sábado, 4 de fevereiro de 2017

A COMIDA no JAPÃO:

O que comer no Japão

Uma das maiores dificuldades que eu tive no Japão foi com relação à gastronomia. Eu até me considero aventureira no quesito experimentação de novos sabores, mas a comida no Japão colocou em xeque todo esse senso de aventura.

Eu amo a cozinha nipônica-brasuca: todas aquelas coisinhas deliciosamente cruas, os sushis e sashimis, mas o que encontramos no país do sol nascente não lembrava em nada as iguarias que me regozijam por aqui.

O jeito foi pesquisar, criar estratégias de adaptação e, claro, me divertir em todos os momentos, mesmo naqueles em que fui dormir com fome porque não conseguia comer o que estava diante de mim. 

O que comer no Japão
Mercados que salvaram minha vida

O que comer no Japão
Comida embalada com plástico facilitando a visualização
Com o tempo eu percebi o que me agradava e o que não adiantava tentar, pois tanto aroma quanto textura e sabores eram intoleráveis para mim. Até conseguir me entender com essa cozinha, surpreendentemente variada, demorou alguns dias.

Nesse meio tempo, os mercados locais me salvaram de morrer de fome e inanição, cuja comida, pronta, é embalada em plástico, o que me permitia visualiza-la, embora não conseguisse identificar todos os ingredientes: melhor assim, no final das contas. 

O que comer no Japão
Cumbucas com sopa, frango, arroz e salada

O que comer no Japão
Graças aos deuses pelas massas
Dei-me conta de que o item mais comum da culinária japonesa e, consequentemente, o mais barato, servido com temperos variados (muito ruins) em quase todas as refeições, era o arroz. Eu tentei bravamente gostar, ou pelo menos conseguir comê-lo, mas não foi possível de maneira alguma.

O frango também tinha uma aparência estranha, costumava ser servido com pele, tinha sabor esquisito e consistência desagradável para os meus parâmetros. Foi outro item da cozinha japonesa que aboli de minhas refeições enquanto estava no Japão.

Em compensação, as massas me cativaram. Não estão no mesmo patamar que as massas italianas, mas como salvaram minha existência e meu estômago, as guardo em um lugar especial de comidas favoritas da vida. Puramente emocional!

O que comer no Japão
Chá verde, arroz, frango e ovo meio cru por cima: muito ruim
Como tática de sobrevivência, aprendi como se falava arroz em japonês e em todo lugar apontava para imagem no cardápio, perguntando se havia arroz. Caso a resposta fosse afirmativa, seguia em frente para o próximo item do menu até encontrar um que não contivesse o famigerado alimento. 

O meu pedido geralmente causava muito espanto, uma vez que arroz é a base da alimentação japonesa e, claro, eles não conseguiam entender minha recusa diante de, talvez, um de seus pratos favoritos.

As massas prontas do mercado são as melhores: elas não levam molhos, são sequinhas e fáceis de comer. Uma vez, em um restaurante em Nagoya, encontrei uma que lembrava vagamente, muito vagamente, a que fazemos por aqui, pois tinha molho de tomate.

O dia mais feliz de minha vida foi quando descobri o sobá: a sopa de macarrão feito de farinha de trigo sarraceno. Entretanto, contudo, porém, só consegui apreciar o somen, que é o macarrão mais fininho. Com o grosso, udon, não teve acordo: não rolou nenhum sentimento agradável entre nós, então o abandonei.

Os noodles ganharam a minha atenção. Tanto eles quanto o sobá vinham acompanhados de outros ingredientes a escolher, como carnes e legumes.

O que comer no Japão
Eu e saborosas guiozas
Comemos sushi e eles estavam gostosos. O atum, por exemplo, tem uma tonalidade muito mais avermelhada que os servidos no Brasil e o corte é mais grosso. Achei o sabor acentuado, mas eles são caros e não dava para comer todos os dias.

As guiozas também me ajudaram muito. Esses pasteis de massa fininha não são originários da culinária japonesa, mas sim típicos da cozinha chinesa; são vendidos em muitos lugares no Japão e muito saborosos. 

O que comer no Japão
Pão com pasta de amendoim fechado à vácuo com café gelado
Tive esquecer por uns dias o pão, o queijo, os ovos, a manteiga, as raízes, as frutas, o leite, suco e iogurte, essas coisas que encontramos tão facilmente em nosso delicioso café da manhã no Brasil.

No Japão, o que encontrei que mais se aproximava do que temos no Brasil foi um pão com ovo, vendido embalado à vácuo, gostoso, mas que me obrigou a usar a imaginação para lembrar do sabor de ovo. Encontrei também café gelado de uma marca americana, diferente do nosso, mas que me agradou. 

De um modo geral, tivemos que nos contentar com o que encontrávamos: verduras em conserva ou algum outro item nada convencional para nós. O café da manhã transformou-se em uma pequena aventura todos os dias. 
O que comer no Japão
Tentando fazer meu estômago se adaptar à cozinha japonesa
Os doces são dignos de nota: eles são bem menos doces que os brasileiros, mas são muito estranhos. Os recheios geralmente levam feijão! Não desenvolvi apreço por eles, mas, de vez em quando, me arriscava por algum que não tivesse recheio.

Em muitos lugares é comum encontrarmos o chá verde como cortesia. Ele tem o sabor muito distinto do nosso e muito mais forte. Demorei a me adaptar, mas depois de alguns dias já o tomava com frequência.

Experimentei picolé de chá verde e não gostei. Provei chá de jasmim e detestei: tinha gosto de shampoo! O jeito foi ficar mesmo na água e no chá verde. 

O que comer no Japão
Lulas em conserva como petisco
As frutas no Japão são caríssimas: numa feira em Yokohama, encontramos uma maçã por 10 dólares americanos. Não à toa, muitas vezes as frutas são requintados presentes de casamento ou aniversário.

Em Quioto, entramos numa loja, linda e colorida, uma espécie de delicatessen, cujos principais itens eram verduras em conserva: provamos algumas e as achei muito boas. O que soubemos é que, como não pode haver desperdício no país – muita gente para alimentar e pouca comida – produtos perecíveis são, com frequência, transformados em conserva para durarem mais.

Encontramos muitas outras coisas estranhas na gastronomia japonesa, como petiscos de polvo em conserva e bolinhos vivos que pulavam na caixinha. Vou contando mais sobre essa estranha gastronomia ao longo das próximas semanas. 

O que comer no Japão
Buscando opções nos fast foods japoneses

O que comer no Japão
Na entrada dos restaurantes, maquetes das comidas

O que comer no Japão
Na entrada dos restaurantes, imagens das comidas

O que comer no Japão
O cardápio, com imagens, exposto na entrada do restaurante
Sobre Lugares:

Não vi garfo e faca em nenhum dos lugares que fomos, apenas hashi e uma colher com um furo no meio para ajudar com as sopas e comidas de caldo, que são muitas.

Descobrimos a duras penas, quase sendo expulsos de uma biboquinha em Tóquio, que no Japão devemos pedir toda a comida de uma única vez e não de bocadinho, em bocadinho. No momento em que seu pedido é trazido à mesa, a conta vem junto e, ao finalizar sua refeição, ela deve ser paga no caixa.

Os cardápios quase sempre estão em japonês sem nenhum tipo de tradução para o inglês ou qualquer outro idioma ocidental. Em compensação, a maioria dos restaurantes tem na entrada maquetes das comidas, assim como fotografias das mesmas no cardápio. Ajuda bastante! 

O que comer no Japão
Iniciando nossa jornada gastronômica no Japão
Onde comer?

Não adiantou apelarmos para as redes internacionais como Starbucks, porque os itens servidos eram ruins e o café péssimo, além de caro.

Tentamos recorrer às redes locais de fast food, mas qual o burger deles?! Arroz, claro! Em um deles, lotado, pedi, ainda ingênua a respeito da gastronomia japonesa, o prato que todo mundo estava pedindo. 

Resultado?! Larguei todinho, sem conseguir nem sentir o cheiro que exalava forte daquelas cumbucas. No outro, já mais sabida, perguntei qual o prato que não continha arroz. Nenhum?! Fui embora.

Tínhamos algumas indicações de restaurantes pelas cidades que visitamos, mas era tão difícil encontrar os lugares, com endereços em japonês, e perdíamos tanto tempo, que acabamos desistindo.

O jeito foi mesmo usar o instinto, entrar naqueles que agradavam e tentar a sorte: sempre havia alguma coisa no cardápio que satisfazia. Em tempo: Léo, ao contrário de mim, adaptou-se rapidamente e geralmente pedia – e gostava! – do item mais esquisito disponível.

Eu ainda tinha que sofrer vendo-o degustar aquelas coisas de aparência singular e aroma deselegante.