sábado, 31 de dezembro de 2016

GRATIDÃO: as pessoas e minha VIDA de VIAJANTE:


Algumas pessoas influenciaram minha vida de viajante. Cada uma delas teve papel fundamental e marcante na forma como eu viajo hoje e até mesmo porque eu viajo.

Eu acredito que viajar é uma arte que se aprende viajando e quero, nesse fim de ano, expressar minha gratidão a essas pessoas que deixaram marcas em minha vida, que me mostraram outros ângulos, outras perspectivas, sentidos e compreensões do mundo e da maneira como desbravá-lo.


Viajar pelo mundo
Fotos antigas de criança: Blumenau, Porto Seguro e Sertão da Bahia
Eu tenho sorte! Meus pais amam viajar e desde sempre nos levaram por aí, para conhecer lugares, muitas vezes sem rumo muito definido ou planejamentos detalhados, apenas pelo prazer de ir.

Conhecemos muitos lugares interessantes por esse Brasilzão por causa deles: sertão da Bahia, sul do Brasil, sudeste, várias cidades nordestinas... Eles nos mostraram as diversidades de nosso país.

Nessas viagens de nossa infância e adolescência, primos e tios nos acompanhavam com certa frequência e a farra era garantida. Lembro-me de reuniões em nossa casa para definir a região, olhar mapas, escolher datas. Era o máximo de planejamento porque o resto nós íamos descobrindo já com o pé na estrada.

A diversão para mim começava nessas reuniões em casa e acho que por isso até hoje gosto da fase pré-viagem.

Uma vez passamos o Natal em uma pequena cidade no interior de Santa Catarina: tudo fechado! Demos uma volta na praça e fizemos nossa festa particular no quarto do hotel. Inesquecível! Tenho muitas boas lembranças como essa. 

Viajar pelo Mundo
Com meus pais em Buenos Aires

Viajar pelo Mundo
Chapada Diamantina
Eu cresci e mesmo depois de adulta ainda fiz algumas viagens com meus pais, mas outras pessoas entraram em minha vida. A primeira delas foi Lorena. Ela me ensinou que não há limites para viajar. Com ela eu fui de Salvador até Porto de Galinhas – quase 800 quilômetros – de Kombi!

Foi uma longa e dura viagem que iniciou a minha mudança como viajante. Também foi ela quem me apresentou Itacaré, quando o lugar não era nada mais que uma aldeia de pescadores e surfistas: praia, pé no chão, comendo o que tinha, sem luxo ou frescura. 

Isso sem contar, que fomos parar na Chapada Diamantina, onde nossa hospedagem se resumiu a um colchão no chão. As refeições costumavam ser pão artesanal (que eram entregues em carrinhos de mão) com maionese e orégano e frutas que os moradores nos presentavam com imensa generosidade. 

Com seu jeito low profile de viver, Lore me ensinou a relaxar.

Viajar pelo Mundo
Paraty

Viajar pelo Mundo
Paraty
Em seguida, Nanda entrou em minha vida. Tínhamos amigos em comum e calhou de estarmos juntas na casa de uma amiga no Rio de Janeiro na mesma semana. Um dia ela me perguntou: vamos passar o fim de semana em Paraty?

Como Nanda? Ora, fazemos uma mochila, vamos até a rodoviária, compramos passagens e vamos. Simples assim!

Fomos! Essa menina do mundo me mostrou como diminuir o ritmo: esquecemo-nos da vida em cachoeiras, tomamos chá ouvindo bossa nova enquanto a chuva desabava sobre Paraty e caminhamos sem rumo pela pequena cidade.

Entretanto, o legado mais impactante que Nanda me deixou foi que as pessoas são fundamentais em nossa vida de viajante. Ela entrava nas lojas, sorveterias, restaurantes e conversava com as pessoas, perguntava coisas, interagia.

Eu só observava encantada, encaixotada dentro de minha timidez. 

Viajar pelo Mundo
Caraíva nas duas fotos de cima. Embaixo: Bariloche e Foz do Iguaçu

Viajar pelo Mundo
Léo e eu caminhando mundo afora
Essas foram as primeiras sementes plantadas em minha vida de viajante. Até que apareceu Léo e fez tudo isso germinar e amadurecer. Com ele fui fazendo ajustes, até sedimentar em mim a forma como eu viajo hoje.

Com Léo fiz snowboarding pela primeira vez, fui conhecer o Deserto no Atacama, fomos ao Japão, Ilha de Páscoa e à Rússia. Visitamos praias lindas como Caraíva, Jeri e Maragogi. Ouvimos flamenco em Sevilla e tomamos banho árabe em Córdoba. 

Desbravamos pequenas cidades como Girona e Verona e cidades grandes como Londres e Cidade do México. Vimos inúmeros jogos de futebol. Corremos provas de corrida de rua mundo afora. Comemos ostras em Floripa e bandeja paisa na Colômbia. 

Diminui ritmo, ansiedade e bagagem. Aprendi a apreciar, viver, curtir, conversar. Com Léo transformei-me em uma viajante melhor, mais atenta, mais observadora, mais generosa. Espero que possamos percorrer ainda muitos outros quilômetros juntos. 

Viajar pelo Mundo
Lisboa

Entendi que sou visitante e que estou ali para descobrir, aprender, conhecer. Para isso, exercito a capacidade de observar, sem críticas ou censuras. Percebi que a troca só vai existir se eu respeitar o país que está me acolhendo naquele momento. 

Eu ainda tenho muito, muito a aprender. A cada viagem, me torno uma viajante distinta, um ser humano melhor porque estou sempre mudando as minhas interpretações e visões, aprendendo algo novo. Posso afirmar que sou uma colcha de retalhos em constante construção e adaptação. 

A todas essas pessoas especiais que me ensinaram alguma coisa sobre essa arte que é viajar, nesse fim de 2016, meu MUITO obrigada! Que todos nós possamos trilhar mais e mais quilômetros mundo afora. 

Feliz 2017 a todos!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O GROTE Markt de HAARLEM e seus séculos de existência:

Grote Markt Haarlem Holanda
Grote Markt
Deixamos Corrie ten Boom e sua impactante e emocionante história para trás e seguimos para o icônico Grote Markt para nos misturarmos à poeira secular de seu solo.

Nessa praça vibra o coração de Haarlem, onde moradores e turistas se encontram e onde há um ir e vir constante de pessoas: caminhando ou em bicicletas. Aos sábados e as segundas-feiras acontece o mercado de rua, a feira, onde muitos moradores fazem as suas compras. 

Grote Markt O que visitar na Holanda Haarlem
Caminhando pelo Grote Markt

Grote Markt O que visitar na Holanda, Haarlem
Grote Markt
O Grote Markt mudou muito pouco ao longo dos séculos. Antigamente, por exemplo, os transeuntes pisavam em solo de terra batida. Hoje caminhamos por charmosas pedrinhas retangulares em discretas cores que combinam com os edifícios em volta da praça.

A arquitetura antiga dos prédios é belíssima. Quando ali estivemos, era outono e a temperatura estava agradavelmente fria. O Grote Markt estava movimentado com gente atravessando em todas as direções e nós gastamos um tempo ali, só caminhando, observando, absorvendo. 

Grote Markt O que visitar na Holanda Haarlem
Grote Kerk no Grote Markt

Grote Markt O que ver em Haarlem Holanda
Prefeitura de Haarlem - Grote Markt

Grote Kerk, o Vleeshalo e o Verweyhal no Grote Markt O que ver em Haarlem Holanda
Grote Kerk, o Vleeshal, e o Verweyhal no Grote Markt

Grote Markt o que ver em Haarlem na Holanda
Laurens Janszoon Coster no Grote Markt
Em torno da praça há cafés e restaurantes com mesas ao ar livre e prédios históricos de peso como a igreja gótica – Grote Kerk, construída entre os séculos XIV e XV e o prédio da prefeitura – Stadhuis - que data do século XVII.

A primeira menção à igreja que se tem notícia, é do século XIV, mas a sua estrutura de madeira pegou fogo neste mesmo século. Apenas no século XVI tornou-se catedral. É uma igreja protestante. Händel e um Mozart de apenas 10 anos de idade tocaram na Grote Kerk.

Também no Grote Markt estão o Verweyhal (Museu de Arte Moderna), antigo clube de cavalheiros, construído no século XIX e o Vleeshal, local onde funcionava o mercado de carnes da cidade (Exibições temporárias e arte contemporânea) - século XVII. O prédio Hoofdwacht, do século XIII era onde a guarda civil se reunia. 

Na praça encontramos ainda a estátua de Laurens Janszoon Coster, um sacristão que viveu em Haarlem no século XV, a quem se atribui a invenção da imprensa, embora atualmente haja dúvidas quanta a este fato. Ainda assim, sua estátua está ali desde a segunda metade do século XIX. 

Grote Markt O que ver em Haarlem Holanda
Grote Markt de Gerrit Berckheype 

Grote Markt O que ver em Haarlem Holanda
Fim de tarde Grote Markt

Grote Markt o que ver em Haarlem Holanda
Café Studio
Gênios da pintura durante variados séculos imortalizaram o Grote Markt, a exemplo de Gerrit Berckheype (Haarlem, 1638 – 1698) e seu Grote Markt of Haarlem de 1693, hospedado na Galleria Uffizi de Florença.

Esses belos quadros nos dão a dimensão do quanto o Grote Markt foi preservado e conservado com o passar dos anos, mudando apenas um bocadinho da nada, e acho isso simplesmente fantástico!

Mas, apesar de sua velhice, a atmosfera local é jovem e vibrante. Moderna e alegre. Foi aqui que nós nos despedimos de Haarlem, depois de vermos outras coisas pela cidade, jantando no Café Studio, em uma mesa ao ar livre - Grote Markt 25, onde comemos sanduíches e dissemos adeus a cidade.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A casa de CORRIE ten BOOM em HAARLEM, Holanda:

A casa de Corrie Ten Boom Haarlem o que ver na Holanda
A casa de Corrie Ten Boom
Corrie é uma sobrevivente dos campos de concentração nazistas. Entretanto, a história dessa holandesa é muito mais forte e importante do que sua própria sobrevivência: ela e sua família ajudaram a salvar centenas de judeus durante a segunda guerra. A casa de Corrie ten Boom em Haarlem não deixa que a coragem dos Ten Boom se perca no esquecimento do tempo. 

A casa de Corrie Ten Boom Haarlem o que ver na Holanda
Corrie Ten Boom
Cornelia Johana Arnolda Ten Boom (1892-1983) foi uma heroína da resistência e ajudou a esconder judeus em sua casa, antes de coloca-los em uma rota de fuga para escaparem das garras dos Nacional-socialistas.
Corrie nasceu em Amsterdam, mas logo a família mudou-se para Haarlem, onde puderam dar continuidade ao negócio da família: relojoaria.
Nosso encontro com a história de Corrie em Haarlem começou na sala de visitas de sua casa, onde o guia nos contou a trajetória dessa heroína e de sua família, católicos, que colocaram em prática as máximas da religião como amor ao próximo, bravura e generosidade. A narrativa durou cerca de meia hora e foi cheia de emoção.

A casa de Corrie Ten Boom Haarlem o que ver na Holanda
A casa de Corrie Ten Boom - Corrie Ten Boomhuis
Muitos judeus passaram pela casa do Ten Boom; alguns eram realocados rapidamente, mas outros ficavam por mais tempo. Houve momentos de sufoco, a exemplo de quando Nollie (irmã de Corrie) foi presa por quatro semanas acusada de esconder judeus

Devido ao perigo de a Gestapo fazer uma busca, todos deixaram a casa, mudando-se para lugares mais seguros, alguns retornando três semanas depois. A tensão era constante, o silêncio na casa devia ser cuidadosamente respeitado.

A família Ten Boom foi denunciada e enviada a Campos de Concentração em 1944, na Holanda e Alemanha, onde apenas Corrie sobreviveu para contar essa história triste e amarga, mas que envolve também muito amor.

A casa dos Ten Boom ficou conhecida como o Refúgio Secreto e após ser libertada do campo, essa holandesa corajosa escreveu sua biografia, que leva esse nome, e contou sua história pelos quatro cantos do mundo.

A casa de Corrie Ten Boom Haarlem o que ver na Holanda
O compartimento secreto na casa de Corrie Ten Boom
Depois de aprendermos um pouco a respeito dos rumos que Corrie percorreu durante os períodos negros da invasão alemã do território holandês, o guia nos levou para conhecer a casa e onde os refugiados ficavam escondidos, antes de serem transferidos para outros locais, escapando assim da polícia nazi.

Era um compartimento estreito e secreto, sufocante, escondido atrás de um armário, situado em um dos quartos.

Foi uma visita impactante e ao mesmo tempo emocionante ao perceber que em meio ao terror, em meio ao medo, pessoas souberam ser destemidas a ponto de colocar sua própria vida em risco para ajudar pessoas desconhecidas.

Corrie viveu por 91 anos.

O recorrido terminou na lojinha onde nós compramos o filme e o livro The Hiding Place. 

A casa de Corrie Ten Boom Haarlem o que ver na Holanda
A casa de Corrie Ten Boom e os horários
A entrada é gratuita, com número limitado de pessoas e sempre acompanhados de um guia. A visita é feita em inglês e dutch e sugiro chegar cedo, nos primeiros horários.

Quando nós visitamos havia poucas pessoas e pudemos nos sentar confortavelmente para ouvir a narrativa do guia.

Horário de funcionamento: 10am – 4pm de terça-feira a sábado entre os meses de Abril e Outubro. 11am – 3pm de terça a sábado entre os meses de Novembro e Março.

Endereço da Corrie tem Boomhuis: Barteljorisstraat 19; site: corrietenboom.com onde tem um tour virtual da casa e outras informações sobre como visitar o Corrie Tem Boom Museum. Aceitam reserva com cinco dias de antecedência.

Nós visitamos a Holanda em Outubro de 2013

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

HAARLEM, como CHEGAR desde AMSTERDAM, Holanda:

Holanda Cidades Haarlem
Em frente ao Ibis Hotel
O dia amanheceu gelado e não bastasse isso, neblinado. Eu gosto muito desse clima cinzento, pois me remete aos inúmeros romances que li ao longo da vida: sinto-me uma personagem prestes a viver muitas aventuras e ter um final feliz (ou não!). 

Às 8:00 da manhã já estávamos na porta do Ibis Hotel esperando o ônibus que nos deixaria no aeroporto. Ele saiu cheio e o trajeto levou cerca de 9 minutos. 

Aeroporto Internacional Schiphol Amsterdam Holanda
Aeroporto Internacional Schiphol

Estação de trem de Haarlem Holanda
Estação de trem de Haarlem

Estação de trem de Haarlem Holanda
Estação de trem de Haarlem

Estação de trem de Haarlem Holanda
A romântica estação de trem de Haarlem

Estação de trem de Haarlem Holanda
Estação de trem de Haarlem - café da manhã

Estação de trem de Haarlem Holanda
Estação de trem de Haarlem - café da manhã
No Aeroporto Internacional Schiphol, nós compramos bilhetes de trem nas máquinas que aceitam dinheiro (há aquelas que só aceitam cartão de crédito local e também há bilheterias), 4 euros cada ticket, cada trecho. Mais ou menos meia hora depois chegávamos na estação de Haarlem.

A estação à primeira vista parece meio deprimente, meio suja, mas dura somente um rápido piscar de olhos. Francamente ela é um maravilhoso e charmoso exemplar de uma antiga estação.


A primeira estrada de ferro da Holanda liga Amsterdam a Haarlem e foi inaugurada em 1839. Cerca de três anos depois a Haarlem Station foi construída. Ganhou sua atual aparência Art Nouveau após uma reforma no início do século XX. 

Na estação tomamos café da manhã: macchiato (1,75) sanduíche de queijo (3,00 euros), framboesa (3,00 euros), comprados no Albert Heijn. Comemos na própria estação, em um banco duro, em frente aos trilhos do trem. Para mim, aquele momento foi pura poesia!

Haarlem O que visitar na Holanda
Haarlem

Haarlem O que visitar na Holanda
Haarlem

Haarlem cidades na Holanda
Haarlem

Haarlem cidades para visitar na Holanda
Haarlem

Haarlem cidades para visitar na Holanda
Haarlem

Haarlem cidades para visitar na Holanda
Haarlem

Haarlem cidades para visitar na Holanda
Haarlem

Haarlem
Haarlem - estacionamento de bicicletas
Haalem é adorável! Ademais, ela é escancaradamente, despudoradamente linda! Não obstante os canais e a arquitetura familiares, ela lembrou-me muito pouco Volendam ou mesmo Edam, cidades que visitamos no dia anterior.

Capital financeira da Holanda do Norte, ela é a oitava maior cidade do país. Apesar de ter várias indústrias, Haarlem em nada lembra uma cidade industrial.

Tornou-se cidade no século XIII e sobreviveu a saques praticados pelos espanhóis e uma série de incêndios, mas não sem forte impacto financeiro. Demorou mais de um século para que Haarlem se reerguesse e voltasse a prosperar. No entanto, não perdeu seu ar de cidade pequena, charmosa.

Os edifícios me pareceram mais monocromáticos, mais largos também. As árvores já mostravam as apaixonantes cores de outono, minha estação do ano favorita, que me endereça a renovação, transformação. Gosto de mudanças.

Claro que aqui também as bicicletas são onipresentes: como meio de transporte e como motivo decorativo da cidade. Não foi preciso esforço algum para que eu me sentisse em casa, absolutamente confortável caminhando pelas ruas em direção ao Corrie ten Boomhuis, nossa primeira visita em Haarlem. 

Na próxima publicação, eu conto tudo sobre este lugar que merece nossa atenção. 

domingo, 25 de dezembro de 2016

Algumas CIDADES portuguesas:

Cidades Portuguesas
Cidades Portuguesas
Portugal é um país pequeno e por conta disso, cometi o equívoco de pensar que as cidades portuguesas eram todas parecidas e que não possuíam personalidade ou identidade própria. O país tem as fronteiras mais antigas da Europa e talvez daí tenha derivado minha perspectiva. Contudo, descobri que não poderia estar mais enganada.
Cada uma das cidades que visitamos carrega individualidade e características marcantes. Em comum, todas elas eram bem diferentes de outras cidades europeias que já visitei, fazendo com que constantemente eu esquecesse que estava no velho continente.
Porto, Sintra, Évora, Lisboa e Óbidos possuem natureza e propriedades únicas.

Porto Portugal O que visitar
Porto
No Porto encontrei a mais bela arquitetura. A cidade tem um semblante que mistura simplicidade com certo ar blasé, indiferente, de quem sabe o que significa e não dá muita importância. Acho que essa atmosfera despretensiosa me conquistou no primeiro instante.
Talvez a mistura de influência celta e moura, povos que passaram por essas terras tantos e tantos séculos atrás, antes de Portugal nascer, sob as mãos de D. Afonso I, tenha dado o tom do Porto acentuado por tantas e diferentes batalhas e disputas nos anos seguintes, ou pela intensa atividade mercantil. 
Ou talvez sua tez venha da ideia de ter sido o presente de um pai - Rei Afonso VI - para sua filha D. Isabel, por ocasião de seu casamento com D. Henrique de Borgonha. 
As pessoas no primeiro momento parecem sérias e muito formais, exercendo seus papeis sociais e profissionais, mas logo percebi que apenas um sorriso e uma pergunta abriam a torneira para uma enxurrada de simpatia, muitas palavras vertidas e interessantes histórias. Eu me deliciava!
Porto é famosa principalmente por seu vinho, único, de sabor forte e adocicado, mas posso afirmar que a cidade tem muito mais a oferecer. Ela mostra, sem pudor algum, suas rugas, marcas essas de quem já viu e viveu muita coisa. É uma cidade que apresenta muitas caras, dependendo de onde a observemos, é múltipla.

A partir do século XVII, se estendendo até o tumultuado século XIX quando aconteceram as invasões francesas, a cidade viu intensa atividade arquitetônica que deram a aparência que conhecemos hoje, sendo que no século XX  foi classificada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Sintra Portugal O que visitar Algumas cidades Portuguesas
Sintra
O Centro Histórico de Sintra está muito bem preservado e é em busca dele que nós visitantes seguimos, ávidos por conhecer seus palácios e castelos, que parecem recém construídos, de tão bem conservados que estão, mas em verdade, possuem séculos de idade.

As pessoas em Sintra desempenham muito bem seus personagens com presteza, simpatia, eficiência e muitas vezes com curiosidade. Eles costumam classificar a nós turistas: os japoneses são assim, os brasileiros assado, os franceses gostam disso, os americanos daquilo, enquanto os alemães se comportam dessa maneira.

Eu achei simpático, pois assim, eles buscam oferecer os melhores serviços, embora muitas vezes cometam equívocos ao classificar os povos.

Sintra possui uma paisagem interessante que mistura natureza exuberante com bela e encantadora arquitetura, que nos leva a um mundo meio mágico, onde seres de outros mundos observam o nosso ir e vir.

A Vila de Sintra é referenciada em documentos mouros, quando a região fazia parte do Gharb al-Andalus, padeceu com a peste negra que assolou a Europa, teve alguns de seus filhos participando das grandes explorações marítimas, sofreu estragos e mortes com o terrível terremoto de 1755.

Foi lugar de inspiração, onde residiram e/ou trabalharam importantes artistas portugueses, como Eça de Queirós. O século XX é marcado pela urbanização da cidade.

Évora, Portugal Cidades o que visitar
Évora
Évora foi uma surpresa das mais agradáveis! A cidade parece monótona à primeira vista, com seus tons de amarelo e branco, constantes em sua arquitetura, mas ela, em verdade, é maravilhosa.

As cores de seus edifícios têm significado: o branco para refletir os raios solares tão quentes nessa região e o amarelo da base, para confundir os insetos para que eles não entrem nas casas.

Suas ruas, que parecem não ter lógica alguma, serpenteiam entre os edifícios, onde parte da diversão é entrar pelas vielas e descobrir o que encontramos em seguida.

Évora mantém pequenas joias de seu passado, numa mescla de idades, funções e estilos, quebrando a aborrecida uniformidade de sua aparência. A gastronomia local fez com que me sentisse em casa.

Aqui nós tivemos as melhores experiências gastronômicas, fomos vítimas de gentilezas sem conta, de conversas deliciosas, inesquecíveis, mas encontrei um povo discreto, que é preciso tato e cuidado para quebrar as primeiras e segundas camadas. Uma vez feito isso, somos agraciados com lembranças memoráveis.

Foi muito confortável para nós estar em Évora, Patrimônio Cultural da UNESCO: caminhamos tranquilamente pelas ruas, subindo e descendo, muitas vezes acompanhados apenas do silêncio.

Muitos povos deixaram suas marcas nessa charmosa cidade: os Celtas passaram por essas terras há mais de 20 séculos e talvez daí vinha o nome Évora. Os Romanos dominaram a região logo em seguida e nos deixaram de presente o Templo Romano. Visigodos e Mouros habitaram Évora nos séculos seguintes e fortificaram a cidade. 

Lisboa, Portugal Cidades o que visitar
Lisboa
Lisboa é complexa. Não foi fácil entender, aceitar e gostar da capital portuguesa, em parte por conta da confusão causada pela ansiedade e frenesi dos inúmeros turistas, em parte estimulada pela irritação dos lisboetas com a recente invasão de sua antes pacata cidade. Eles conseguem ser, muitas vezes, secos e até rudes.

Entretanto, Lisboa é linda. Sua beleza conseguiu atravessar os tempos e sob o verniz das eras modernas, ela mantém seu ar artesanal, arcaico e acho que aí está todo o seu charme.

Sua fisionomia varia entre o elegante e o simplório. Lisboa tem personalidade forte, um passado de glórias e um presente de autodescoberta. Gregos, Fenícios e Romanos estiveram em Lisboa muito antes de nós, assim como Visigodos e Mouros. Dessa mistura interessante nasceu essa cidade embaraçada e labiríntica.

No século XIV, como em muitas outras cidades medievais, surgem em Lisboa as ruas com os nomes de várias profissões: Rua do Ouro (ourives), Rua dos Sapateiros, Rua da Prata (por causa dos joalheiros que trabalhavam a prata) ou Rua dos Retroseiros (que vende bordado e artigos para costura - armarinho), que nos dão uma ideia de como era a organização social da época.

Daqui partiram corajosos homens que se lançaram ao mar em busca de rotas de comércio alternativas e novos mundo, transformando Portugal no Império mais poderoso do mundo durante muitos e muitos anos.

Talvez o momento mais dramático da cidade, e que me parece reverbera até hoje, tenha sido o grande terremoto que destruiu Lisboa, acompanhado de um maremoto e um incêndio.

"Enterrem os mortos e alimentem os vivos", teria dito o Marques de Pombal que se lançou ao trabalho de reconstruir Lisboa. Até hoje encontramos traços, fortes, da reconstrução pombalina que marcou o renascimento da capital.  

O século XIX foi prodigioso para as artes: nasce o fado, o teatro de revista, as obras de escritores como Camilo Castelo Branco e marca a industrialização do país, tendo Lisboa como principal abrigo das indústrias.

A capital de Portugal é exemplar único. 

Vila de Óbidos, Portugal Cidades o que visitar
Vila de Óbidos
Óbidos é puro charme. Podemos dizer que a vila é apenas uma rua, mas a sua graça está nos pormenores, no tempo que gira em outro ritmo, na delícia de estar, apenas estar. Seu traço mais marcante é a muralha que a circunda, mas não é só isso.

Sua história é puro romantismo: ela foi dada de presente para Isabel de Aragão pelo rei Dinis, em ocasião do casamento. O cenário não mudou desde então; as intervenções modernas não alcançaram, pelo menos não de forma significativa, a velha Óbidos.

Cidades portuguesas: Porto, Sintra, Évora, Lisboa, Óbidos
Cidades portuguesas: Porto, Sintra, Évora, Lisboa, Óbidos
A gastronomia é completamente distinta entre as cidades, mesmo quando o prato oferecido, como o onipresente bacalhau, é o mesmo: a diferença de tempero pode ser sutil ou não, mas está ali, presente. Em comum, a culinária  portuguesa costuma ser deliciosa em todo canto.

O tratamento dispensado nos diversos lugares também variou bastante entre as cidades desde a quase intimidade até um discreto desprezo.

A arquitetura e atmosfera não poderiam ter diferenças mais profundas. Nenhuma cidade que visitei é verdadeiramente cosmopolita, mas o ritmo de cada uma, refletido na maneira como as pessoas caminham, como se comunicam, como exercem o dia a dia e interagem com os visitantes é muito distinta em cada uma delas.

As cores também mudam de cidade para cidade: Óbidos sempre vai me remeter ao azul, enquanto obviamente que ao pensar em Évora o amarelo irá predominar. Sintra, para mim, tem traços de verde, de amarelo, vermelho e cinza.

Porto me lembra o vermelho terral com toques aqui e acolá de tons pastel. Já Lisboa me pareceu mais colorida, embora não em tons intensos e sim mais gastos, mais pálidos.

Porto tem frescor, vivacidade, energia e vigor, enquanto Lisboa ecoa impaciência e sofreguidão. Óbidos é tranquilidade e silêncio. Évora é serena e pacata, apesar de jovial em certa medida.  Sintra tem ares de realeza e altivez.

As cidades portuguesas guardam profundas diferenças entre elas, mas possuem similaridades também como por exemplo o relacionamento deles com o horário.

Por todos os lugares que passamos esse quesito me pareceu apenas um parâmetro, que não deveria ser necessariamente cumprido. A pontualidade não é exigida. 

No posto de informações turísticas fomos informados que a visitação de um determinado ponto de nosso interesse encerrava-se às 19 horas. Sendo assim, deixamos nossa ida ao referido lugar para o fim do dia. 

Qual não foi nossa surpresa ao chegarmos lá e nos depararmos com um cartaz que indicava os horários e ali estava dito que o encerramento dava-se às 18 horas, ou seja, já estava fechando. Frustradíssima, demos a volta e uma senhora na portaria nos disse que não, que o lugar podia ser visitado até às 20 horas, para o meu alívio. 

Em outra cidade, um museu indicava que iniciava seu funcionamento às 10 horas da manhã. Com o tempo muito apertado mas com vontade de conhecer o pequeno acervo, me posicionei na entrada do museu às 09:50.

Entretanto, a jovem funcionária só chegou às 10:15, sorriu amavelmente, me disse para esperar um pouquinho que já, já ela abria e fechou a porta. Resultado? Não consegui visitar.

Em comum, em todos os cantos, notamos também certa lógica curiosa no item comunicação: ao perguntarmos em uma loja, quanto custava um cartão postal, a resposta foi, não custa. Silêncio. Enquanto Léo não perguntou se poderia pegar um, nada foi dito. À sua pergunta, a moça sorriu e disse: claro, claro.

Fomos até a bilheteria de uma estação comprar bilhetes de trem e perguntamos: como fazemos para comprar passagens de trem? Vem aqui e compra, foi a resposta que o senhor nos deu.
Em muitos lugares vimos referência ao Multibanco e, curiosos, nós perguntamos a uma senhora em uma cafeteria: o que é o Multibanco? Ora, o Multibanco, é o Multibanco, respondeu-nos ela. 
Costumeiro também, a mania de usar diminutivos, de considerarem Portugal aquém de outros países no continente, mas sem permitir que qualquer outra pessoa intervenha nas querelas deles e doces excepcionalmente gostosos!
Enfim, a verdade é que Portugal é deliciosamente mais diverso e interessante do que eu poderia esperar.