domingo, 10 de julho de 2016

GASTRONOMIA (deliciosa!) de NUREMBERG, Alemanha:


Degustar pratos típicos de uma cozinha faz parte de nossa vida como viajantes.

Confesso que me faltam algumas notas de coragem para me arriscar a ir muito fundo nos sabores de uma culinária local, mas tenho minha medida de aventureira, que não é exatamente fraca.

Léo, em compensação, transita e arrisca-se pelos sabores mais excêntricos e inusitados, se deleitando com novas descobertas, mesmo entre as iguarias com a aparência mais esquisita ou de gosto mais estranho.

Na Alemanha, não precisamos ser tão audaciosos, já que a gastronomia local não era tão incomum ou bizarra, mas como sempre, Léo mergulhou mais profundamente do que eu.  

A seguir uma lista de pratos típicos que encontramos em Nuremberg:







Talvez o item gastronômico mais famoso e icônico da cidade seja a sua típica salsicha, de tamanho bem menor do que as tradicionais salsichas encontradas em outras regiões do país. Feitas de carne de porco, grelhadas, seu tamanho varia de 6 a 9 centímetros, quase o tamanho de um dedo. É originária de Nuremberg e muitas lendas a envolvem.

Uma delas diz que são finas porque precisavam ser passadas pelos buracos das fechaduras das casas no fim da era medieval, durante o surto da peste negra. Outra teoria cita que nessa mesma época os pubs eram obrigados a fechar cedo. Os donos então passavam as salsichas pelo buraco da fechadura para continuar alimentando os fregueses. 

Há uma história que conta que os prisioneiros eram alimentados com as pequenas salsichas por uma estreita fenda na parede. Não se sabe bem sua origem, apenas que ela é feita dessa maneira há muitos séculos e é saborosíssima. As lendas colocam um temperinho a mais nelas. 

A estrela gastronômica de Nuremberg pode ser servida no pão ou com outros acompanhamentos. 

É muito comum encontrar as populares salsichas no pão: o 3 in weckla. É um sanduíche feito com pão cacetinho (francês) chamado brötchen com três salsichas dentro. 

Encontramos essa delícia em toda esquina: se pedirmos to go é um preço, se sentarmos à mesa para degustá-lo ele costuma ficar mais caro. Em compensação, na mesa podemos abusar da magnífica e muito forte mostarda. 

Elas também podem ser servidas no prato e assim se chamam Nürnberger Rostbratwürste: podemos escolher se queremos 6, 8, 10 ou 12 e quais acompanhamentos queremos degustar: salada de batata (kartoffelsalat) ou chucrute (sauerkraut). 

Para essa modalidade, também vêm à mesa pães e pretzels (brezel) e são cobrados à parte, por cada unidade consumida. Léo e eu costumávamos pedir 12 para compartilhar, então eles traziam o sauerkraut em um prato separado. Quando o Nürnberger Rostbratwürste não é compartilhado, o chucrute vem sob as salsichas. 

Tanto no pão quando no prato, encontramos as salsichas de Nuremberg em quase todos os cardápios e as comemos muitas e diversas vezes. Eu adorei!

Já que eu mencionei o pretzel, não posso deixar de dizer que há muitos quiosques e cafeterias espalhados pela cidade que vendem essa delícia: ele é salgadinho e pode vir puro, básico, tradicional ou com queijo, algum embutido, pimentão vermelho e qualquer outro ingrediente. A variedade é grande. 


Fränkische Bratwürste - parece muito com a 3 in weckla, entretanto as salsichas são mais grossas e um pouco maiores. A maneira de fazer é a mesma. 

Por conta da espessura, ela vem com apenas 2 salsichas. Eu a achei um pouco mais gordurosa que as pequeninas. 



Currywurst: salsicha de porco temperada com ketchup e curry. Ela lembra nosso cachorro quente, só que mais picante e foi servida cortada em rodelas grossas e pão cacetinho (francês), o mesmo do 3 in Weckla

Surgiu após a segunda guerra mundial, em 1949, e se popularizou por conta da escassez de comida. O curry foi introduzido no país nessa época pelos soldados ingleses. 

Não encontramos currywurst em cada esquina. Uma pena porque eu a achei deliciosa!



"Saure Zippel" - salsichas cozidas com cebolas e vinho branco da Francônia, servidas no caldo. Podemos escolher se queremos 6, 8, 10 ou 12. Acompanha um pão marrom, rústico, um pouco seco, mas perfeito para molhar no caldo que tem sabor marcante. 

As salsichas feitas dessa maneira tem um gosto muito peculiar e textura mais macia do que as que são preparadas na grelha. Eu gostei bastante da combinação de sabores acentuados e consistências distintas. 



Laberkäs im Brötchen - Carne de porco moída com água, sal e condimentos, formando uma pasta que depois é assada. 

É uma peça inteira que é fatiada e servida no pão. É típico da Baviera, mas pode ser encontrado em outras regiões e países. Em alguns deles adiciona-se fígado. 
Fränkischer Sauerbraten an Lebkuchensauce mit Rotkohl Kloß - esse nome enorme significa carne de vaca assada com molho doce caseiro acompanhada de batata em formato de bola como uma almondega, servido com repolho roxo. 

Não morri de amores por esse prato, apesar de sua aparência atraente: muito doce para o meu paladar. A carne é como o lombo brasileiro, outro sabor que não me agrada. A batata tem uma consistência pegajosa, talvez pela farinha ou pão que leva em sua feitura, eu não sei ao certo. O fato é que ela me desagradou. 

Vimos esse prato em muitos cardápios.



Sudhausgröschtl - um mexidão com ovos, bacon, batatas, verduras, cebola e carnes. Para quem curte uma mistura intensa de sabores e cores é uma ótima pedida!



Maultaschen - pasta com recheio de carne e espinafre servido com chucrute e cebolas doces. Sensacional. Acho que essa foi a refeição mais gostosa que eu fiz em Nuremberg. Tudo estava perfeito nesse prato. 

A curiosidade é que ele não é típico da cidade e sim da região de Baden-Württemberg, sendo inclusive patrimônio imaterial. 

Preciso afirmar que tanto o chucrute quanto a salada de batatas que comi por lá, não somente são muito diferentes das que costumo comer no Brasil, como são muito, muito mais saborosos. 



Pescoço de porco marinado acompanhado de batatas grelhadas, cebolas e manteiga de ervas. Léo disse que estava muito saboroso. Aliás, joelho, ombro e pescoço de porco são encontrados em numerosos cardápios e notei que eles são muito pedidos e apreciados. Não tive coragem de experimentar. 



As frutas são muito coloridas e possuem visual atrativo, convidativo, suculento. Eu não resisti e experimentei as cerejas que estavam divinas! Há boa variedade também e são facilmente encontradas pela cidade.



Eu não sou apaixonada por doces, então geralmente eles passam despercebidos por mim, mas fui à Nuremberg com a intenção de experimentar o lebküchen que é um pão de mel feito com gengibre e especiarias. No entanto, em minhas andanças pela cidade, eu só o encontrei sendo vendido em porções, não em unidade. Como não eram exatamente baratos, desisti de conhecê-los dessa vez. 

Para não deixar de provar nenhum doce alemão, comprei um spitzbuben: uma espécie de bolacha com geleia de morango, de gosto conhecido. Não foi um sabor espetacular, mas estava gostoso. 


Acho que todo mundo concorda que a Alemanha é a terra da cerveja e talvez a Bavária possua uma das maiores quantidades de representantes entre os "bebedores de cerveja". 

Os alemães consomem, em média, 112 litros por pessoa por ano e os bávaros 170 litros. 

Em nossa passagem de quase 5 dias por Nuremberg experimentamos as mais variadas cervejas. As opções são inúmeras. 

Cada uma delas possui tonalidade e sabor particulares. Tem pilsen, lager, weiss, dunkel, hell. Há as leves e as pesadas. São feitas de trigo e de cevada. Em comum, todas são deliciosas. 

São servidas geralmente em canecas de 500 ml, mas é possível encontrar em menor e maior quantidades. Não bebemos nenhuma estupidamente gelada, nem gelada para falar a verdade. Elas são servidas frescas e mesmo para nosso paladar brasileiro (e no calor do verão alemão) sua temperatura estava totalmente adequada. Isso inclusive ajuda na percepção do sabor.

Nos bares em que seguia o modelo "pegue no balcão e pague", era necessário deixar um depósito, restituído no momento em que devolvíamos a caneca. 

No fim de tarde os bares e restaurantes já estavam movimentados e em todas as mesas as cervejas alemãs reinavam absolutas.