domingo, 9 de abril de 2017

CONEXÃO longa - o que FAZER?

Conexão longa - o que fazer?

Dificilmente os voos que saem do Brasil vão direto para nosso destino final. Não é incomum fazermos conexão em algum outro lugar antes de chegarmos onde queremos. Muitas vezes essas conexões são de muitas horas.

Eu já passei madrugadas inteiras e exaustivas em aeroportos e o tempo nesses momentos parece que não sai do lugar, ou melhor, se arrasta lenta e torturantemente. Em Tóquio e Londres, para citar alguns, não havia vivalma além de nós e alguns poucos desavisados, perambulando que nem zumbi por um saguão completamente vazio.

Já passei muitas horas durante o dia também, esperando o voo seguinte, olhando todas as vitrines, comendo, tomando café, lendo, tirando foto, navegando na internet, trabalhando e no fim de tudo, morrendo de cansaço e tédio. 

Conexão longa - o que fazer?
Café da manhã em Madri
Houve ocasiões em que fui passear pela cidade, a exemplo de uma conexão em Madri a caminho de Moscou. Eu já conhecia a cidade, não tenho um caso de amor pela capital espanhola e mesmo assim achei que não poderia perder a oportunidade de visitar novos e antigos lugares na cidade.

Passamos pelo controle de passaporte em Barajas, pegamos um metrô para o centro até a Calle Fuencarral um dos poucos lugares que eu adoro em Madri. É uma rua multicultural, com bares, lojas alternativas e também tradicionais e uma galerinha descolada.

Àquela hora da manhã (era meio cedo), entretanto, não havia muito movimento. Paramos para tomar o desayuno: escolhemos o Elcano (Fuencarral 58), uma portinhola perdida no térreo de um prédio gasto.

Comemos em la barra (adoro) tostadas com tomate (me lembra muito os cafés da manhã que tomei na Andaluzia) e chá. Estava tudo gostoso e o atendimento foi ótimo. Eles servem outras refeições também.

Conexão longa - o que fazer?
Fuencarral

Conexão longa - o que fazer?
Mercado San Antón

Conexão longa - o que fazer?
Museo Nacional del Romanticismo
Demos umas bandas por Fuencarral cujo movimento começava a aumentar e seguimos para o Mercado San Antón distante cerca de 400 metros, um misto de mercearia e restaurantes com muita lindeza. Saboreamos alguns tapas ali.

Visitamos então o Museo Nacional del Romanticismo que possui um acervo pequeno, mas interessante a respeito do modo de vida da burguesia espanhola durante o Romantismo no século XIX descrito através de moveis e vestuário. 

Conexão longa - o que fazer?
Plaza Puerta del Sol - Madri

Barajas - Aeroporto de Madri
Fomos ainda até a Plaza Puerta del Sol, coração de Madri, que estava, como sempre, cheia de moradores e turistas. O calor nessa hora apertou e eu estava com a roupa que tinha voado do Brasil para segurar o ar condicionado do avião: calça e blusa de manga.

Não nos demoramos ali: foi só o tempo de Léo comprar selos na tabacaria. De lá fomos visitar uma amiga que mora nos arredores de Madri. Ela nos ofereceu petiscos, bebidas, boa conversa e a chance de descansar por algumas horas antes de reembarcar para Moscou.

A essa altura eu já estava exausta: voo longo, caminhar o dia inteiro sob o calor espanhol, o fuso e a ansiedade de visitar a Rússia me derrubaram. O fato de não conseguir dormir durante os voos, piora, e muito, todas as minhas condições físicas e mentais.

Conexão longa - o que fazer?
Praça Verrmelha, Moscou

Conexão longa - o que fazer?
Um café em Moscou
Quando chegamos em Moscou e nos desembaraçamos de todos os procedimentos legais (controle de passaporte, metrô, check-in no hotel) eu estava um fiapo de gente, mas era manhã ainda e não queríamos desperdiçar o dia ficando no hotel a dormir.

Pegamos então o metrô até a icônica Praça Vermelha. Ela é impressionante! Eu mal podia acreditar que estava em Moscou! Resolvemos tomar um café para ajudar na recuperação e na adaptação ao fuso.

Entramos em uma cafeteria, ali mesmo, nas proximidades e pedimos um café que estava ótimo, pedimos a conta e veio a surpresa: não tínhamos dinheiro para pagar. Por causa do cansaço esquecemo-nos de fazer novo câmbio e quase não tínhamos mais rublos.

Resolvemos tudo sem problema algum (o povo russo é muito simpático), mas lembro-me desse primeiro dia no país entre brumas por causa do cansaço extremo e isso serviu de insumo para tomarmos um rumo diferente quando no ano seguinte, encaramos longa conexão novamente.

Conexão longa - o que fazer?
Bacalhau em Lisboa

Conexão longa - o que fazer?
Hostel em Lisboa
Desta vez o destino final era Milão e tivemos conexão de algumas horas em Lisboa. Apesar de minha imensa vontade de dar uma volta pela capital portuguesa, cidade que não conhecia à época, neste caso fizemos tudo diferente: reservamos um hostel perto do aeroporto, onde a dona nos pegou no Aeroporto Humberto Delgado.

Léo tomou banho (eu fiquei na preguiça), almoçamos um maravilhoso bacalhau em um restaurante familiar nas redondezas mesmo, um bairro muito residencial, com um bom vinho e pastel de nata. Foi minha primeira degustação de Lisboa e o que me levou a colocar na cabeça a ideia de visitar Portugal, o que aconteceu quase dois anos depois.

Conexão longa - o que fazer?
Hostel em Lisboa

Conexão longa - o que fazer?
Pelas ruas de Pádova na Itália
Dormimos por algumas horas e mais tarde a dona do hostel nos devolveu ao aeroporto. Pegamos nosso voo para Milão descansados e refeitos do longo voo do Brasil. No Aeroporto de Milão - Malpensa já pegamos o trem para Pádova onde chegamos prontos a explorar a cidade sem o cansaço intenso que sentimos na Rússia.

Por conta de todas essas experiências distintas hoje, quando somos obrigados a fazer conexão acima de 6, 7 horas, dominamos nossa ansiedade e optamos por buscar uma hospedagem nas proximidades do aeroporto para descansar por algumas horas e aproveitar melhor o objeto da viagem: o país destino final.