segunda-feira, 13 de junho de 2016

ROMA, parte II:


Como contei no texto anterior: Roma, parte I, nós começamos o nosso recorrido de uma tarde por Roma pelo Vaticano, seguido pelo Castelo Sant´Angelo, onde atravessamos a ponte de mesmo nome e fomos parar na Piazza del Popolo, sentindo a cidade, ouvindo seus ruídos, buscando experimentar a capital italiana, depois de termos passado duas semanas na Toscana. 

Piazza di Spagna com um pedaço da Fontana della Barcaccia

Dior e Prada em prédios antigos: pura elegância
Depois de deixarmos a Piazza del Popolo para trás, nossa próxima parada foi a Piazza di Spagna: superlotada. As ruas em seu entorno formam uma das áreas mais privilegiadas da cidade. No século XVIII era frequentada por um público múltiplo: aristocratas e artistas, escritores e compositores.

Dior e Prada tem lojas aqui e há um contraponto interessante entre a modernidade e alta qualidade das marcas e os prédios antigos, e de certa forma modestos, onde funcionam, sem no entanto haver confronto nessa disparidade, ao contrário, conferindo ainda mais elegância.

Tomamos um café na loja da Nespresso, o que pode parecer um sacrilégio diante do excepcional café italiano, mas eu queria experimentar os novos sabores limited edition da marca.

Havia três sabores novos e uma italiana que estava provando também, gentilmente, diante de minha indecisão, sugeriu um deles. Acatei, gostei e trocamos algumas impressões sobre o café. Uma curiosidade: mesmo na Nespresso eles tiram a medida do ristretto.

No centro da praça está a curiosa fonte barroca Fontana della Barcaccia de Bernini e em frente a ela fica a famosa escadaria de 135 degraus, construída no século XVIII e financiada pelos franceses. 

As ruas de Roma e seus detalhes

Fontana di Trevi

A Fontana di Trevi com Netuno e os Tritões no detalhe: um deles tenta domar um cavalo marinho enquanto o outro o conduz tranquilamente significando as diferentes condições do mar

A fonte e a multidão

Várias tentativas de fotos

Fontana di Trevi
Caminhando sempre, avançamos pelas ruas romanas tentando absorver a arquitetura local consumida pelos anos, opacas em sua maioria e chegamos a um dos símbolos da cidade, concluída em 1762: a Fontana di Trevi. Eu tinha muita vontade de vê-la ao vivo e em cores. 

A fonte foi um pesadelo! Em primeiro lugar quero atestar minha ignorância: achei que ela ficava no nível da rua e foi uma decepção vê-la abaixo.

Havia uma multidão tentando tirar fotos e chegar perto. Levamos mais ou menos 15 minutos parados, esperando uma brecha para conseguir descer. Depois, gastamos mais uns tantos minutos tentando uma foto que valesse à pena: foram vários cliques até desistirmos de uma boa foto. 

Com aquela quantidade de pessoas foi impossível para mim observar os detalhes da obra criada por Nicola Salvi, no século XVIII. A única coisa que consegui apreender foi a tonalidade de azul da água pouco comum e o contraste com o branco de Netuno, soberbo.

O Pantheon

Monumento a Vittorio Emanuele

Detalhes de Roma
Quando chegamos ao Pantheon, ponto de parada seguinte, o dia já estava no finzinho e a luz o deixou com uma atmosfera interessante, como se ele não fosse real, apenas uma miragem, apesar das sólidas colunas de sua fachada.

O templo a todos os deuses foi construído no século I. Aqui também havia muita gente.

Alcançamos o Monumento a Vittorio Emanuele, em homenagem ao primeiro imperador da Itália unificada, quando já era noite fechada. Mesmo assim ele se destacou imenso, na escuridão. Ao mesmo tempo em que ele me pareceu imponente com elementos claramente romanos, pareceu exagerado e despropositado, fora de lugar.

Sua construção, iniciada em fins do século XIX e concluída no início do XX, é cercada de controvérsia, uma vez que foi necessário destruir parte do Monte Capitolino, onde havia vestígios da Roma medieval, para dar lugar a ele. 

Fórum Romano

Fórum Romano

Fórum Romano
Ali perto está o Fórum Romano, aonde chegamos em seguida: mesmo com boa parte dele em ruínas, com iluminação precária e visto de fora, é impossível não perceber a grandiosidade e emanação de poder que vem daquelas estruturas milenares. 

No início da República havia prostíbulos ao lado do Senado e dos templos e barracas de comida, até que no século II a.C. decidiu-se dar ao Fórum uma aparência mais sóbria e séria. 

Durante a Renascença houve uma volta ao gosto pelo clássico e as ruínas do Fórum tornaram-se fonte de inspiração artística, mas somente a partir do século XVIII as escavações tornaram-se sistemáticas e continuam até hoje.

O Coliseu

O Coliseu

Protesto no Coliseu
Finalizamos nosso recorrido por Roma em frente a ele, um dos maiores ícones da cidade eterna, o maior anfiteatro da cidade, construído em 72 por Vespasiano, com capacidade para 55 mil pessoas, que eram distribuídas de acordo com a posição social: o Coliseu.

Em vez de parecer encolhido diante da escuridão, ele exibiu toda a imponência de quem não se perdeu na noite dos tempos.

Sim, ele é tudo o que dizem sobre ele e fiquei ali, parada, imaginando a energia, o alvoroço, a corrente elétrica que circulava entre as multidões que acorriam à arena para ver os sangrentos espetáculos promovidos pelos imperadores. E olhe que só o vimos por fora! 

Pizza Rustica
Depois de 7 horas andando sem parar, tentando internalizar um pedaço, uma nesga da capital italiana, eu estava exausta e faminta.

Em direção ao hotel, achamos um lugar muito simples, meio pé sujo, típico de centro de grandes cidades, que vendia pizza de metro, chamado Pizza Europa Rustica (28, Via Merulana, 00100).

A gente escolhia o tamanho, ele era pesado e gerava um valor. Paguei pouco mais de 1 euro, o atendimento foi excelente, a menina super simpática e tagarela e a pizza estava deliciosa.

Foi assim que nos despedimos da Itália. Confesso que no geral Roma me decepcionou, ou melhor dizendo, não atendeu às minhas expectativas. Credito isso ao fato de meu corpo estar na cidade, mas minha alma, mente e coração ainda estarem em Florença.

Saí de lá com uma única certeza: preciso voltar um dia para viver essa cidade de verdade, gastar alguns dias nela, sugar sua energia, construir experiências e lembranças. Um dia, com toda certeza, eu volto.

Arrivederci Roma!