terça-feira, 31 de janeiro de 2017

MOSTEIRO da Serra de PILAR em Vila NOVA de GAIA, Portugal:

O que ver em Porto, Portugal

A manhã já estava dizendo até logo quando finalmente terminamos a nossa travessia pela Ponte de D. Luís I, chegando então à Vila Nova de Gaia, cujo objetivo era visitar o Mosteiro da Serra de Pilar.

A cidade de Vila Nova de Gaia está face a face com Porto, onde ambas se miram e cujas vidas das duas cidades se confundem, ligadas por um patrimônio comum: o famosíssimo vinho do Porto, embora não apenas por isso.

Muitas pessoas trabalham no Porto e moram em Gaia, onde soubemos, o custo de vida é mais baixo. Formada por duas povoações distintas: Gaia e Vila Nova virou município apenas em 1984. Antigamente, os burgueses do Porto possuíam do outro lado do rio, quintas e casas de férias.
O que ver em Porto, Portugal
Teleférico de Gaia

O que ver em Porto, Portugal
O rio Douro passando suavemente por Gaia e Porto - detalhe da plataforma do Teleférico de Gaia

O que ver em Porto, Portugal
A plataforma do Teleférico de Gaia

O que ver em Porto, Portugal
Porto, um pedaço da Ponte de Dom Luís I e ao fundo a Torre dos Clérigos e a Sé
Em Vila Nova, viramos à direita logo após a ponte, onde está o Teleférico de Gaia e de sua plataforma tivemos acesso a novo panorama do Porto, do rio Douro e da Ponte, conseguindo inclusive avistar a Sé e a Torre dos Clérigos, dois cartões postais do Porto.

Perdemo-nos nas brumas das sensações criadas pela contemplação das duas cidades vislumbradas do alto e ao longe, por alguns longos minutos. Precisamos nos obrigar a entrar em movimento novamente, porque o tempo em momentos assim nos escapa.

Em princípio tínhamos a intenção de descer no teleférico, mas a alma andarilha falou mais alto e durante todos os dias em que as estivemos visitando, utilizamos nossas pernas para explorá-las. 
O que ver em Porto, Portugal
Vila Nova de Gaia à esquerda e Porto à direita

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Porto

O que ver em Porto, Portugal
A Ponte de Dom Luís I que liga Porto à Gaia

O que ver em Porto, Portugal
A Ponte de Dom Luís I e Porto

O que ver em Porto, Portugal
A beleza nada perfeita do Porto
De Gaia, adoramos e reverenciamos mais uma vez Porto, que é bonita sem dúvida, mas está longe de ser uma beleza clássica, sóbria, tradicional ou sofisticada. A sua confusão de cores, geralmente pálidas, e estruturas, muitas vezes amontoadas, formando eventualmente um cenário caótico, é peculiar, seguramente, atraente, com certeza, mas que reinventa o conceito de beleza. Porto significou para mim uma reconstrução de valores, de poemas e de sentidos.

Porto é informal, tem uma leveza constante no ar, talvez advinda dos ventos que sopram do Rio Douro e impregnam ruas e casas, pessoas e almas. Os fragmentos que vimos da cidade, beijando o rio, foram responsáveis por produzir muitas sensações e percepções distintas. 

Ela possui mais imperfeições do que seria tolerável em algo bonito e ainda assim ela é uma cidade surpreendentemente linda! O antigo em Porto tem cara de velho e vivido, mas não tem aparência de antigo, embora, claro, o seja. Além disso, a cidade tem muitas caras.
O que ver em Porto, Portugal
O Mosteiro da Serra de Pilar

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Vila Nova de Gaia

O que ver em Porto, Portugal
Vila Nova de Gaia - Subindo para o Mosteiro

O que ver em Porto, Portugal
Mosteiro da Serra de Pilar - forma de coroa real

O que ver em Porto, Portugal
Vila Nova de Gaia vista do Mosteiro

O que ver em Porto, Portugal
O Mosteiro e o pátio 

O que ver em Porto, Portugal
O pátio do Mosteiro é um miradouro de muito valor
Seguimos então para o Mosteiro da Serra de Pilar, que data do século XVII e possui formato circular semelhante a uma coroa real. Ele está situado em um ponto mais elevado que o Teleférico de Gaia, no alto de uma colina.

O seu grande pátio é um miradouro esplêndido, de onde temos acesso a outras perspectivas do rio Douro, da ponte e do Porto, bem como de Vila Nova de Gaia. Havia poucos turistas e moradores passeando por ali, o que nos deixou sossegados para observarmos a paisagem.

O Mosteiro pertence ao Exército português e podemos visita-lo pagando 1 euro. Curiosos que somos, entramos.

O que ver em Porto, Portugal
Túmulos do século XIX no Mosteiro da Serra de Pilar

O que ver em Porto, Portugal
O claustro do Mosteiro da Serra de Pilar
Em uma sala vimos uma exposição de imagens dos principais monumentos portugueses do norte do país, intitulada Patrimônio do Norte: castelos, museus, sítios arqueológicos e catedrais. Portugal tem uma cultura muito rica e preservada.

Em seguida fomos ao claustro: tenho uma atração especial por essa área, que no Mosteiro da Serra de Pilar é pequeno e modesto. Ali encontramos, além de túmulos do século XIX, uma pedra, possivelmente feita para a Catedral de Gaia, com inscrições em relevo, pequeníssimos caracteres góticos, situando a pedra no século XV: “Eu vejo e ouço, eu sofro e calo, pelo tempo que me acho”.

Há, ademais, uma estátua em tamanho natural de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, de 1139 até sua morte em 1185 aos 76 anos de idade, apelidado de "o Conquistador".

Assistimos então a um vídeo de 12 minutos sobre Porto, contendo belíssimas imagens de toda a região norte do país. Valeu muito ter assistido ao filme para conhecer um pouco sobre essa zona.

O que ver em Porto, Portugal
Rua do Cassino da Ponte em Vila Nova de Gaia - voltando para o Porto
Não avançamos por Gaia além de suas bordas, pois nada do que lemos ou ouvimos indicava que valia à pena nos aventurarmos em incursões pela cidade. Além disso, eu estava completamente seduzida por Porto e queria ver o que mais ela tinha para me mostrar.

Assim, saímos do mosteiro, pegamos a Rua do Cassino da Ponte, passamos pela Ponte de Dom Luís I por baixo e voltamos ao Porto, chegando no Cais da Ribeira, onde fomos almoçar

domingo, 29 de janeiro de 2017

A PONTE de Dom LUÍS I, Porto, Portugal:

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.

Acessamos a ponte de D. Luís I através da atraente Avenida Vímara Peres com seus belos casarões cheios de estilo e personalidade forte. O dia seguia frio, com céu azul, algum vento e movimento de turistas e tripeiros atravessando a ponte. 

Enquanto eles iam e vinham nós ficávamos por ali, com a vã ilusão de que conseguiríamos absorver todos os detalhes da vista magnífica que a Luís I nos proporciona, tanto do Porto quanto de Vila Nova de Gaia. 
Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A Muralha Fernandina vista da Ponte de Luís I


Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A Ponte de Dom Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A Muralha Fernandina, o Funicular dos Guindais e os Telhados do Porto
O primeiro item que avistamos quando chegamos à cabeceira da ponte foi a Muralha Fernandina, ou o que restou dela. Finalizada no reinado de D. Fernando, no século XIV, foi construída a pedido da nova burguesia que apareceu impulsionando a economia e prosperidade da cidade, reflexo das atividades marítimas e comerciais, porque suas casas estavam fora da antiga muralha, deixando-os desprotegidos.

A muralha Fernandina começou a vir abaixo por conta da necessidade urbanística do Porto de abrir novas ruas e avenidas, de levantar novos edifícios e construir praças, por causa do crescimento populacional e por ter perdido sua função militar. Isso aconteceu já no século XVIII.

Atualmente, esse pequeno pedaço sobrevivente corre paralelo à ponte e nos dá uma ideia de como era sua estrutura: curvilínea para acompanhar a geografia da cidade e com torres ao longo de sua extensão.

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A Ponte de Dom Luís I e a Muralha Fernandina

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Toda a exuberância da Ponte de Dom Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Na Ponte de D. Luís I só passam pedestres e o metrô 

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A Ponte de D. Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Vila Nova de Gaía à direita e Porto à esquerda

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Na Ponte de D. Luís I: Porto à direita e Vila Nova de Gaia à direita
Entramos na Ponte que foi erigida em fins do século XIX por um aluno de Gustave Eiffel. Ela é dividida em parte superior e inferior, sendo que na superior só é permitida a passagem do metrô e de transeuntes enquanto que na inferior passam carros e pessoas.

A construção da Ponte de D. Luís I teve um impacto significativo na vida dos habitantes do Porto e de Gaia por ter facilitado a travessia entre as duas cidades que era feita, até então, através de barcos amarrados uns aos outros, por um rio Douro mais rebelde do que é hoje.

Por não passar carros, cujo barulho dos motores e buzinas costumam sufocar todos os outros, podíamos ouvir outros sons, enquanto caminhávamos lentamente pela parte superior da ponte: os passos das pessoas, as conversas em diversos idiomas e acentos, os risos, o ruído suave do Douro e outras e indistintas melodias das cidades, que vinham de longe.

A ponte é extraordinária, onde seu desenho curvo e moderno contrasta com a secura do ferro. Ela é um dos cartões postais do Porto. Além disso, a ponte é um miradouro de muito valor. Dela podemos ver os relevos e estruturas das duas cidades, que se miram através do rio. Preciso confessar que achei Porto muito mais encantadora e magnífica do que Vila Nova de Gaia. 

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A parte superior da ponte de Dom Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
À esquerda está Porto e à direita Vila Nova de Gaia

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Porto com um pedaço da muralha Fernandina à esquerda e o funicular dos Guindais que liga as a parte alta da parte baixa do Porto.

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Vila Nova de Gaia do outro lado da ponte Dom Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A beleza do Porto - essa parte lembra sobremaneira Salvador na área próxima ao Elevador Lacerda

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Barcos que navegam o Douro

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Os rabelos ancorados em Vila Nova de Gaia
Levamos quase 1 hora para atravessarmos os menos de 400 metros da ponte de Dom Luís I, que leva esse nome em homenagem ao rei de Portugal e Algarves entre 1861 e 1889, quando morreu. Ele faleceu mais ou menos 1 mês antes de proclamarmos a República no Brasil, não assistindo portanto essa mudança no cenário político brasileiro. Assistiu, entretanto, a libertação de nossos escravos, no ano anterior.

Ele era conhecido como “o Popular” e investiu na cultura portuguesa e em projetos científicos. Era considerado um homem das ciências. Gostava de escrever e desenhar. A ponte foi concluída no penúltimo ano de seu reinado.

Seguimos até Vila Nova de Gaia, observando o deslocamento dos diversos barcos que navegam pelo Douro, olhando a estrutura charmosamente inclinada do Porto, a orla de Vila Nova de Gaia e os rabelos (barcos que transportavam o vinho do Porto) ancorados como parte indissociável da paisagem, além do teleférico subindo e descendo. 

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Rua Cassino da Ponte - em direção à parte inferior da ponte Dom Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A Ponte Dom Luís I e Porto sob nova perspectiva

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Cartão Postal do Porto

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Porto - beleza para todo lado
Recorte do Porto, com a Muralha Fernandina 

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Continuamos descendo

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
A ponte sob outro ângulo

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Parte inferior da Ponte de D. Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Ponte de Dom Luís I

Ponte de D. Luís I -  que ver em Porto, Portugal.
Parte inferior da Ponte de Dom Luís I
Depois de gastarmos algum tempo em Gaia, resolvemos seguir para o Cais da Ribeira atravessando a Ponte de D. Luís I por baixo. Entramos na Rua do Cassino da Ponte, logo abaixo do Mosteiro da Serra de Pilar e descemos uma ladeira, onde víamos Porto ir mudando de perspectiva, nos dando novos detalhes dessa bela cidade, que de qualquer ângulo estava se mostrando interessante.

A passagem de pedestres por baixo é estreita e às vezes pode causar um engarrafamento, mas nada que comprometa a nossa caminhada por essa parte da ponte. Chegamos então aos pés do Douro. Essa viagem eu conto logo, logo, em outro texto. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

Do Brasil para o JAPÃO:

Japão

Foi um longo caminho até chegarmos no Japão. Em determinado momento, eu já não sabia em que horário estávamos, nem muito menos o dia da semana. Foram 2 horas e meia até o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com 5 horas de conexão. Depois mais 10 horas e meia de voo até Londres com 5 horas de conexão em Heathrow.

Japão
Heathrow Airport

Japão
Full English Breakfast e almoço japonês nos voos da British Airways 
Pegamos então outro voo de 10 horas até o aeroporto de Narita. Em seguida, tomamos um trem de 1 hora até Tóquio, onde entramos em outro trem até Quioto, nosso destino final, em uma viagem que durou pouco menos de 3 horas e meia. Para completar, caminhamos cerca de meia hora até o hotel. A essa altura eu não sabia nem mais qual era o meu nome!

Japão
Desembarcando em Narita
Nós desembarcamos em Narita (província de Chiba), distante mais ou menos 60 quilômetros do centro de Tóquio, atravessamos um enorme terminal e chegamos à área de imigração. 
Uma senhora checou o papel que preenchemos no avião e nos guiou para uma fila única. Nesta fila, um senhorzinho muito sério encaminhava um a um para o próximo guichê disponível. Léo e eu fomos separados: cada um para um oficial de imigração diferente. 
No meu caso foi muito rápido: um jovem sorridente me atendeu, checou meu passaporte com o visto japonês, tirou uma foto minha com as olheiras batendo no pé, colheu minha digital eletronicamente e me deu as boas vindas. Léo, ao ser questionado onde ficaria hospedado, precisou apresentar o voucher do hotel.  
Descemos uma escada para chegar à esteira das malas, que já estavam ali. Nesse salão havia policiais com cães farejando as bagagens. Seguimos em frente para a última checagem onde nossa mochila de mão foi aberta e item por item foi retirado por um gentil funcionário do aeroporto, que pediu ainda para ver novamente nossos passaportes. Saímos então para o saguão principal.  

Japão
Japan Rail Pass
Ainda no aeroporto de Narita, nós passamos no posto de informações turísticas, como sempre fazemos quando desembarcamos em qualquer cidade, e aproveitamos para trocar um pouco de dinheiro em uma casa de câmbio: dólares americanos por ienes, moeda japonesa.

Em seguida validamos nosso Japan Rail Pass no centro de informações JR, onde foram emitidos nossos bilhetes e marcados nossos assentos no trem que nos levaria até Tóquio e no que nos deixaria em Quioto, bem como fomos informados sobre os números de plataforma e vagão.

Com os bilhetes JR em mãos, seguimos para a plataforma que o funcionário nos indicou para pegar o trem para Tóquio. Para acessá-la, tentamos inserir os nossos bilhetes na catraca para ter acesso à plataforma, mas nada acontecia.

Um funcionário então brotou do chão e, sem dizer uma única palavra, tomou as nossas passagens, as checou e nos encaminhou pela lateral. Portadores de JR Pass não passam pelas catracas, mas sim pela lateral, onde devemos apresentar o cartão e o passaporte.

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Trem de Narita para Tóquio

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Trem de Narita para Tóquio
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De Narita para Tóquio

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Esperando o trem em Tóquio para seguir para Quioto
Na plataforma só havíamos Léo e eu e todas as informações estavam apenas em japonês. Não tínhamos ideia de qual era nosso trem, apesar de haver uma composição parada naquela plataforma, com as portas abertas.

Léo então pensou, acertadamente, que estávamos no Japão e que a solução seria confiar no horário escrito no bilhete: 10 horas e 48 minutos. Como o relógio estava marcando 10 horas e 46 minutos, esperamos e de fato o nosso trem era o próximo. Aprendemos que pontualidade no Japão é coisa séria.

O trem era ótimo, moderno, confortável, espaçoso, com bagageiro acima de nossas poltronas. Rápido e muito silencioso. Levamos mais ou menos 1 hora até a estação de Tóquio. Lá tomamos o trem para Quioto, onde chegamos menos de três horas e meia depois. Shinkansen é a rede ferroviária de alta velocidade do Japão operada pelo JR Group.

Quando recostei a cabeça no trem, me dei conta do tamanho do cansaço que estava sentindo. Depois de dois dias de viagem estava exausta, mas feliz, muito feliz por ter finalmente desembarcado do outro lado do mundo.