sábado, 25 de fevereiro de 2017

O INÍCIO de tudo, RENÂNIA do Norte-VESTFÁLIA, Alemanha:

O INÍCIO  de tudo, RENÂNIA do Norte-VESTFÁLIA, Alemanha:

Em Junho de 2016, Léo e eu visitamos a região da Baviera, na Alemanha. Passamos cinco maravilhosos dias em Nuremberg, cidade linda e como muita história para contar, boa e típica gastronomia e de povo surpreendentemente simpático.

Além disso, passamos um dia em Dachau, visitando o primeiro Campo de Concentração construído pela Alemanha Nazi e finalizamos com uma agradabilíssima e muito interessante tarde em Munique

Alemanha
Renânia do Norte- Vestfália
Em Setembro do mesmo ano, resolvemos voltar à Alemanha. Algumas pessoas estranharam a razão de visitarmos um país duas vezes no mesmo ano. A resposta é muito simples: eu acredito que muitos países nos oferecem múltiplos destinos.

Sendo assim, pensamos que as diversas regiões alemãs guardam personalidade, identidade e profundas diferenças entre elas. Eu estava certa: Renânia e Baviera em nada se parecem uma com a outra. 
Alemanha
Site da Condor

Alemanha
O avião da Condor

Alemanha
Nosso mapa na Alemanha
O primeiro passo foi a compra das passagens aéreas. Mais uma vez voamos com a Condor, companhia aérea alemã, que estava em promoção e novamente pousamos em Frankfurt. 

Já tínhamos decidido que dessa vez iríamos nos ater à região da Renânia do Norte-Vestfália, mas tínhamos que definir as cidades e quantos dias gastaríamos em cada uma delas.

Essa parte, dessa vez foi fácil, diferente de outras viagens. Léo iria correr a maratona de Münster, então essa pequena e desconhecida cidade teria que entrar no roteiro. Além disso, queríamos conhecer Colônia e sua famosa Catedral e Bonn, por eu ter crescido enquanto ela era a Capital da Alemanha Ocidental.

A dúvida ficou entre Düsseldorf e Dortmund: pelo nosso estilo de viagem, mais lento, não conseguiríamos encaixar as duas, nos 15 dias que tínhamos disponíveis para visitar a região.

Pesquisando em blogs e guias sobre os atrativos de uma e de outra optamos por visitar a moderna Düsseldorf, capital da Renânia e assim, Dortmund ficou de fora. 

Alemanha
Bilhete de trem da Bahn - companhia de trens alemã (Trecho Düsseldorf - Bonn)
Como não iríamos sair da Renânia, não havia nem o que discutir no quesito relacionado a deslocamento interno. Para nós a melhor opção era ir de uma cidade a outra de trem. Até porque na Bavária já havíamos utilizado o mui eficiente sistema de trens alemão, então sabíamos que iria nos atender perfeitamente. 

Utilizamos o site da Bahn, companhia de trens alemã, para comprar todos os trechos e portanto, já saímos do Brasil com todo os bilhetes comprados. Uma vez efetuada a compra, imprimimos os vouchers para apresentarmos lá, ao ferromoço.

Sugiro alguns cuidados:

·             Ficar atento aos nomes das estações. Algumas cidades têm mais de uma estação de trem e já vi gente comprar para uma, ir parar em outra e perder o trem, precisando comprar novos bilhetes e mais caros;

·            Verificar se tem baldeação (conexão) e o tempo entre um trem e o outro. Às vezes é muito apertado e temos que correr mesmo, porque o trem não vai nos esperar;

·       Ter o voucher na mão para apresentar antes de entrar no trem, ou dentro dele, bem como o cartão de crédito que efetuou a compra e/ou o passaporte;

·       Comprar com uma folga larga. Por exemplo, quando chego a uma cidade e do aeroporto mesmo já vou pegar o trem, compro um horário acima de 3 horas do momento previsto para o pouso do meu voo, contando que pode haver atrasos. Faço o mesmo quando tenho que pegar um voo: prefiro pegar o trem muitas horas antes e ficar ociosa no aeroporto do que perder o voo.

Alemanha
Ibis em Colônia
Em seguida, começamos a reservar os hotéis. Na Renânia esse item também foi fácil, uma vez que tinha unidades Ibis, da Rede Accor, em todas as cidades que iríamos visitar e bem localizados.

Aliás, essa conta custo/benefício é que faz com que considere o Ibis como minha primeira opção de hospedagem sempre: localização + diária acessível + quartos padronizados no mundo todo. Gosto de saber o que vou encontrar no que diz respeito a hospedagem.

Em todas as cidades havia variedade de unidades do Ibis localizadas em diversos pontos das cidades e com valores distintos. Levamos em consideração se havia metrô próximo e o custo. Escolhemos e reservamos.

Em alguns deles, optamos por pagar no ato da reserva on line, pois havia desconto. Nas unidades em que não fazia diferença de valores para pagamento antecipado, optamos por pagar lá, no próprio hotel. 

Alemanha
Pesquisas em diversas fontes
Por fim, começamos a parte mais gostosa da viagem: as pesquisas. Aí recorremos a blogs, revistas, livros, amigos e guias impressos. Vamos formando nossas memórias primárias, antes de embarcarmos.

Gastamos dias e dias nessa imersão e Léo e eu vamos trocando impressões sobre o que atraiu, o que queremos ver, além de sentimentos iniciais. Eu adoro! Contudo, não criamos roteiros. Como uma cidade é viva, todo dia, ao acordarmos vamos decidindo o que fazer, diante daquele universo de atrações que pesquisamos e que já sabíamos que queríamos ver de perto. 

Além do que, não é incomum descobrirmos na cidade, pontos de interesse que nem sabíamos que existia. 

Alemanha
Pesquisas em diversas fontes
Nossa viagem então ficou definida assim:

Viagem: Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha;

Período: 02/09 a 18/09 – 2016;

Cidades Visitadas exatamente nesta ordem:
·      
·                     Colônia - 6 noites;
·                     Münster – 3 noites;
·                     Düsseldorf – 2 noites;
·                     Bonn – 2 noites;

Pousamos e decolamos de Frankfurt. Como tivemos que dormir uma noite nessa cidade por conta da hora do voo de volta, aproveitamos uma tarde passeando por ela.

Deslocamento entre as cidades: trem;

Material de pesquisa:

·       Revistas e guias:
o   Guia Lonely Planet;
o   Revista e Guia Viagem e Turismo;
o   Revista Viaje Mais;

·       Blogs:
o   Contando Destinos pela Aline. Ela sabe muito sobre a Alemanha, afinal mora lá há mais de 4 anos, e é uma fofa.

Tanto aqui quanto já na Alemanha, ela sanou algumas de minhas dúvidas e fez sugestões ótimas. A Li realmente fez diferença nessa viagem. Fora que o blog tem dicas ótimas sobre essa região.

Pesquisei em outros blogs também, mas o Contando Destinos foi o mais relevante para as pesquisas.

     Literatura:
  • ·       A Segunda Guerra Mundial de Antony Beevor, cuja leitura tinha iniciado antes de voar para a Bavária: muitas informações interessantes sobre a guerra, mas tem muitos detalhes técnicos e bélicos que tornam a leitura um pouco cansativa e muito lenta; 

  • ·       O Nazista e o Psiquiatra de Jack El-Hai. O livro fala do tempo em que o psiquiatra Kelley entrevistou o Marechal do Reich Hermann Göring, quando ele foi capturado ao final da guerra e levado para a um centro de detenção em Luxemburgo, à espera do Julgamento de Nuremberg. 

  • ·   Uma Providência Especial de Richard Yates que conta a história de Robertt Prentice que com apenas 18 anos é enviado para lutar na Segunda Guerra Mundial. O livro retrata suas inexperiências, imaturidade e com dificuldades de relacionamento. 

O resultado de tudo isso eu contarei ao longo das próximas semanas nas páginas no EPM. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

RENÂNIA do Norte-VESTFÁLIA para INICIANTES, Alemanha:

O que ver na Alemanha

A Renânia do Norte-Vestfália destruiu completamente a imagem e todos os estereótipos que eu tinha a respeito da Alemanha. Nos primeiros dias eu fiquei absolutamente confusa com tudo o que via, uma vez que as cenas e imagens que se descortinavam para mim, em nada coincidia com os clichês que habitaram o meu imaginário por toda a vida.

Essa região é uma união de províncias distintas, assim como suas trajetórias discordes, situada no Vale do Rio Reno. Há vestígios romanos por essas bandas, o que significa que essa é uma região bem antiga. É o estado mais populoso do país.

O que ver na Alemanha
Colônia

O que ver na Alemanha
Colônia
O primeiro tranco veio logo quando descemos do metrô, em frente ao hotel em Colônia, onde eu me deparei com alguns bêbados e psicos largados nas ruas e bares. Era uma linda manhã do fim do verão e eu fiquei chocada por não encontrar a perfeição e disciplina tão comumente associadas ao povo germânico.

Ao longo dos dias, entretanto, fui destroçando o que eu pensava que sabia buscando assimilar a realidade do que via, tentando entender o entorno dos lugares por onde passava, vivendo o que aquela região me oferecia, provando da vida que se desnudava diante de meus olhos de turista.

Percebi que a Renânia é uma região intensa, múltipla, uma combinação vasta de muitos elementos, sem identidade ou fidelidade a uma única referência, sem uma alma predominante, ao contrário, a Renânia é uma mistura complexa de muitos ingredientes e por isso mesmo confusa, dramática, marcante. 
O que ver na Alemanha
Dülsseldorf
A Renânia faz fronteira com a Holanda e Bélgica e sua capital é Düsseldorf. Colônia é a cidade mais populosa e Bonn a segunda sede do Governo Alemão, sendo que durante a Guerra Fria foi a capital da Alemanha Ocidental.

Eu já havia estado na Alemanha, alguns meses antes. Contudo, o clima, a atmosfera a energia... Tudo na Renânia era muito distinto do que havia vivenciado na Baviera.

Essa região carrega consigo modernidade: têm os dois pés no presente, no futuro, embora, claro, eu também tenha encontrado o passado ali, vibrando em outro compasso, cravado, agarrado, resistente ao passar dos anos, caracterizado principalmente na gastronomia que atravessou os séculos e nos prédios históricos que sobreviveram a guerras.

É mais fácil visualizar esse passado nas cidades menores, mas mesmo nelas, não pude fazer uma imersão total, pois a fenda pretérita sempre sofria interferência do atual, muitas vezes em atos de sufocamento.

O velho e o novo até convivem, mas não em total harmonia, formando em vez disso um cenário estranho, mal acabado, que não me agradou em muitos momentos.

O que fazer em Colônia, Alemanha
Colônia
Fiquei extremamente surpresa ao constatar que a Renânia tem cidades desprovidas de beleza, ruas feias, edifícios sem graça. Eu gosto de cidades caóticas, confusas, mescladas, mas não podia imaginar encontrar isso na Alemanha e custei a me acostumar.

Tudo isso, talvez, deva-se à quantidade de imigrantes habitando as cidades dessa região: são muitos e variados. A Renânia do Norte-Vestfália é acolhedora. Contudo, os povos não me pareceram unidos. Pelo contrário, não percebi etnias distintas convivendo.

Para ser justa, também não presenciei ou senti qualquer tipo de preconceito ou repúdio por parte dos alemães, talvez apenas em relação aos japoneses, com os quais demonstraram muita impaciência. As pessoas com quem conversei tampouco nos deram testemunho de qualquer coisa nesse sentido.

Conversando com um brasileiro em Colônia (há muitos conterrâneos nossos vivendo por lá), ele me disse que sua maior dificuldade ao mudar-se para a cidade foi lidar com a formalidade alemã.

Segundo o brasuca, já vivendo lá há mais de dois anos, eles não conseguem assimilar a coisa do “vamos ali tomar uma cerveja” sem antes agendar, marcar, validar, confirmar. Isso não deve ser fácil mesmo para um latino, informal, despachado, descontraído e relaxado entender e conviver. 

O que ver na Alemanha
Münster
Foi igualmente inesperado para mim, notar, depois de algumas conversas, que embora o Nazismo tenha nascido e crescido na Baviera, as feridas por esses lados parecem estar muito mais inflamadas.

Há um debate forte na sociedade sobre como encarar o passado. Uma parcela da população quer enterrá-lo de uma vez, deixar os mortos em suas covas e tumbas e seguir em frente.

Outra fração, entretanto, quer resgatar toda essa história, documentá-la e enfrenta-la argumentando que ela existiu, faz parte da realidade deles, de sua trajetória, ainda que orquestrada por outra geração.

O que parece ser um consenso, é que os mais jovens, onde estão os principais integrantes dessas querelas é que a Segunda Guerra não foi feita por eles então não se deve atribuir aos descendentes alemães qualquer tipo de incumbência ou encargo por ela. 

Outra questão que está nas ruas e que causa divergências, questionamentos, incertezas e posturas diversas é a questão do recebimento por parte do país dos refugiados de guerra, que tem chegado em grande quantidade à esta região, mas por enquanto esse assunto corre em silêncio entre a população. 

O que fazer em Aachen, Alemanha
Aachen
Causou-me espanto ainda, perceber o quanto os alemães da Renânia são gentis, simpáticos e conversadores. Inúmeras vezes fomos abordados e presenteados com maravilhosas conversas, que poderiam durar horas e horas se não tivéssemos muito a explorar nas cidades.

Assim foi com a bela senhora na recepção de um dos museus que visitamos, onde conversamos longamente sobre arte, com o jovem na prefeitura de uma das cidades que nos contou sobre seus sentimentos e de seus amigos a respeito da Segunda Grande Guerra. Contou-nos sobre sua namorada e os planos para o futuro com ela.

O que dizer do moço no restaurante que diante de minha indecisão sobre o pedido, atrapalhando a fila, foi paciente em me explicar as diferenças entre todos os pratos e foi muito feliz em sua sugestão.

Não posso deixar de comentar sobre um dos garçons em uma loja de doces que me presenteou com uma sobremesa ao saber que eu era brasileira. Tá certo, o moço era português e não alemão.

Posso, entretanto, atestar a extrema gentileza alemã na figura de um senhor que me interpelou em uma igreja perguntando se eu queria ajuda. Ficou muito tempo a conversar comigo sobre muitas coisas e se surpreendeu quando falei que estava sendo muito bem acolhida no país. Ele não considerava seu povo simpático.

Em outro museu, outra cidade, um moço aproximou-se e me deu dicas sobre o que fazer por lá e lugares que ele considerava imperdíveis para um visitante.

O alemão da Renânia fala alto, ri alto. Ele se diverte, bebe, reúne os amigos, viaja de trem, ajuda os turistas. O alemão da Renânia me encantou e me ensinou a não me prender a estereótipos. 

O que ver na Alemanha Bonn
Bonn

O que ver em Bonn Alemanha
Bonn
Encontrei beleza também na região, bem como caras mais sisudas, pessoas mais fechadas. Cada cidade visitada mostrou-me uma face, uma aparência completamente diferente uma da outra, enriquecendo a minha viagem e meu aprendizado. A cada novo desembarque encontrava uma cidade totalmente nova.

Aliás, a carga de informações diversas que eu recebia constantemente me deixava ao mesmo tempo enlevada e exausta. Frequentemente eu finalizava o dia exaurida, tentando absorver e assimilar tudo o que havia visto e aprendido. Afirmo, com muita convicção que a Renânia vale uma visita sem combinações, apenas ela e mais nada.  

O que fazer em Münster, Alemanha
Münster

O que fazer em Münster, Alemanha
Münster
Apesar do vigor e energia das cidades por onde passamos, encontramos também rasgos de silêncio, tranquilidade, onde a cadência girava em ritmo mais lento.

Há muita vida ao ar livre nessa região: as pessoas lotam bancos de praça, parques e jardins. Às vezes em grupos, outras sozinhos. Casais, famílias, amigos, idades diversas, barulhos distintos, risos, páginas de um livro passando, piquenique rolando...  

Na gastronomia encontrei os icônicos salsichões, chucrute e salada de batatas, mas encontrei também outros pratos, maravilhosos, que sequer sabia da existência. Já as cervejas que tanto me agradaram na Baviera, não foram tão apreciadas por mim aqui na Renânia. Ainda assim, foram um alívio para o calor. 

O que fazer em Bonn Alemanha
Bonn
Aprendi nessa viagem, que não é preciso amar um lugar para considerar a visita a ele significativa ou memorável. Uma cidade pode nos marcar de muitas maneiras distintas e foi isso que aconteceu entre a Renânia e eu.

Estivemos por lá no finzinho do verão e os dias ainda estavam fervendo. A temperatura me maltratou muito e foi duro sobreviver ao calor, mas em compensação, tivemos acesso a belíssimos dias, onde o céu azul compunha lindamente o cenário da Renânia.