, como azeitonas e batata frita: todas as opções estavam dispostas sobre o balcão. 

Muitos italianos entraram, possivelmente depois de um dia de trabalho, tomaram uma taça de vinho ou outro drinque qualquer, se serviram dos sanduíches e seguiram seus caminhos.

Escolhemos vinho branco sugerido pela garçonete. 


Restaurante Tira... baralla Uma garçonete jovem e sorridente nos atendeu. Como estávamos famintos, cada um pediu uma bisteca e eu me assustei com o tamanho do prato quando ele chegou à mesa. Comemos todo, mas foi tanta comida que naquele dia nós nem jantamos porque ainda teve a entrada com pães. Para acompanhar, pedimos meia garrafa de vinho tinto.

Admito que a bisteca não me encheu de amores. Para o meu paladar, que prefere comidas mais leves e saudáveis, era um prato muito gorduroso e pesado. Apaixonei-me mais pela salada e pela batata que pela carne, mas valeu sim a experiência, afinal passear pelos sabores locais faz parte de minha diversão como turista.



La Grotta Guelfa (Via Pellicceria, 5) - sentamos na varanda, mesmo correndo o risco de aparecer algum fumante. Demos sorte: não apareceu. O garçom que nos atendeu foi, como eu poderia dizer? Muito italiano: piadista, agitado, simpático. Nos ajudou com sugestões. 

Escolhi um penne all´arrabbiata como primeiro prato e porco como segundo prato: ambos estavam divinos. Foi uma refeição excelente!

Estava cheio.


Caffè Il Sole –  (Via Guelfa, 25) - um dos meus lugares preferidos. Foi um almoço simples e esplêndido. Sentamos na apertadíssima varanda, pedimos vinho, uma lasanha de carne e um tiramisù de sobremesa. 

O atendimento foi eficiente e simpático. 

Sei Divino (Borgo Ognissanti, 42r) - nos despedimos de Florença com esse aperitivo que, diferente de outros lugares, a comida vem à mesa e não podemos repetir. Estava tudo muito gostoso. 

O lugar é aconchegante e a garçonete me ajudou a escolher a taça de vinho. Não estava cheio. 

Hospedagem:


Best Western Hotel Palazzo Ognissanti – foi uma excelente escolha. Muito bem localizado, perto dos principais pontos turísticos da cidade e da Estação Santa Maria Novella. 

Havia restaurantes, mercadinhos e tabacaria no entorno. 

O quarto amplo e limpo, assim como o banheiro. Atendimento ótimo, tanto na recepção quando no café da manhã, que aliás era maravilhoso: gostoso, variado e farto.

Informações gerais:

A maioria das cidades do mundo é muito viva, o que significa estar em constante movimento e mudança, mesmo uma cidade como Florença, que tem séculos de história preservada e monumentos que superaram a ação do tempo e a destruição do homem e suas guerras.

Há sempre alguma coisa nova acontecendo como peças de teatro e mostras temporárias. Nós fomos a duas: La Belleza Divina no Palazzo Strozzi e Si Fece Carne na Basilica de San Lorenzo. 

Por isso, sugiro passar o olho no jornal local e visitar o posto de informação turística em busca de indicações.

O deslocamento em Florença é muito fácil: na maior parte do tempo usamos nossos pés. Para sair da cidade, os trens e ônibus funcionam muito bem e não é necessário comprar com antecedência os trechos. Os bilhetes podem ser comprados nas máquinas distribuídas na Estação Santa Maria Novela. Os ônibus, na estação que fica próxima à Santa Maria.

Fomos de ônibus para Siena e de trem para Pisa e Lucca

Os ônibus internos nós compramos nas tabacarias: 1,20. É possível comprar dentro dos ônibus, mas eu não aconselho pois além de ser mais caro, podem acabar.

O mais importante é não nos esquecermos de validarmos os bilhetes: tanto nos ônibus quanto nos trens.

Muitas pessoas fazem apenas bate/volta desde Roma para essa cidade magnífica. Eu acho que ela merece mais, muito mais que isso. 

Eu viajei no fim do outono e início do inverno e foi uma época ótima, pois a cidade não estava lotada de turistas. Nos fins de semana, no entanto, havia muito movimento. 

Muita coisa ficou por ver na cidade, mas tudo o que vi me deixou muito feliz e satisfeita. Para finalizar quero dizer que não foi nada fácil resumir Florença!