quinta-feira, 6 de abril de 2017

As CIDADES na RENÂNIA do Norte-VESTFÁLIA, Alemanha:

O que fazer na Alemanha
Renânia do Norte-Vestfália
Ano passado, no fim do verão, nós visitamos a Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, onde gastamos 15 dias perambulando pela região, nos deslocando de trem, tentando nos embrenhar nos costumes locais e aprender sobre a história, degustando de sua gastronomia e hospitalidade.

Foi uma viagem interessante, não só por conta de tudo o que vimos e vivemos, mas principalmente porque desconstruiu inúmeros conceitos que eu tinha a respeito da Alemanha. A Renânia mostrou ser um conjunto de diversos e desiguais fragmentos culturais. O calor esteve sufocante e os dias esplêndidos.

As cidades que visitamos – Colônia, Aachen, Münster, Düsseldorf e Bonn, mostraram-se muito diferentes do que eu sempre pensei a respeito do país e muito distintas umas das outras, com personalidades e atmosferas exclusivas, eu ousaria afirmar.

Devo dizer ainda que são cidades intensas, mas curiosamente não senti em nenhuma delas um ar cosmopolita, ao contrario, mesmo a maior de todas (Colônia) e a mais moderna (Düsseldof) carregam clima de cidade pequena, provinciana. Acho que talvez esse seja o traço que as une. Foi dessa região que muitas pessoas migraram para o sul do Brasil.

A seguir, um desfile das cidades da Renânia do Norte-Vestfália.

O que fazer na Alemanha
Colônia
Minhas primeiras impressões a respeito de Colônia, maior cidade da região, foram as piores possíveis. Quando saímos do tram e eu vi tantas pessoas drogadas e bêbadas de manhã cedo, a rua suja e confusa eu detestei aquela cidade.

As segundas e terceiras impressões também não foram boas. Colônia cheira a tabaco, suor e curry. Entretanto, à medida que eu fui descobrindo a cidade, percebi que, justamente ou apesar de, não sei ao certo, por causa de sua confusão de estilos sem sentido, ela tinha muito a nos contar.

Afinal são séculos de influência e história! Sua fundação é anterior à era cristã, quando os romanos ocuparam uma das margens do Rio Reno, cujo nome tem origem celta e significa fluir. 

Os franceses, durante a época napoleônica ocuparam Colônia e região por cerca de 20 anos. Os cidadãos chegaram inclusive a ganhar cidadania francesa. Napoleão Bonaparte até visitou a cidade com sua esposa Joséphine de Beauharnais.

Logo depois da saída dos franceses russos e prussianos ocuparam o território. Por conta da influência comunista e da Igreja Católica, Colônia opôs resistência ao Führer e sua política hedionda. Durante a Segunda Guerra foi fortemente bombardeada.

Talvez eu tivesse chegado à Renânia com o coração carregado de Baviera, que me conquistou à primeira vista através de Nuremberg e não tivesse conseguido olhar aquela cidade de coração aberto.

Somente quando comecei a entender sua essência de cidade acolhedora é que iniciei um relacionamento mais amigável com Colônia. Apenas quando fui conhecendo sua história, descobrindo seus variados elementos, ganhando sorrisos e boas conversas, é que eu comecei a simpatizar com ela e percebi que Köln é muito mais que sua Catedral sendo ela, muitas vezes, subestimada.

No final das contas deixei Colônia com boas lembranças, ótimos conhecimentos e muito feliz por tudo o que vimos e vivemos, mesmo que o nossa relação não tenha sido (e continua não sendo) de puro amor recheado de muita paixão. Talvez essa seja a cidade mais amigável e afável de toda a Renânia.

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Aachen
Já por Aachen eu me encantei à primeira vista. Ela é uma cidade vibrante e pulsante. Vimos muitas pessoas lagarteando ao sol, jogando conversa fora, aproveitando a vida ao ar livre. Há muitos jovens e turistas circulando por todo lado.

Aachen foi a casa do Imperador Carlos Magno, sede de seu vasto Império e os romanos, muitos séculos antes disso, se esbaldaram em suas fontes termais. Muitos estadistas, imperadores e reis de variadas nacionalidades também passaram, nos anos seguintes, por esta cidade em busca dos benefícios curativos das termas. 

Não posso deixar de mencionar que vestígios arqueológicos indicam que os celtas estiveram por aqui. Aachen é mesmo uma cidade velhíssima, mas extremamente jovial, longe de ser dominada por esse passado de figuras ilustres.

A cidade é bonita e muito amigável. Eu me senti muito confortável e gostei dela assim, facilmente. Passamos apenas algumas horas e não pudemos ver muito, apenas sentir um pouco e acho que Aachen merece mais que um bate\volta. 

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Münster
Münster talvez seja minha preferida entre todas. Com certeza é a mais linda delas e com as casas mais características de meu imaginário alemão, mas completamente diferentes das que encontramos na Baviera.

Considerada como centro cultural da Renânia, seu nome significa Monastério, em referência ao mosteiro fundado no século VIII. Além disso, teve papel importante na Liga Hanseática do século XIII. Atualmente é uma cidade universitária e abriga uma das maiores Universidades da Alemanha.

Aqui foram assinados tratados que colocaram fim à Guerra dos 30 Anos e à Guerra dos 80 Anos, no século XVII, considerados os primeiros acordos de paz e diplomacia feitos no mundo e ficaram conhecidos como Paz de Vestfália.

Apesar de ser uma cidade, assim como Colônia, evidentemente multicultural, ela não é caótica como a primeira. Arborizada e com muitos parques, vimos muitos casais com filhos pequenos circulando e muita gente fazendo exercício ao ar livre, sozinhos ou em grupos, com livros, ouvindo música, namorando ou simplesmente deixando o tempo passar.

Aliás, aqui, o tempo girou em outro compasso, mais lento, mais tranquilo, mais esticado. Tomamos sorvete, café, jogamos conversa fora, olhamos longamente a arquitetura, visitamos lugares e tivemos longas refeições onde experimentamos sabores antes desconhecidos.


Como muitas outras cidades no país, foi duramente bombardeada pelas forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, Münster foi palco da luta dos Anabatistas, cristãos que se colocaram contra alguns dogmas da Igreja Católica culminando em radicalismos e mortes no século XVI. 

Nossos dias em Münster foram tão agradáveis que até o calor terrível do verão alemão deu uma folga aqui. A temperatura esteve mais amena. Sem dúvida alguma esta cidade tem charme. 
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Düsseldof
Düsseldof me surpreendeu e impressionou absurdamente por conta de seu modernismo e criatividade. Eu nunca, até então tinha visto uma arquitetura tão avançada, requintada, engenhosa, despachada e progressista. Parece não haver limites para a imaginação dos arquitetos nessa cidade.

A capital da Renânia do Norte está localizada às margens do Rio Reno. A nona cidade alemã é o segundo maior centro econômico da Alemanha, atrás apenas de Frankfurt. Claro que ela também sofreu com os bombardeios na Segunda Guerra, especialmente por conta de suas indústrias e refinarias de petróleo. 

A cidade é perceptivelmente rica. A sensação que eu tive aqui foi que as pessoas também não são as mais acolhedoras ou amigáveis. Não encontrei pessoas rudes, mas vi poucos sorrisos. Entretanto, de todas as cidades da Renânia que passamos, Düsseldof foi, de longe, a mais interessante.

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Bonn
Bonn, de todas, era a cidade que eu mais queria conhecer, pois cresci durante a Guerra Fria, quando ela era a capital da Alemanha Ocidental ou República Federal Alemã, e o foi por 4 décadas de 1949 a 1989.

Queria ver de perto esse pedaço da historia, o que tinha sobrado e confesso que Bonn não decepcionou. Os resquícios desse tempo estão lá, de pé, à mostra como se a vida não tivesse caminhado. Na velha cidade que principiou no ano 11 a. C. nasceu o compositor Ludwig van Beethoven em 1770.


Bonn é uma cidade curiosa que mescla aspectos de cidade pequena com outros de cidade grande e todos eles convivem muito bem lado a lado. O muito antigo, o mais ou menos antigo e o novo, tudo está ali, junto e misturado, mas a divisão entre eles é clara e ao contrário do que eu imaginava está longe de ser uma cidade burocrática.


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Renânia do Norte-Vestfália
De um modo geral todas essas cidades são confusas, bagunçadas, como puxadinhos culturais por conta de muitas e muitas influências dos vários imigrantes que aqui vivem ou que já viveram e deixaram sua marca.

Não são cidades difíceis de serem entendidas, mas não são fáceis de serem percebidas, pois são muitas as imagens superpostas, gerando novos conhecimentos a todo instante. Eu diria que a Renânia do Norte-Vestfália é uma das regiões mais vivas e mutáveis que eu já visitei.