sábado, 18 de março de 2017

Centro CULTURAL de São FRANCISCO, João PESSOA, Paraíba, Brasil:

O que ver em João Pessoa, Paraíba

Independente de qualquer tipo de crença é inegável que as religiões, e principalmente a Igreja Católica, teve e continua tendo (em certa medida) influencia na vida cotidiana das cidades.

Durante muitos séculos as congregações ditaram regras, exigiram, sob risco de punições severas, que cidadãos seguissem seus dogmas e interferiram na vida política das cidades. No novo mundo evangelizaram milhares de pessoas.

Acredito, portanto, que não podemos ignorar as trajetórias das igrejas católicas, geralmente locais muito ricos e carregados de arte, beleza, riqueza e poder, quando queremos entender um pouco da caminhada de determinado povo.

Por isso, frequentemente eu entro em igrejas. 

O que ver em João Pessoa, Paraíba
Igreja de São Francisco
A história do Convento de São Francisco em João Pessoa é longa! Não poderia ser diferente uma vez que foi fundada em 1589, poucos anos depois de os portugueses aportarem no Brasil e de João Pessoa ser fundada.

No século seguinte foi ocupado por tropas holandesas e quando os frades retornaram, iniciaram as obras de ampliação e por essa razão a capela dourada, a casa de oração, o claustro e a maioria dos azulejos da igreja são do século XVIII. No quintal, eles criavam animais e plantavam.

Os franciscanos evangelizaram o povo paraibano por 3 séculos, sendo que o lugar já abrigou a escola de aprendizes marinheiros e o hospital militar, fechando suas portas em 1979, virando Centro Cultural em 1990.  

O que ver em João Pessoa, Paraíba
Cristo Crucificado com pés separados no Coral
Apesar de boa parte do conjunto de São Francisco ter perdido batalhas importantes para os cupins que foram agressivos destruindo boa parte da madeira original, nós ainda encontramos em seu interior muita beleza em ambientes restaurados, outros preservados e alguns com as marcas de seu aniquilamento expostas.

O que vemos hoje é um passado resguardado e rico: ouro, madeira, azulejos decorativos portugueses contrastam lindamente com o piso rústico de pedra: este genuinamente tupiniquim. 

No segundo andar encontramos uma exposição da arte verdadeiramente brasileira, construída a partir de influências múltiplas de brancos, índios e negros, não se sabendo ao certo os limites de cada um. O resultado: uma cultura forte e muito particular.

Também ai, neste piso, está situado o coral onde temos bela vista da igreja. Alguns elementos chamam a atenção nesse ambiente: o bonito afresco no teto, o Cristo Crucificado com os pés separados indicando influência romana e a imagem do Cardeal que causa uma ilusão de ótica por conta da luz: não importa a posição em que estejamos ele sempre parecerá estar com o corpo virado para nós.

Neste pavimento estão ainda as celas (o que restou delas) onde dormiam os frades, além das salas em estilo rococó onde eram guardados os paramentos litúrgicos. Suas vestes me lembraram das roupas africanas atuais.

O que ver em João Pessoa, Paraíba
O claustro

O que ver em João Pessoa, Paraíba
A Igreja com o Coral ao fundo no topo
No andar inferior está o claustro, bem conservado, simples e pequeno, mas interessante como esses ambientes costumam ser, dentro de sua descomplicação. Azulejos portugueses coloridos do século XVII ornam suas paredes.

A igreja é pequena, mas adorável! Ela comporta um afresco com São Francisco chegando ao céu, belas pedras brasileiras formando o piso, azulejos tradicionais portugueses em azul e branco contando a história de José e um altar-mor despido, pois foi devorado pelos cupins.

Na lateral da igreja está a Capela Barroca, curiosa, porque mistura elementos sacros, como os santos, cercados por personagens míticas a exemplo das sereias, além de símbolos como os cocares representando o sincretismo típico desse país. A capela é toda feita em cedro e onde não há ouro significa que foi restaurada.

Em um dos ambientes que dá acesso ao piso superior é possível perceber a diferença no corte da madeira do teto: o talhe reto e mais perfeito na construção das vigas é fruto da substituição da parte devorada pelos cupins. A porção (mais interessante) cheia de imperfeições em seu feitio é original.  

Há salas repletas de santos em tamanho natural, velhíssimos, esculpidos séculos atrás, onde não podemos fotografar. A razão: não chamar a atenção dos bandidos que roubam esse tipo de arte e que tem atuado fortemente na Bahia e Minas Gerais. Lamentável!

A visita foi guiada e acelerada, pois segundo nos explicou um dos guias, esta é uma exigência das agencias de turismo que levam os grupos para conhecer o conjunto. Ao que parece elas são sua principal fonte de turistas. Por conta disso, não pudemos fazer muitas perguntas e senti falta de conhecer a alma do Conjunto de São Francisco, a história além de seus objetos. 

A entrada custou R$6,00 por pessoa e a visita guiada não durou mais que 20 minutos. Por isso a fizemos duas vezes, para conseguir absorver tudo aquilo um bocadinho mais, sem custo adicional.

O horário: segunda a sexta: 08:30 às 17:30; sábados e domingos: 09:00 às 14:00.

O endereço: Praça São Francisco, s/n, Centro.