sábado, 13 de agosto de 2016

KAISERBURG - O CASTELO Imperial, Nuremberg, Alemanha:


Dia de conhecer o Castelo Imperial, a residência de vários imperadores do Sacro Império Romano Germânico por mais de cinco séculos (1050-1571), que fazia parte das fortificações da cidade, transformando Nuremberg em um importante centro político na Idade Média. Estava ansiosa e curiosa com essa visita.

Königstrasse - Cidade começa a acordar

Bäckerei Metzgerei na Königstrasse: delicioso Fränkische Bratwürste

No caminho para o Kaiserburg

Tiergärtnertor Platz

À caminho do Castelo Imperial - ponte após a passagem sob a Torre Quadrada na Tiergärtnertor Platz

O mapa do Kaiserburg

Uma das entradas do Kaiserburg
Começamos esta manhã com um Fränkische Bratwürste (2,90 euros), na Bäckerei Metzgerei, na Königstrasse, sentados ao ar livre, vendo a cidade acordar e suas cenas matinais. Era dia de semana e as pessoas seguiam para seus trabalhos e afazeres diários. Havia pouco movimento na rua, céu azul e muito calor.

Atravessamos então a Lorenzer Platz, passamos pela Rathausplatz, seguimos pela Albrecht Dürer Platz e entramos pela passagem sob a Torre Quadrada na Tiergärtnertor Platz, cruzamos a linda ponte de madeira e chegamos à entrada do Castelo.

Nuremberg desde o Castelo Imperial

Nuremberg desde o Castelo Imperial
Paramos então um momento para apreciar um dos bens mais preciosos de Nuremberg: seus telhados. Eles são muito típicos na região, nos remetem a contos de fada e a maioria é réplica, pois os originais foram destruídos pelos fortes bombardeios efetuados pelos aliados nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Nuremberg foi a segunda cidade alemã mais bombardeada ficando atrás apenas de Dresden.

O cenário que temos desde o Castelo Imperial, mesmo não estando ele muito alto, é charmoso, valioso, atraente e encantador carregado no vermelho, com seu mapeamento confuso e bagunçado, com casas parecendo amontoadas, grudadinhas e ruas estreitas serpenteando aqui e acolá. 

O Kaiserburg encontra-se na elevação mais alta da cidade, com 60 metros e foi construído sobre rochas de arenito, derivando daí o nome da cidade: Norenberc ou montanha rochosa.

Ela nasceu e desenvolveu-se aos pés de seu castelo e seu primeiro registro data do ano de 1050, mas escavações no local encontraram restos de fortificação que levaram os estudiosos a acreditar que desde 1000 a.C. pessoas já habitavam a região. 


O Castelo Imperial
O Castelo Imperial
Bilheteria do Castelo Imperial
Opções de bilhetes para o Castelo Imperial
Vídeo que mostra as transformações do Castelo Imperial
A capela do Castelo Imperial
O Castelo Imperial
O Castelo Imperial - edifícios administrativos
O Castelo Imperial
O Castelo Imperial
Entramos no castelo e fomos direto para o edifício principal para comprarmos os nossos bilhetes. Não paga-se para visitar a área externa e ver os prédios por fora e esse recorrido já vale à pena. Para termos acesso ao interior é necessário pagar. Nós escolhemos visitar o Museu, a Capela, a Torre do Sino e o Poço: 7 euros.

O áudio guia custa 3,50 euros e está disponível em inglês, alemão, francês, italiano, espanhol e russo. Não senti falta dele, uma vez que há cartazes em inglês com informações.

Assistimos ao vídeo que mostra o castelo e as inúmeras transformações que ele sofreu ao longo dos séculos, com alas sendo construídas e outras sendo demolidas, ampliadas ou remodeladas. O áudio estava em inglês e alemão, mas as imagens são suficientes para dar uma ideia do quanto o Kaiserburg foi modificado.
O Castelo Imperial - entrada para o museu

O Castelo Imperial - salão principal

O Castelo Imperial - vista de Nuremberg desde o salão principal

O Castelo Imperial - vista de Nuremberg desde o salão principal

O Castelo Imperial - vista de Nuremberg desde o salão principal: telhados e janelas

O Castelo Imperial - vista de Nuremberg desde o salão principal: como um Conto de Fadas
Passamos então para museu que possui um acervo significativo tanto em termos de tamanho, quanto de variedade de objetos expostos, que registram e nos contam a história do Castelo como armaduras, espadas, salas, quadros, afrescos e muito mais. É um passeio bem bacana.

Do salão principal temos uma vista ainda mais bonita dos telhados de Nuremberg, da estrutura das casas e das janelas que me pareceram olhos, astutos e observadores, que tudo acompanhavam.

A paisagem não parece real: as casas assemelham-se na verdade àquelas construídas por crianças em um daqueles jogos infantis, sem um traçado planejado ou paredes retas: uma paisagem tipicamente medieval e segundo meu ponto de vista, maravilhosa! 

O Castelo Imperial: um luxo de maçaneta

O Castelo Imperial - capela romântica

O Castelo Imperial - capela romântica

O Castelo Imperial: subindo para o segundo andar

O Castelo Imperial - afrescos

O Castelo Imperial - capela romântica
Acessamos a Capela Imperial, sóbria, em estilo romântico, construída no final do século XIII, onde as colunas foram feitas com mármore branco trazido dos Alpes, através de uma porta de madeira, linda e pesada, cuja maçaneta era um luxo só. A capela é encantadora! Ou melhor, as capelas.

Elas são na verdade duas igrejas em uma: na de baixo, chamada St. Margaret, aconteciam missas diárias e a superior, nomeada de Capela do Imperador, só era aberta quando o imperador estava presente com sua corte.

Uma das únicas partes remanescentes do período medieval é o altar.

O Castelo Imperial - objetos diversos contam a história

O Castelo Imperial - salão de banquete com imagens dos antigos imperadores como Ludwig I e Frederich II

O Castelo Imperial - sala de estar, cheio de detalhes
A partir daí, nos deparamos com muitas salas encadeadas, e fomos atravessando uma a uma aprendendo mais sobre o que aconteceu por ali, em anos pretéritos, sobre a estrutura do Sacro Império Romano Germânico, como por exemplo, o fato dele ter sido uma monarquia eleita, onde o imperador, junto com os sete príncipes eleitores, eram os pilares do Império, até ser dissolvido no século XIX.

Descobri que, diferente de outras monarquias europeias, o Sacro Império Romano Germânico não possuía uma capital: os imperadores estavam constantemente viajando. Era necessária uma rede eficiente de castelos, monastérios e cidades leais ao rei.

Entramos em salões usados para recepções, banquetes, festas e outros propósitos, assim como salas de estar, que também eram usadas como sala de jantar e de aconselhamento, além de quartos. 

Hitler (1938) e os nacional-socialistas recebendo, com pompa e fins propagandistas, o tesouro imperial que desde 1796 havia sido transferido para Viena, Áustria. 

Armadura ajuda a contar a evolução dos artefatos de guerra

Armas que defenderam Nuremberg

Procure esse cartaz: mostra um lugar importante na Guerra dos Trinta anos, entre o repeitado general Albrecht von Wallenstein, que liderava as tropas católicas e o exército sueco, quando este tentou conquistar a posição fortificada de Alte Veste - 1632. 

Escudos com desenhos representando herois da antiguidade

Belo piso de madeira

Charge de Wilhelm Busch
Essa pintura de Friedrich Wilhelm Wanderer (1840 - 1910) é bárbara! Encontro de artistas com Dürer no centro de cabelo longo

Mapas e maquetes do Castelo Imperial: nós entramos pela ponte, no lado inferior da foto maior e saímos do Kaiserburg pela ladeira situada na parte superior da mesma foto
Após a dissolução do Sacro Império Romano Germânico no século XIX, Nuremberg foi incorporada ao Reino da Bavária, perdendo sua importância militar, passando, sob os reinados de Ludwig I e Maximiliano II a ser, ocasionalmente, a segunda residência do Império e seu passado virou apenas uma memória romântica.

Durante o período Nacional Socialista o Kaiserburg, ícone da cidade até hoje, foi desmantelado, sendo restaurado após o fim da guerra. Os nazistas chamaram a Alemanha naquele momento de 3° Reich, porque veio após o Sacro Império Romano Germânico e o Império Germânico, sendo que consideravam a República de Weimar como um reino intermediário.

Com muita pompa e objetivos propagandistas, o tesouro imperial que desde 1796 havia sido transferido para Viena, na Áustria, voltou à Nuremberg, sendo recebido pelo Führer no Kaiserburg.

O museu faz ainda um overview da evolução das armas de guerra utilizadas nos conflitos nos quais o Império e o Reino na Baviera se envolveram, como a Guerra dos 30 anos, travada entre 1618 e 1648, onde diversas nações europeias se enfrentaram por razões múltiplas como, por exemplo, a rivalidade entre católicos e protestantes, se enveredando, no entanto, também por assuntos políticos e econômicos.

Nos escudos vemos cenas de heróis clássicos como Horatius Cocles – um olho só (século VI a. C.) que defendeu sozinho a ponte que levava a Roma, segundo reza a lenda, impedindo que fosse tomada pelos Etruscos liderados por Porsena.

Naquelas salas há dois achados especialíssimos: uma charge divertida de Wilhelm Busch, caricaturista alemão, famoso pelas suas histórias satíricas ilustradas com textos em verso e uma pintura de Friedrich Wilhelm Wanderer (1840 - 1910), bárbara, mostrando um encontro de artistas, entre eles Dürer.

O museu do Castelo Imperial possui muitos outros objetos que ajudam a gravar a trajetória desse antigo símbolo de poder no mundo moderno.

Entrada para a Torre do Sino

Subindo a Torre do Sino

Torre do Sino: interior

Torre do Sino: o ontem e o hoje

Nuremberg sob escombros

Torre do Sino: Passado e presente

Torre do Sino: essa imagem me marcou muito. Destruição e vida que segue
Nuremberg com destaque para a St. Lorenz Kirche
Torre do Sino: descendo
Fomos então visitar a Torre do Sino (Sinwell Tower), um lugar estratégico de defesa e observação, que se tornou meu lugar favorito no Castelo Imperial, construído no final do século XIII. Sofreu pequenos danos durante a Segunda Grande Guerra.

Ela nos oferece uma vista incrível, 360 graus, com informações visuais preciosas sobre os danos dos principais edifícios da cidade que pereceu sob as bombas aliadas, sendo alvo porque era, à época, a cidade das convenções do Partido Nazi e importante rota de transporte e manufatura de artefatos para a guerra.

Entre Agosto de 1944 e Abril de 1945, a quantidade de vezes que os alarmes soaram na cidade cresceu imensamente e somente na noite de 2 de Janeiro de 1945, mais de 100.000 moradores perderam suas casas. A reconstrução de Nuremberg buscou um balanço entre a modernidade e a recuperação da silhueta antiga e medieval da cidade. Acho que conseguiram.

Foi muito impressionante e marcante para mim, ver as cenas da cidade sob escombros, com seus prédios no chão e ao mesmo tempo olhar, caminhar e sentir aquela cidade recuperada, linda e vibrante, olhando o futuro, sem apagar o passado de maneira que alguns desses episódios jamais tornem a se repetir.

Muitos degraus nos levam ao topo da Torre do Sino: 110, mais ou menos. 

Esperando o guia para visitar o poço.

Entrada para o poço.

O poço

O poço

O poço: todos avaliando a profundidade dele. O guia engravatado contando a história do poço e a tela por onde acompanhamos a descida da luz, quando não mais a conseguimos enxergar. 
Depois disso, tivemos que esperar 25 minutos para visitarmos o poço, pois ele só é aberto com um guia, em horários determinados, que nos conta sua história, entre piadinhas sem graça, em inglês e alemão.

Eis alguns detalhes de sua narração: a água do poço vem dos Alpes da Francônia através de grutas subterrâneas e está em uma profundidade de mais de 40 metros.

Acharam alguns objetos seculares no poço e estão em exposição ali mesmo. Nenhum em particular me chamou a atenção.

Duas razões levaram à construção do poço: a primeira foi para que a população não fosse envenenada, especialmente o Kaiser. A segunda para que a população não poluísse a água que chegava à cidade usando-a como banheiro.

Para quem não fala inglês ou alemão, esta visita não é especialmente interessante, pois, apesar de ser um poço fundo, e de o guia descer uma luz para podermos avaliar esta profundidade, cuja descida acompanhamos através de uma tela, depois que não mais a conseguimos enxergar, ele fica escuro a maior parte do tempo e não emociona quando nos damos conta de que de fato é fundo. 


Deixando o Kaiserburg
Assim, deixamos o Kaiserburg, pelo lado que fica próximo ao poço, uma ladeira, feliz por conhecê-lo mais intimamente, expostos ao insuportável calor bávaro e seguimos para a Tiergärtnertor Platz para uma cerveja sob alguma sombra.