sábado, 11 de fevereiro de 2017

Nossas CIDADES no JAPÃO - o ROTEIRO:

Roteiro no Japão

O Mundial Interclubes, ou melhor, o Santos Futebol Clube, nos levou ao Japão. O país não estava em nossa lista de cidades a serem visitadas nos anos próximos, mas diante da vitória do Santos na Libertadores e sua ida ao Japão, não titubeamos e compramos as passagens para acompanhar a jornada do nosso time do coração e conhecer, portanto, esse país tão distante de nós: física e culturalmente.

Assim, nos vimos embarcando para a terra do sol nascente em um longo e cansativo voo que durou muitas horas e nos deixou zonzos e perdidos no fuso horário e dias da semana.

Roteiro no Japão
Japão
Com tantas cidades interessantes no mapa japonês, não foi fácil escolher o que seria possível ser visitado em tão pouco tempo. Tínhamos 15 dias no país e tanto Toyota quanto Yokohama tinham que entrar na lista, pois eram respectivamente os locais onde aconteceriam os dois jogos do Santos.

Entretanto, para ver o jogo em Toyota optamos por ter como base Nagoya e assim, não visitamos a cidade, apenas assistimos ao jogo. Nosso roteiro então, ficou dessa maneira: Quioto, 4 noites; Nagoya, 2 noites; Takayama, 2 noites; Yokohama, 2 noites e Tóquio, 6 noites.

Cada uma dessas cidades nos recebeu muito bem e nos proporcionou deliciosas histórias e maravilhosas lembranças que carrego comigo até hoje. Cada uma deixou sua marca.

Roteiro no Japão
Quioto
Quioto foi nosso primeiro contato com a cultura japonesa, a cidade que começou a nos ensinar como nos mexermos naquele país. Antiga capital imperial, eu lembro que achei a cidade uma graça com suas casas de madeira e ruas estreitas. 

A cidade, entretanto tem uma agitação natural causada por grande número de jovens e turistas que circulam pela cidade todos os dias. Cheia de monumentos e templos interessantíssimos, Quioto deixou saudade e muita coisa por fazer e conhecer.
Ali eu vi mulheres em trajes típicos andando com seus passos curtinhos, comecei a conhecer de fato a culinária japonesa e fui olhada, analisada e observada como jamais havia sido em toda a minha vida. 
Foi em Quioto, fundada em 794, que comecei a penetrar nas brumas de uma cultura tão difícil de entender e assimilar em poucos dias, sendo que fui capaz de furar apenas pouquíssimas camadas de seus costumes.
Terremotos, incêndios e uma guerra que durou 10 anos, destruíram vezes sem conta essa cidade, que uma vez e outra e outra, renasceu das cinzas. 
Aqui, eu aprendi a mudar a rotação, a refrear minha ansiedade e a apreciar a jornada, não apenas o destino, a atração, o ponto final e então nada mais foi como antes.
Roteiro no Japão
Nagoya

Roteiro no Japão
Takayama
Já em Nagoya eu vi a cidade que mais se aproximou, depois de Tóquio obviamente, do Japão tecnológico de meu imaginário. A razão talvez seja justamente por ela ser a 4° maior cidade japonesa e centro tecnológico do país.
Encontramos na cidade, porém fofíssimas casas de madeira em ruelas simpáticas e silenciosas, com enfeites nas portas e janelas. 
Nagoya nos proporcionou histórias surreais e aqui encontramos sorrisos e gentileza e tivemos a certeza que essa era uma viagem para ser sentida e não entendida. Pelo menos não completamente.
Takayama me arrebatou com sua beleza antiga, que me permitiu vivenciar o passado no presente. É uma cidade silenciosa, em que o tempo não existe.
Ela me proporcionou momentos extraordinários de beleza, quando nevou, e de vivências, caminhando sem rumo, em absoluto estado de contemplação e meditação. 
Cercada de montanhas, ela é rica em madeira e por isso mesmo, produziu artesãos de excelência. Por aqui vimos os mais lindos e delicados utensílios de cozinha. Além disso, Takayama é reduto de produção de saquê, por causa de sua água pura e Léo fez curta peregrinação, em um dia gelado, por esses sabores.
Em Takayama me encontrei, finalmente com a cozinha japonesa descobrindo que poderia ter apreço por ela e guardá-la na caixinha de boas experiências gastronômicas.
Roteiro no Japão
Yokohama
Roteiro no Japão
Tóquio
Yokohama me deixou à vontade e o gosto amargo da derrota, além de me deixar confusa sobre o que eu achava que conhecia da cultura japonesa: encontrei pessoas descontraídas, risonhas, agitadas, felizes.

Talvez a explicação para isso esteja no fato de Yokohama ser a 2° maior cidade do Japão, centro de navegação e comércio e por conta disso, sempre ter recebido influência externa, o que ajudou a moldar a personalidade mais informal da população.

Yokohama chegou a ser o porto mais importante da Ásia no início do século XX, sendo que metade da cidade foi arrasada durante bombardeios na Segunda Guerra Mundial.

Chegamos então em Tóquio: um mundo à parte. Nada, na pequena parcela do planeta que eu conheço, se parece com essa cidade, onde tudo é intenso. Fica até difícil imaginar que esta era uma antiga vila de pescadores, de nome Edo, e que foi arrasada durante um terremoto em 1923 e anos mais tarde pelos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial. 

Aqui pegamos engarrafamento de pessoas nas ruas, os restaurantes que visitamos estavam sempre lotados, o metrô é uma coisa absurda em termos de tamanho e circulação de gente e há cruzamentos em todas as direções, incluindo nas diagonais.

Em Tóquio vi mulheres andando de bicicleta com seus Louboutin e bolsas Chanel, lojas inteiras vendendo somente utensílios e acessórios para unhas. Pela primeira vez me vi diante de vitrines Miu Miu e  RED Valentino. Aqui vi lugares específicos nas ruas para fumantes, onde as pessoas respeitavam as regras e se aglomeravam com seus cigarros.
Ao chegar em Tóquio eu precisei me desconstruir de tudo o que havia visto até então no Japão e começar tudo de novo.

Roteiro no Japão
Japão
Estivemos no Japão há pouco mais de cinco anos, em Dezembro de 2011 e as memórias seguem fortes e intensas guardadas em diversos compartimentos de meu espírito.

Aos poucos vou recordando essas histórias, esses momentos. Alguns difíceis, outros engraçados. Alguns muitos bons, outros bem estranhos. Todos dignos de nota e registro.