terça-feira, 16 de agosto de 2016

CASA museu TUCHER, Nuremberg, Alemanha:


Passamos a manhã toda explorando o Kaiserburg e quando o deixamos para trás o calor estava de rachar. Desejando uma sombra e uma pausa, fomos ao Wanderer que fica na Tiergärtnertor Platz para bebermos uma cerveja.

Uma cerveja na Wanderer para amenizar o calor e descansar os ossos
Tiergärtnertor Platz 
Eu com meu spitzbußen em frente à pastelaria e Léo consultando o mapa para ver que caminho usaríamos para chegar na Mansão Tucher
Eu adorei esse lugar por causa da informalidade dos frequentadores, do cenário medieval e da simpatia do bar.

Tivemos que esperar um pouco porque só abria 14 horas e enquanto a maioria dos alemães procurou ficar ao sol, lagarteando e torrando, eu busquei a melhor sombra disponível e me larguei ali, olhando o movimento e desejando que o mundo parasse de girar indefinidamente. Não é preciso muito para termos bons momentos.

Depois da cerveja passamos em uma pastelaria, que ficava no caminho, ainda próxima da Tiergärtnertor Platz, descoberta ao acaso onde comi um spitzbußen, uma espécie de biscoito com geleia de morango. Estava engraçadinho.

Mansão Tucher

Mansão Tucher vista desde o jardim
Seguimos então para a Mansão Tucher, a casa de umas das mais importantes famílias de comerciantes e mercantis da cidade imperial, cuja construção iniciou-se por volta de 1534.

Já no século XV, eles demonstravam o desejo de conservar e manter as memórias da família. Começaram a guardar cartas e fazer volumosas doações para as igrejas de maneira a marcar seu nome na história de Nuremberg.

Além disso, registravam os eventos mais importantes da família através de quadros que deveriam ficar para a posteridade. Os Tucher foram uma das maiores benfeitoras da cidade.

Mansão Tucher: tesouros da família
Entre seus membros, está Hans VI Tucher, que viveu no século XV e foi um viajante, um peregrino, tendo escrito um livro descrevendo suas experiências durante sua jornada pela terra prometida.

A publicação do livro lhe deu fama por conta de seu relato vívido e detalhado, falando não só do lugar, mas de sua gente, bem como dando conselhos e dicas de viagem, incluindo o que levar na bagagem, provisões, dinheiro, que tipo de roupa usar e até regras de conduta. Foi um pioneiro em seu tempo e me arriscaria dizer que em tempos atuais continuaria a fazer sucesso e ajudar outros viajantes!

Já na primeira sala, ainda no térreo, estão algumas informações sobre os Tucher e alguns de seus bens preciosos como quadros e esculturas.

Mansão Tucher: escada de acesso aos pisos superiores

Mansão Tucher: escritório do século XIX

Mansão Tucher: vestíbulo

Mansão Tucher: sala de jantar
Subi então uma incrível escada rústica, em espiral para ter acesso aos ambientes do andar de cima: do lado esquerdo, um escritório do século XIX, montado com tapetes, sofá e uma linda mesa pesada. No vestíbulo, me deparei com um belíssimo e sóbrio armário, feito em Nuremberg entre os séculos XVI e XVII.

Do lado direito estava situada a sala de jantar da família. O que me chamou a atenção foi a falta de leveza refletida pelos móveis escuros feitos no século XVI e pelos pratos sem adornos, muito simples. As tapeçarias vieram de Flandres no mesmo século. 

Mansão Tucher: sala barroca

Mansão Tucher: funcionários bebendo cerveja Tucher e um biergarten 

Mansão Tucher: cervejas Tucher prontas para serem distribuídas- em carroças!

Mansão Tucher: marca e propagandas

Mansão Tucher: canecas e garrafas da cerveja Tucher
Em frente à sala de jantar, encontrei um dos ambientes mais charmosos da casa dos Tucher: a sala barroca, mais leve que as outras mantidas nesse piso.

Ela é decorada com dois vasos manufaturados em Delft, no século XVII, um armário feito em madeira clara, ricamente decorado, feito no sudeste da Alemanha, no século XVIII.   

Uma das salas mais divertidas desse andar expõe fotografias e propagandas antigas que ilustram a história da famosa cervejaria Tucher. Há também as garrafas antigas e canecas. 

Tem uma fotografia particularmente interessante que mostra o pátio da cervejaria, com fileiras e mais fileiras de carroças cheias de garrafas da bebida, prontas para serem distribuídas. 

Mansão Tucher: sala de recepção

Mansão Tucher: artigos comercializados
Subi mais um andar e ali encontrei a sala de acolhimento ou de recepção, onde a família realizava negócios. Nela há tapeçarias do século XVI, um quadro de Linhard Tucher, situado entre as janelas, que foi membro do conselho, prefeito sênior e tesoureiro na primeira metade do século XVI. Sob sua liderança a Empresa Tucher conheceu seus anos de ouro.

Na mesa holandesa, situada no centro da sala, estão exemplos das especiarias e artigos exportados por Nuremberg. Os aromas dominavam o ambiente.

Mansão Tucher: mesa de banquete

Mansão Tucher: jogo de prata tradicional para noivos

Mansão Tucher: console com os pratos de madeira

Mansão Tucher: uma noiva

Mansão Tucher: janelas que contam histórias
Do outro lado desse mesmo piso está a sala de banquete que tem muito a ver com a tradição do casamento em Nuremberg. No centro, uma longa mesa de noivado, com um jogo de prata criado por Wenzel Jammnitzer, onde os noivos são servidos durante as celebrações.

Na entrada, sobre consoles há pratos de madeira usados para exibir os presentes durante o banquete de casamento que depois, eram dados aos convidados que participaram dos festejos como souveniers.

Há um quadro da filha Tucher, exibindo-a com vestes típicas de uma noiva de família proeminente com uma coroa com pérolas sobre a cabeça, os cabelos trançados e correntes douradas.

As janelas foram produzidas em Nuremberg e fazem parte dos móveis originais do século XVI. Elas mostram cenas clássicas de heróis e deuses.

Hirsvogel Hall e o jardim

Hirsvogel Hall

Hirsvogel Hall: o magnífico teto

Hirsvogel Hall: Calígula e a cena de sua morte pela guarda pretoriana, a guarda que protegia os oficiais
Por fim, eu saí da casa Tucher e me dirigi ao lindo jardim, pequeno, bem cuidado e colorido, onde está situada a Hirsvogel Hall, originalmente construída em 1534, destruída em 1945 e reconstruída em 2000, considerada um exemplo do mais belo estilo do início da Renascença em toda a Alemanha.

Possui um esplendido teto pintado por Georg Pencz, pupilo de Dürer, representando a queda de Phaeton, figura mitológica, filho de Helios, morto por Zeus. Bustos de imperadores romanos como Calígula, Júlio Cesar e Nero entre outros, completam a decoração. Há ainda cenas pintadas que representam algum momento da vida de cada uma dessas personalidades da antiguidade, cujos nomes atravessaram as fronteiras do tempo.

As duas casas mais o jardim formam a Ilha Renascentista de Nuremberg. 

Léo tomando a fresca

Caminhando pela cidade e comendo cerejas
Levei mais ou menos 1 hora passeando sozinha por aquela casa tão bonita, que abrigou vidas e sonhos, sucessos e fracassos, risos e choros. O bilhete foi pago na saída, 5 euros. 

Fiquei praticamente sozinha durante todo o tempo em que visitei o lugar. Uma pena, pois esta é uma visita muito interessante para quem gosta de conhecer os costumes de povos antigos e de ver coisas bonitas, diferentes do que estamos acostumados. 

Na entrada eles nos entregam um folheto, com informações em inglês sobre as salas. Gostaria de que estas informações também estivessem dispostas nas paredes, pois às vezes me senti um pouco perdida demorando alguns minutos para me achar novamente. 

Léo me esperou do lado de fora, não quis entrar. Sentou-se em um banco e ficou a tomar a fresca, olhando as pessoas que ocasionalmente passavam por ali. Era um bairro residencial. Ele me contou depois que alguns turistas perdidos, de nacionalidades diversas passaram por ali, e ele ajudou com informações.

O calor tinha amenizado, mas ainda estava presente. Passamos no mercado e compramos meio quilo de cerejas por 2 euros. Comemos enquanto caminhávamos em direção a Igreja de São Sebaldus, padroeiro de Nuremberg. Historinha para outro dia.