sábado, 15 de abril de 2017

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães, Portugal:

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães

Atravessamos o Largo do Toural em direção ao Museu de Alberto Sampaio, o acessando pela Rua Rainha Dona Maria II, virando à direita na Rua Alfredo Guimarães. Por aqui nós começamos a explorar a mui antiga Vila de Guimarães.

O Museu de Alberto Sampaio situa-se em um local onde, no século X, a Condessa Mumadona Dias fundou um mosteiro consagrado a São Mamede (Mosteiro de São Mamede ou Mosteiro de Guimarães). No seu entorno começou a surgir agrupamentos de pessoas, que passaram a viver ali.

Alguns anos depois a Condessa, com intuito de proteger o mosteiro e sua gente, ordenou a construção do Castelo de Guimarães, em uma colina, mais acima do Mosteiro. Assim, nascia a Vila de Guimarães.

O museu abriga principalmente os bens e arte sacra e eclesiástica oriundas das igrejas e mosteiros de Guimarães e de outras cidades da região. São mais de 2.000 objetos incluindo pinturas, esculturas e têxteis dentre outros.

O custo para entrar é de 3 euros, sendo gratuito em todo primeiro domingo do mês. Funciona de terça-feira a domingo das 10:00 até às 18:00.

Disse José Saramago sobre o Museu de Alberto Sampaio em Viagem a Portugal:

“(...) declara já o viajante que este é um dos mais belos museus que conhece. Outros terão riqueza maior, espécies mais famosas, ornamentos de linhagem superior: o Museu de Alberto Sampaio tem um equilíbrio perfeito entre o que guarda e o envolvimento espacial e arquitectónico (...) Este museu merece todas as visitas, e o visitante faz jura de cá voltar de todas as vezes que em Guimarães estiver

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira  - pequenina e aconchegante

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira - claustro

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira - feirinha

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira - claustro
Contornamos o Museu de Alberto Sampaio para a esquerda e chegamos à Praça da Oliveira, cuja presença de uma oliveira batiza a praça. Aqui está situada a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, cujas origens também estão no século X, onde antes estava o Mosteiro. A igreja, junto com a praça, formava o coração da vila.

No século XIV D. João I manda reedifica-la como agradecimento e gratidão a Nossa Senhora da Oliveira por ter vencido a batalha de Aljubarrota contra os castellanos, transformando o local em centro de peregrinação dos seus devotos.

Junto à entrada da igreja, na parede, está o brasão de armas de D. João I carregado por anjos. A torre contígua à igreja, que possui características manuelinas, foi construída no século XVI. 

A Igreja possui diversos estilos, pois os reis foram imprimindo suas marcas ao longo dos seus reinados, mas o que vemos hoje é uma pequenina e linda igreja, intimista, acolhedora, aconchegante, com seu interior predominantemente em pedra.

Quando a visitamos, em um sábado, estava acontecendo no claustro uma feirinha com produtos orgânicos e produzidos artesanalmente formando um interessante contraste com cara de pretérito entre a igreja, os pães e geleias: cores, sons e aromas. Presente e futuro. Tradições. Alma e corpo.

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
A Torre

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Capela de São Nicolau
A Torre anexa data de 1513, é dividida em três andares separados por frisos além de ser onipresente na Praça, se destacando completamente sobre o baixo casario. Carrega detalhes manuelinos, facilmente avistados na extremidade superior.
Além disso, em sua fachada encontramos um relógio que data do século XVIII e um sino, símbolo frequentemente encontrados nas igrejas católicas. O conjunto funciona lindamente.

Próximo a ela encontramos a Capela de São Nicolau construída em 1662, dedicada ao santo protetor dos estudantes. Estar em meio a tanta antiguidade, sentindo o ritmo colorido marcado pelos turistas e restaurantes presentes no entorno, imaginando vidas vividas e mortes morridas naquele lugar teve um peso enorme em meu espírito.
A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Padrão do Salado com a Igreja e Torre ao fundo

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
A famosa oliveira
Em frente à igreja está a oliveira, cheia de folhas: acredite, ela é famosa e sua fama atravessou os tempos. E te digo: há razão de ser, como perceberás logo mais! Convizinho a ela encontramos uma estrutura de pedra, o Padrão do Salado, onde estão gravadas três datas.

A primeira nos leva diretamente para o ano de 1342, quando o milagre envolvendo a Oliveira aconteceu. A segunda data nos posiciona no ano de 1870, quando a Oliveira foi retirada da praça por decisão da Câmara Municipal e por fim, chegamos em 1985 quando a Oliveira voltou ao seu lugar de origem, onde permanece até hoje.

A lenda que envolve a Oliveira dá conta de que ela estava murcha e voltou a dar folhas. Foi mais ou menos assim que tudo aconteceu: muito e muito tempo atrás uma oliveira foi plantada em frente à Igreja.

Era com o azeite produzido com os frutos da tal oliveira que Santa Maria de Guimarães, que estava no interior do templo, era iluminada. A árvore, entretanto, um dia, simplesmente, sem aviso nem nada, secou.

No ano de 1342, o comerciante Pero Esteves ofereceu uma cruz que foi colocada por baixo do Padrão do Salado, e assim, a oliveira voltou a se encher de folhas e a dar frutos. O milagre rapidamente se espalhou, alcançando nosso século, e consequentemente nossos ouvidos aguçados, e a praça passou a chamar-se Praça da Oliveira.

O Padrão do Salado foi construído no século XIV por ordem de Afonso IV para comemorar a vitória na Batalha de Salado em 1340, contra uma armada muçulmana. 


A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
Antigo Paço do Concelho

A Praça da OLIVEIRA, HISTÓRIAS da Vila de Guimarães
As belas casas da Praça da Oliveira
Na Praça da Oliveira encontramos ainda o belo edifício dos antigos Paços do Concelho, assentado sobre arcos que carrega na fachada a escultura de um guerreiro de duas caras que os vimaranenses (aqueles sortudos que nascem na bela Guimarães) passaram a chama-lo de "o Guimarães". 

Não posso esquecer de forma alguma de mencionar no belo e antigo casario que orna as margens da praça. Eles são lindos, cheios de bossa e de vida e eu confesso que muitos deles me pareceram terem sido criados por seres encantados, advindos desses mundos mágicos, sabe?! 

Por fim, quero contar outra história que fiquei conhecendo nesta minha visita à Guimarães a respeito de um curioso castigo que acontecia aqui todos os anos, nas vésperas das festas da câmara de Guimarães (Páscoa, Espírito Santo, Corpo de Deus, São João, Santa Isabel, Domingo do Advento e Nossa Senhora de Agosto) a mando de D. João I.

Os homens, moradores das freguesias de Cunha e de Ruilhe eram obrigados a varrer a Praça, o Padrão e os açougues de barrete vermelho na cabeça, banda vermelha no ombro, espada à cinta, um pé calçado e outro descalço com vassouras de giesta (arbusto aromático) que traziam de suas casas.


O castigo deu-se, ao que parece, por conta da frouxidão dos moradores dessa freguesia que teriam fugido com medo de um confronto com os Mouros, cujo posto abandonado foi ocupado por valorosos homens de Guimarães e seu amor à pátria. Somente no século XVIII, por ordem de D. João V, a punição foi suspensa.