terça-feira, 12 de julho de 2016

Descobrindo NUREMBERG, Alemanha:


Chegamos à Nuremberg no último dia da primavera e fomos recebidos com agradabilíssimos 15 graus. O sol nos espiava entre muitas nuvens. Cansados, mas cheios de expectativas, fomos nos apresentar a essa cidade que nos fez pegar muitas horas de voo para estar lá. 

Königstrasse

Königstrasse
Nuremberg é subestimada. Ela permite um bate/volta desde Munique, mas ela merece mais do que isso. Essa cidade que data de muitas e muitas eras (seu primeiro registro vem lá do século XI) tem muito a nos mostrar, muito a nos contar.

Com cerca de 500.000 habitantes, cortada pelo rio Pegnitz foi poderosa na Idade Média, palco de enormes e ostensivas convenções dos nacional-socialistas e do pioneiro julgamento de criminosos de guerra. Foi bombardeada e destruída durante a segunda guerra mundial e reconstruída nos anos seguintes. É dona de finíssimas salsichas, de muitas e variadas cervejas, de arte antiga e contemporânea.

Nuremberg é cheia de charme e cheia de leveza, ao contrário do que poderia imaginar. Sua beleza medieval não é nada sutil, ao contrário, é ostensiva e está por toda parte. Curiosamente, no entanto, quando estamos perambulando pelas ruas e vielas da cidade, não pensamos no passado, porque Nuremberg é viva, alegre, colorida e em um contrassenso absurdo, moderna.

O peso de sua história é só isso: história. Que merece ser lembrada, claro, tem que ser lembrada, mas que não a aprisionou ou acorrentou. Apesar de todas as referências passadas (são muitas e visíveis) a cidade vive o presente. Ela é perfeita para slow travellers.

Aproveitamos aquela primeira tarde para um passeio, sem destino, sem compromisso, sem rumo certo ou objetivo específico, pela cidade antiga, o centro histórico chamado Altstad.
Königstrasse

Bäckerei Metzgerei

Experimentando os sabores locais: cerveja e o 3 im Weckla com as deliciosas salsichas de Nuremberg
Começamos a desvendá-la através de um de seus sabores: as famosas salsichas de Nuremberg, feitas de porco, na grelha, servidas no pão francês, com muita mostarda: 3 im Weckla (2,35 euros).

Cercada de lendas e histórias elas têm tamanho e espessura pouco usuais e são deliciosas.

Escolhemos comer no Bäckerei Metzgerei, localizado entre o Ibis Hotel, onde nos hospedamos e a Lorenzer Platz, com a Lorenz Kirche (Igreja de São Lourenço) às minhas costas, na Königstrasseque é longa, possui bares, restaurantes, lojas, mercado e farmácia e corta alguns pontos turísticos da cidade. 

Pedimos no balcão externo e pagamos ali mesmo. O lugar têm muitas opções de sanduíches e o "cardápio" está disposto em cartazes, acima do balcão de pedidos. 

Lorenzer Platz

Heiling-Geist-Spital

Heiling-Geist-Spital

Observando a Fleischbrücke
Seguimos então o nosso caminho: atravessamos Lorenzer Platz, sem nos determos muito naquele momento. Chegamos a Museumbrücke, ponte sobre o Rio Pegnitz, de onde tivemos uma bela vista (e tradicional) do Heiling-Geist-Spital (Hospital do Espírito Santo), construído como parte da Igreja do Espírito Santo.

O hospital, o maior para pessoas pobres da cidade imperial foi fundado em 1332, por Konrad Gross, comerciante, merchant, prefeito e um dos homens mais ricos da cidade à época. 

Entre os séculos XV e XVIII um anexo serviu de depósito para a regalia imperial. Esse era um grande privilégio, pois significava reconhecimento do poder e importância da cidade que abrigava o tesouro real. Assim, a coroa, a espada real e cerimonial e relíquias diversas foram abrigadas em Nuremberg, até a guerra de Napoleão quando seguiram para Viena, onde continuam até hoje.

Sofreu diversas ampliações e modificações: a partir de 1500 foi estendido sobre o Rio Pegnitz, especialmente para os leprosos, que ficavam separados dos outros doentes.

Foi completamente destruído na segunda guerra sobrando apenas os belíssimos arcos sobre o rio e paredes externas. O hospital foi reconstruído, mas não a igreja.

Os arcos lembraram-me uma dama, suspendendo as saias para atravessar o rio.

Hoje funciona no local um restaurante e uma casa de repouso.

Virando para o outro lado, vemos a Fleischbrücke, ponte de pedra da época da Renascença, inspirada na ponte Rialto que fica em Veneza, Itália. Ela tem uma curvatura onde reside o ponto principal de sua formosura e a suaviza. Foi inaugurada em 1598.

O Navio dos Tolos
Deparamo-nos com a escultura de bronze “O Navio dos Tolos” – narrenschiffbrunnen, metáfora muito representada no século XV, na literatura (Sebastian Brant) e pintura (Hieronymus Bosch e Albrecht Dürer) onde as fraquezas humanas eram colocadas em evidência.

Passeando pela cidade encontramos muitas esculturas com temas variados e interessantíssimas, cheias de elementos a serem avaliados e observados.

Hauptmarket

Hauptmarket

Rathausplatz

Prefeitura do lado direito da foto

Albrecht Dürer Platz

Beim Tiergärtnertor
Seguindo em frente, sempre pela Königstrassechegamos ao Hauptmarket, o coração de Nuremberg. Esse lugar para mim é um dos mais icônicos da cidade por ter encontrado sua imagem ilustrando diversos textos que li antes de viajar.

Ali funciona uma feira que vende artigos diversos, mas o que mais me chamou a atenção foi o colorido das frutas. 

Encontramos a feira em processo de desmontar, mas ainda havia barracas armadas. Eu não resisti e comprei cerejas. Elas estavam lindas e brilhantes. A compra não foi um processo simples porque o barraqueiro não falava uma palavra de inglês.

Ele queria me vender 1 kg de cereja e eu queria apenas algumas para comer enquanto caminhava. Mímica de lá, põe cereja, tira cereja, olha valor, concorda, discorda, braços para todos os lados, consegui comprar a quantidade que queria e ainda ganhei sorriso e desconto.

Para completar elas estavam divinas!

Também aqui não nos demoramos, pois a intenção era apenas ver a cidade e não sorvê-la ainda. Passamos pela Rathausplatz (praça da prefeitura), pela Albrecht Dürer Platz e chegamos naquele que se tornaria o meu lugar preferido em Nuremberg: a Beim Tiergärtnertor.

Beim Tiergärtnertor

Deixando a Beim Tiergärtnertor para trás e subindo até o Burggarten do Kaiserburg 

Burggarten

Burggarten com pessoas aproveitando a temperatura sentados sobre a murada

Burggarten

Construindo memórias no Burggarten

Burggarten

Burggarten

Uma das vistas da cidade desde o Burggarten

Deixando o Burggarten
De arquitetura linda, lembrando os tempos medievais, cheio de gente relaxada, desfrutando a vida, apaixonei-me. Mas decidimos aproveitar a luz do dia para passearmos pelos jardins do Castelo Imperial (Kaiserburg Nürnberg): Burggarten.

Durante os séculos de história o castelo teve muitos jardins, sendo que o mais antigo data de meados do século XV.

Florido e colorido, além da beleza proporcionada pelas flores, temos uma vista da cidade. Bancos são dispostos de maneira a nos oferecer a possibilidade de relaxar e apreciar a beleza do lugar, que não é grande. 

Estavam quase vazios, porque apesar dos inúmeros avisos de proibido, as pessoas preferiram sentar-se nas muradas, sentindo o sol e a temperatura de 15 graus.

Nós caminhamos sem pressa, sentamos, olhamos, registramos o momento: através de fotos, de lembranças e de construção de memórias.

O acesso é gratuito, mas fecha nos meses de inverno.

Deixamos o Burggarten por volta de 18:30. Como estávamos na véspera do verão, o dia ainda estava claro e continuamos nosso recorrido pela cidade. Os caminhos percorridos são história para outro texto. 

Nosso percurso saindo do Ibis Hotel, onde nos hospedamos até os jardins do castelo