terça-feira, 21 de março de 2017

A FASCINANTE Rua das TAIPAS: a CARA do Porto, Portugal:

O que ver no Porto, Portugal

Descemos pela Rua das Virtudes, ao lado do antigo Clube dos Ingleses, uma rua enladeirada, com pavimentação de paralelepípedo, sem passeio, de onde podemos avistar uma nesga do Rio Douro abaixo de nós. Em uma das faces encontramos o paredão de pedra do clube, além de uma discreta e fofa arte de rua.

Já na outra face estão situados mais alguns exemplares dos típicos e originais casarões setecentistas portuenses. Todo esse conjunto confere imenso charme à Rua das Virtudes. 

O que ver no Porto, Portugal
Rua das Taipas

O que ver no Porto, Portugal
Chafariz da Rua das Taipas
Alcançamos o Chafariz da Rua das Taipas, situado na rua de mesmo nome, meio escondido, discretamente inserido no progresso da cidade do Porto, tornando-se obsoleto em sua função, quando a forma de fornecer água aos moradores foi se modificando. Ao lado dele um homem fumava despreocupadamente, possivelmente ignorando a importância dessa estrutura séculos atrás.

Assim como os aquedutos e fontes, os chafarizes foram responsáveis pelo abastecimento de água à população bem como às instituições, aproveitando-se da abundância de água que o Porto dispunha.

Com o crescimento e reurbanização da cidade, muitos foram deslocados ou destruídos, mas ainda é possível encontrar aqui e acolá os chafarizes sobreviventes a exemplo do Chafariz da Rua das Taipas, construído em 1772 pelos moradores do Postigo das Virtudes, encarregado do abastecimento de água da zona da Cordoaria.

O que ver no Porto, Portugal
Rua das Taipas
A Rua das Taipas é fascinante com prédios que são uma confusão de informações, bem a cara do Porto, requerendo tempo para que possamos efetuar leitura. Seu nome deriva do emparedamento (entaipar) da rua por causa da peste negra, evitando que a doença se proliferasse pela cidade.

Na Idade Média ela chamava-se Rua do Olival e levava a uma das portas da cidade, quando esta ainda era cercada pelas Muralhas Fernandinas. Essa rua, assim como algumas outras, transportou-me a uma levíssima familiaridade com Salvador, na Bahia. Um ser sem, entretanto ser. 

Porto tem uma elegância objetiva que nunca me remeteu aos salões da corte e sim a descampados onde o povo dançava, enquanto a fogueira ardia e a bebida corria solta, os amores e a rudeza perfumavam o ar e a dureza e exaustão da vida eram esquecidas.

Os estilistas do Porto a construíram lindamente: não há comparativo dessa cidade com nenhuma outra da pequena parte de mundo que eu conheço. Nem mesmo Salvador, Recife ou o Rio de Janeiro que carregam traços portugueses fortíssimos em sua arquitetura e maneiras.

Eu encontrei mais traços dessas cidades em Évora, Óbidos e Lisboa do que no Porto, tornando essa cidade construída aos pés do deslumbrante Douro um exemplar único que não tem a beleza escancarada de alguns lugares na Europa ou a suntuosidade de outros, sendo ela mais artesanal, rendilhada e singela, onde o passado aqui é o presente. 

Através da Rua das Taipas, alcançamos a Rua de Belo Monte até o Largo de São João Novo. No próximo texto eu conto sobre o que encontramos ali.