terça-feira, 18 de abril de 2017

A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães, Portugal:

A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães

Passamos por baixo dos arcos do antigo Paço do Concelho e chegamos a muito fofa e linda Praça de Santiago, de traços medievais, que leva esse nome porque em idos tempos, segundo conta uma antiga tradição, a imagem da Virgem Santa Maria foi levada à Guimarães pelo apóstolo São Tiago.
A imagem teria sido colocada em um templo pagão, aqui neste largo, onde agora estávamos. Também aqui, se fixaram os cavaleiros francos que acompanharam o conde D. Henrique, primeiro rei de Portugal. 
Era Sábado e sob os arcos estava acontecendo uma pequena feira de pulgas, com diversos tipos de objetos e pessoas indo e vindo em um zum zum zum de vozes, sotaques, risos e conversas. 
A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães
Praça de São Tiago - símbolo de São Tiago

A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães
Praça de São Tiago - local da antiga capela
Na Praça de Santiago mandaram construir uma pequena capela em homenagem a São Tiago. A capela já foi demolida, mas ainda podemos ver no chão o local que ela ocupava. Também no piso, marcado e registrado, está o símbolo de São Tiago: uma concha.
Ainda no pavimento encontramos as primeiras palavras da Carta de Foral que o conde D. Henrique concedeu aos vimaranenses, lá no mui distante século X: “Ad vos homines qui venistis populare in Vimaranes et ad illos qui ibi habitare volerint”, que significa em latim, “A vós homens que viestes povoar em Guimarães e àqueles que aqui quiserem habitar" e se referia ao povo que estava indo residir na recém formada Vila de Guimarães.

Entretanto, a inscrição na Praça de Santiago não é tão velha quanto sua existência, datando apenas do século XX. Ainda assim ela confere certo ar solene àquela pequenina e aconchegante praça. Afinal, Portugal nasceu aqui e isso tem um peso na formação deste belo país.

Carta de Foral é um documento que dita as regras, direitos, deveres e sentenças, entre outras coisas, que regem a administração de uma localidade e foi muito usada em Portugal durante muitos séculos. Neste caso, falava, por exemplo, em pagar 12 dinheiros àqueles que vendiam carne e os que vendiam cavalos e burros.

Dizia ainda: “E se dois homens ou mais tiverem uma rixa e se agredirem a punho, à bofetada ou à paulada, ou puxarem pelos cabelos, o saião não cobre disso nenhuma coima a não ser se um deles clamar; se não clamarem, o saião não requeira nenhuma coima.”.

A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães
Praça de São Tiago

A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães
Praça de São Tiago

A Praça de SANTIAGO, na Vila de Guimarães
Praça de São Tiago
O figurino medieval que impera na Praça de São Tiago, assim como em todo o Centro Histórico de Guimarães, nos dá a dimensão de como era a cidade neste distante passado, que nem o contraste com as cores do presente se fazem menos aparentes. A mim, me pareceu uma roupagem extraordinária. 
Casarios pequenos de formato incomum, meio tronchos, tortos, absolutamente imperfeitos e totalmente fabulosos a meu ver, mexendo com toda a minha sensibilidade me deixando encantada, perdida no desejo de vê-las por dentro, saber como é sua alma e suas entranhas. Fiquei na vontade!  
Continuamos nosso passeio pelo Centro Histórico de Guimarães pela Rua de Santa Maria a mais antiga da cidade. Sobre ela eu conto já, já, em outro texto.