domingo, 16 de abril de 2017

João PESSOA em Poucas PALAVRAS, Brasil:

João PESSOA em Poucas PALAVRAS

João Pessoa, capital da Paraíba, possui diferencial em relação a outras capitais brasileiras: já começou como cidade e os conquistadores/desbravadores não chegaram pelo mar e sim pelo rio. Não se sabe bem se foi intencional essa chegada, em busca de um lugar mais protegido e preservado, ou se foi um mero acidente de percurso.

Fato é que em 1585 os portugueses fundaram a Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, a Nevinha, mas em menos de três anos já mudou de nome. Passou a chamar-se Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em homenagem ao rei Filipe, que então, acumulava os tronos de Portugal e Espanha.

Quando em domínio holandês recebeu o nome de Frederikstad, no século XVII, sendo batizada com o nome atual apenas no século XX, em homenagem ao presidente do estado João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, quando foi assassinado em Recife. Na época concorria a vice-presidente do país na chapa de Getúlio Vargas.

A CIDADE ATUALMENTE:

João Pessoa cresceu desde que a visitei pela primeira vez, mais ou menos 15 anos atrás: o trânsito se intensificou, está mais verticalizada e tem mais atrações turísticas, como o Parque das Ciências. Ela está um pouquinho mais bagunçada, mas ainda não perdeu ser ar de cidade pequena, provinciana.

Passamos um fim de semana na cidade e visitamos alguns de seus principais pontos turísticos e apesar de a cidade estar bem conservada, seu potencial turístico é desperdiçado. Uma pena!

Em quase todos os locais que fomos havia pouco ou quase nenhum turista. Muitos pareciam estar apenas de passagem, subestimando a atratividade da cidade.

Um dos guias da Igreja de São Francisco nos disse que a maioria dos turistas chega de Pernambuco, alguns poucos da Bahia e de São Paulo. O Brasil parece não valorizar a capital paraibana e a mesma parece não saber se vender.

O POVO:

É um povo gentil na maior parte do tempo, risonho, conversador para qualquer um que der trela. O serviço em quase todos os lugares que visitamos foi simpático, mas eficiente também.

Além disso, o que mais me chamou a atenção, é que o pessoense é ligado no 220 V, o que foi motivo de muito divertimento para mim. Além disso, o sotaque, riqueza de nosso país, é uma delícia de se ouvir.

A seguir, João Pessoa em poucas palavras:


CENTRO CULTURAL DE SÃO FRANCISCO:

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Centro Cultural de São Francisco
João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Centro Cultural de São Francisco

O Convento de São Francisco foi fundado em 1589, poucos anos depois de os portugueses aportarem no Brasil e de João Pessoa ser fundada, sendo que a maior parte do conjunto data do século XVIII.



Foi ocupado por tropas holandesas, já abrigou a escola de aprendizes marinheiros e o hospital militar, fechando suas portas em 1979, virando Centro Cultural em 1990.  

O interior do Conjunto é belíssimo, dominado pelo ouro, madeira, azulejos decorativos portugueses contrastando lindamente com o piso rústico de pedra genuinamente brasileira.

Parte dele foi destruído pelo cupim, mas outra parte foi restaurada a tempo e há preciosidades como um Cristo Crucificado de influência romana e imagens de santos rodeados de cocares e sereias.

A visita foi guiada, custou R$6,00 por pessoa e durou cerca de 20 minutos.

O horário: segunda a sexta: 08:30 às 17:30; sábados e domingos: 09:00 às 14:00.  

O endereço: Praça São Francisco, s/n, Centro. 

ACADEMIA PARAIBANA DE LETRAS –  APL:


João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Academia Paraibana de Letras
Pertinho do Conjunto Cultural de São Francisco está a Academia Paraibana de Letras em uma casa super simpática, mobiliada com moveis sérios em suas diversas salas.

Ali está um quarto dedicado a Augusto dos Anjos, com referência à sua vida e obra. Além dele, Ariano Suassuna e José Lins do Rego são filhos ilustres deste estado.

A APL abriga um quadro sombrio, perturbador chamado “o eclipse do EU” de Flávio Tavares, outro artista da terra. A Academia entre outras coisas têm sessão de cinema cult aberta ao público.

O endereço: Av. Duque de Caxias, 37 – Centro.

FAROL DO CABO BRANCO: 

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Farol do Cabo Branco
O local mais oriental das Américas e consequentemente mais próximo da África. A visita vale pelo sentimento de estar ali onde o sol nasce primeiro e pelo farol de formato incomum, do que pelo lugar em si que não tem nada demais e ainda está, literalmente, despencando. 

ESTAÇÃO CABO BRANCO – CIÊNCIA, CULTURA E ARTE:

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Arte
Inaugurado em 2008, a Estação Cabo Branco foi uma das últimas obras do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e ao olharmos para sua estrutura rapidamente identificamos sua marca, sua personalidade.

Possui espaços amplos para exposições, auditório, anfiteatro, loja e lanchonete, além de esculturas e espelho d´água e um terraço com vista de 360 graus da cidade.

Na entrada do auditório está um mural do Flávio Tavares denominado “No Reinado do Sol”: um recorte de João Pessoa. Mostra diversos personagens da cidade, anônimos como índios que habitavam aquelas terras e conquistadores portugueses e holandeses que deixaram suas marcas em maior ou menor escala, além de ilustres como José Lins do Rego, Ariano Suassuna e Augusto dos Anjos que ajudaram a formar João Pessoa.

O artista retrata ainda o Centro Histórico (quando o visitamos estava tudo fechado, completamente vazio e sem um único policial, por isso nem ficamos) e a boemia dos anos 30 com todas as influências das diversas culturas que passaram por essas terras.

POR DO SOL NO JACARÉ:

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
O Por do sol no Jacaré com o Jurandir do Sax tocando o bolero de Ravel

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Fim de tarde no Jacaré
Assistir ao pôr do sol no Rio Paraíba ao som do bolero de Ravel tocado pelo Jurandir do sax, que faz isso há 16 anos diariamente, deslizando suavemente pelas águas do rio, é um clássico de João Pessoa.

Agora há uma estrutura armada com lojinhas de todo tipo de artesanato, com muita qualidade e preço suave como placas, roupas, luminárias e bolsas. Há muita arte envolvida nesse pequeno espaço e não é repetitiva como costuma ser.

Há também carrinho e barraquinha vendendo a gastronomia local como tapioca e caldinhos e até cerveja artesanal, além de dois palquinhos tocando músicas diversas. 

Onde comer em João Pessoa:

MANGAI:

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Mangai

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Mangai
Especializado em comida regional eles oferecem dois sistemas: pelo cardápio (mais opções de lanches e sanduíches) ou por peso (um buffet que dá vontade de chorar de tanta variedade).

Burger de carne do sol em pão de macaxeira (aipim em outras regiões) acompanhado de chips de batata doce, escondidinho de carne do sol e sovaco de cobra (carne do sol, manteiga da terra, cebola) são só algumas opções oferecidas.

As sobremesas seguem o mesmo sistema. O bolo de aipim com coco acompanhando de um expresso é uma excelente pedida. A variedade de sucos da fruta também impressiona.

Há pratos com outros tipos de carnes e pratos fit. Duas nutricionistas tomam conta de tudo para garantir a qualidade dos produtos oferecidos.

O lugar é grande com decoração tipicamente sertaneja, rústica, informal e há ainda uma pequena padaria. 

Av. Gen. Edson Ramalho, 696 - Manaíra

BAR DO SUMÉ:

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Bar do Sumé

João PESSOA em Poucas PALAVRAS
Bar do Sumé

Em Cabedelo, vizinha a João Pessoa, está o Bar do Sumé, típico restaurante de beira de praia, informal, com areia pelo piso, vento vindo do mar. 

Claro, ele está em frente ao mar esverdeado de Cabedelo, o que nos garante a certeza de um ambiente delicioso.

Os pratos, de frutos do mar, são fresquinhos. O caldinho de caranguejo e a caldeirada de frutos do mar com bastante camarão, lagosta e polvo estavam muito bons.

O atendimento é meio bruto, roots, mas é compensado pela simpatia. Pagamento só em dinheiro ou débito. 

Av. Oceano Atlântico, 329, Cabedelo

CONCLUSÃO:

João Pessoa merece a visita de nós viajantes. Não de passagem, mas por pelo menos um fim de semana para sentirmos a cidade, sem pressa. Não é uma cidade grande, mas tem preciosidades para nos mostrar, embora muitas delas estejam precisando de trato, de um cuidado.

O Centro Histórico onde está localizado o Hotel Globo está pintado e bem conservado, mas tudo estava fechado e deserto quando por lá passamos. Além disso, fomos alertados para não ficarmos circulando por ali por conta da violência.

A cidade precisa se organizar melhor para receber o turista e principalmente necessita ir buscar esse turista. Ainda assim, eu acho que é uma viagem que pode deixar boas lembranças.