quinta-feira, 23 de março de 2017

O LARGO de São JOÃO Novo e ARREDORES, Porto, Portugal:

O que fazer no Porto, Portugal

Naquela tarde de sexta-feira, nosso segundo dia de visita ao Porto, já havíamos visto muita coisa e nos apaixonado vezes sem conta pela cidade. Havíamos almoçado no Restaurante Árvore, apreciado a vista do Rio Douro desde o Passeio das Virtudes e o objetivo agora era descermos até o Prédio da Alfândega.

Contudo, Porto é uma cidade tão atraente que a cada esquina nossos passos eram retidos por algum cenário, alguma cena cotidiana, uma bela vista, rua charmosa ou arquitetura singular.

Caminhamos então a esmo, sem uma rota definida, entrando e saindo de todo lugar que chamava a nossa atenção. Alargamos o tempo: o relógio passou a girar diferente, lentamente. Além disso, estava um lindo dia de sol e de temperatura agradável.

Foi assim, perambulando como andarilhos, sentindo a cidade sem pressa que caímos no Largo de São João Novo onde estão situados a Igreja de São João, erigida entre os séculos XII e XIII e o Palácio de mesmo nome, construído no século XVIII. 

O que fazer no Porto, Portugal
Palácio de São João Novo
O Palácio de São João Novo, construído em fins do século XVIII, foi residência do fidalgo Pedro da Costa Lima personalidade que exerceu diversas atividades importantes na administração do Porto. Após sua morte, outras famílias abastadas habitaram a casa.

Durante as invasões francesas, no início do seculo XIX, quando a família real portuguesa fugiu (a bem dizer, não era bem uma fuga, uma vez que o Brasil também era Portugal) para o Brasil, as tropas de Napoleão Bonaparte ocuparam o casarão que serviu ainda de hospital militar durante o Cerco do Porto, anos depois.

A parte inferior do casarão está gasto, descascado, mas sua fachada larga continua a despertar e prender a atenção dos que por aqui passam, com suas múltiplas janelas e portas. Em 1984 sofreu com um incêndio e em 1992  foi cerrado. Uma pena! Ele deve ser divino por dentro.

A igreja estava fechada, mas nos informaram que ela estaria aberta em mais ou menos 15 minutos. Resolvemos explorar o entorno do Largo e observar a vida que transcorria naquela parte da cidade, enquanto esperávamos para entrar na igreja. 

O que fazer no Porto, Portugal
A beleza no entorno do Largo de São João Novo

O que fazer no Porto, Portugal
Iniciando a subida da Escadaria Fernandina

O que fazer no Porto, Portugal
Escadaria Fernandina

O que fazer no Porto, Portugal
O topo da Escadaria Fernandina com o casal de italianos ao fundo

O que fazer no Porto, Portugal
Rua Francisco da Rocha Soares
Descemos até o Rio Douro pela Rua do Comércio do Porto – como esse rio me fascinou! – até as proximidades do que restou da antiga Muralha Fernandina. Essa parte do Porto já tem outra energia, outra cara.

Encontramos uma longa escadaria, a Escadaria Fernandina, que não sabíamos onde ia dar, mas a curiosidade nos guiou e a subimos. Ou melhor, foi quase uma escalada! No topo encontramos um casal de italianos sentados na calçada tentando se entender tanto com o português quanto com o traçado incomum do Porto.

Aliás, o desenho do Porto com suas ladeiras e escadarias, ruelas e ruas parecendo torcido e esticado é totalmente sem sentido para uma pessoa que nasceu sem GPS como eu. Ao mesmo tempo esse mapa aparentemente desconexo em que ruas nascem e se encerram em todas as direções, me pegou de jeito pelo pé, braço, alma diante de tantas possibilidades de rotas.

Chegar a um largo qualquer, girar em torno de mim mesma e escolher dentre tantos caminhos mexeram com meu coração nômade e desapegado, enchendo o pobre de júbilo e euforia. Ainda bem que Léo existe para me trazer de volta à realidade e me colocar no prumo.

O que fazer no Porto, Portugal
Senhora na janela

O que fazer no Porto, Portugal
Senhorinha pendurando roupas
Vimos muitos velhinhos e velhinhas pelas ruas, em grupos, jogando conversa fora. Vimos senhoras penduradas nas janelas vendo a vida passar ou desembaraçando as tarefas habituais e aquilo me deu forte sensação do tão comentado e discutido “envelhecer bem”.

De maneira geral as ruas estavam tranquilas, com poucos transeuntes e além de nós e dos italianos, nadica de nada de turista. Vida cotidiana que se descortinava para nós e como espectadores em um teatro, assistimos ávidos de conhecimento.

Finalmente a Igreja de São João Novo abriu e entramos. Conto sobre ela muito em breve!