domingo, 7 de agosto de 2016

A CASA museu de Albrecht DÜRER , NUREMBERG, Alemanha:

Albrecht Dürer Haus
Eu sou uma apaixonada por museus. Eu entro em um mundo paralelo quando estou em meio a obras de arte que contam histórias através de imagens, pontos de vista, objetos e paredes.

As casas-museu estão entre os meus tipos preferidos de museus e assim, depois do almoço, visitamos a antiga casa de um dos mais ilustres e mundialmente conhecidos artistas de Nuremberg: Albrecht Dürer (1471-1528).


Albrecht Dürer Haus em toda sua glória

Albrecht Dürer Haus: maquete
Albrecht Dürer Haus: diferença de estilos na fachada e muitas janelas, um indício de moradores abastados
Albrecht Dürer Haus: lindas portas e janelas
A Albrecht Dürer Haus é o exemplo típico de uma casa burguesa do século XV. Isso fica claro pela quantidade de janelas que era indício da condição financeira de seus ocupantes, pois quanto mais janelas, maior era o custo para manter a casa aquecida.

O artista a comprou quando estava sendo reformada. Originalmente era uma casa de um comerciante e o vestíbulo era onde ficavam as mercadorias a serem comercializadas. Nuremberg era uma das mais importantes rotas comerciais na época de Dürer.

A casa, surpreendentemente saiu ilesa dos bombardeios que destruíram o centro de Nuremberg na Segunda Guerra e, portanto ela não é uma réplica como quase todas as outras da região, e possui toda a energia acumulada dos que passaram por ali antes de nós.

Os dois primeiros andares da fachada da casa foram construídos em pedra e os dois últimos em estilo enxaimel – técnica que consiste em paredes montadas com hastes de madeira encaixadas entre si cujos espaços são preenchidos com pedras ou tijolos, muito utilizada na cidade.

Ele foi casado com Agnes e morreu aos 56 anos. Não tiveram filhos e justamente por isso, o tamanho da casa, para apenas um casal, incomum para a época, é um mistério até hoje. Não se sabe se eles tinham inquilinos ou hospedavam aprendizes. A mãe dele morava com o casal.

Albrecht Dürer Haus: escada

Albrecht Dürer Haus: alguns ambientes não se sabe para o que era usado; outros imagina-se como a sala de jantar à direita.

Albrecht Dürer Haus: detalhe interessante para a janela entre ambientes, típica nas casas da época

Albrecht Dürer Haus: a cozinha principal
A casa possui quatro pisos os quais vamos acessando através de lindas escadas com cerca de 15 degraus cada e corrimão. Há muitos ambientes e em vários deles não se tem ideia de seu uso, em outros se especula para o que era utilizado.

Outros, no entanto, são óbvios, como a cozinha, reino absoluto de Agnes. Curiosamente, em casas dessa época, as cozinhas ficavam próximas aos quartos, para que o calor do fogão ajudasse no aquecimento.

A prefeitura de Nuremberg exercia rígida fiscalização sobre as cozinhas e por conta disso nunca houve grandes incêndios na cidade. 

Albrecht Dürer Haus: o quarto secreto

Albrecht Dürer Haus: o quarto secreto

Albrecht Dürer Haus: moveis pesados e madeira para todo lado, além de muitas janelas

Albrecht Dürer Haus: vista para a Tiergärtnertorplatz

Albrecht Dürer Haus: a Tiergärtnertorplatz

Albrecht Dürer Haus: objetos que tentam recriar a atmosfera da casa
Albrecht Dürer Haus:a segunda e menor cozinha
No final da vida, o artista estava enfermo e foi então construída na cozinha uma espécie de quarto secreto, para que ele não precisasse deslocar-se e se mantivesse aquecido. Isso infringia as normas, mas a cidade não queria molestar seu mais ilustre cidadão e terminou fazendo vistas grossas.

Em uma das salas, encontramos pesados moveis de madeira: armários, cadeiras e mesa além de outros objetos espetaculares que tentam remontar a atmosfera da época como um relógio e um lustre em forma de dragão. Aliás, há madeira para todo lado: do piso ao teto.

É uma sala densa e ao mesmo tempo aconchegante que nos proporcionou uma vista incrível da Praça da Torre Quadrada (Tiergärtnertorplatz), meu lugar preferido em Nuremberg.

Além da cozinha principal, vimos uma cozinha menor, em outro andar, que não se sabe se era utilizada por aprendizes ou pela mãe de Dürer. 

Albrecht Dürer Haus: Adão e Eva

Albrecht Dürer Haus: Os Quatro Apóstolos

Albrecht Dürer Haus: dois dos autorretratos do artista
Em exposição na casa pudemos ver várias réplicas de obras de Dürer e um pouco da história de cada uma delas como Adão e Eva, onde ela olha de maneira lasciva para Adão, pouco antes de cometer o pecado original. Ele por outro lado, tem o olhar inocente dos ignorantes, de quem desconhece o que está por vir. São belos nus, belas figuras.

Apesar de a casa só possuir cópias, através delas podemos ter uma ideia das obras e temas do pintor bávaro.

Encontramos três autorretratos do artista onde o segundo e o terceiro tem uma diferença profunda no olhar. Autorretratos não eram comuns na época dele por não serem rentáveis e até hoje continua um mistério as razões que o levaram a pintar a si mesmo.

O que se sabe é que quando Napoleão Bonaparte ocupou a cidade requisitou para o Museu Central de Paris as imagens do pintor, mas foi enganado e levou cópias.

Os Quatro Apóstolos foram pintados para a prefeitura para que eles governassem segundo a moral cristã. O original está em Munique.

Aliás, poucas obras dele estão em sua cidade Natal. A maioria está espalhada pela Alemanha e pelo mundo. 

Albrecht Dürer 
Albrecht Dürer foi conhecido internacionalmente e começou sua carreira como ilustrador de livros e entrou em contato com o movimento humanista. Divertia-se em festas e tinha amigos, mas não se sabe se foi feliz no casamento.

Estudou na Itália, como muitos outros artistas alemães, tendo morado e trabalhado em Veneza por mais de doze meses. Viajou a Suíça e Países Baixos e se encantou com a arte dos nativos americanos. Influenciou um dos mestres Renascentistas, Rafael.

O Imperador Maximiliano I era um admirador.

No último piso, uma exposição de xilogravuras do pintor: arrebatou o meu coração. Foram elas que o tornaram rico e conhecido em toda a Europa. Não era permitido fotografar.

O senhor que tomava conta dessa sala foi simpático, sorridente e nos entregou uma folha com informações em inglês contendo explicações sobre as imagens. Não havia em outro idioma, além do alemão, obviamente.

As xilogravuras eram variadas, com cenas diversas, muitos elementos e muitas paisagens. Todas originais o que, claro, teve um sabor mais que especial, pois era o traço do autor e não de outros artistas.

O Cavaleiro, a Morte e o Demônio é bárbara e a maioria delas, mesmo as sacras, pareciam ilustrações de livros de Contos de Fada. Aliás, foi muito curioso e diferente ver cenas bíblicas retratadas em cenários tipicamente germânicos, com feições e roupas alemães.  

Albrecht Dürer Haus: o audio guia ajudou muito na reconstrução da história do artista e da casa 
Nós ficamos cerca de 2 horas na Casa de Dürer. Pagamos 5 euros para entrar e o áudio guia estava incluído o que fez toda a diferença na visita. Não havia em português.

Para quem não fala nenhum dos idiomas disponíveis no áudio guia, vale a visita mesmo assim, para conhecer como era uma casa renascentista por dentro.

Além disso, há informações dispostas nas paredes das diversas salas com dados em inglês e alemão.

Não é possível entrar com sacolas e mochilas. Eles disponibilizam armários, onde podemos deixar nossas coisas. Funciona como a maioria dos lockers na Europa: colocamos uma moeda de 1 euro, trancamos, tiramos a chave e quando destrancamos, a moeda é devolvida.

Horário de funcionamento: Terça a Domingo: das 10:00 às 17:00 e na Quinta: das 10:00 às 20:00.

Em frente ao Albrecht Dürer Haus, do outro lado da rua, está a loja do museu repleta de objetos com referência ao artista. Eu comprei um marcador de livro.