terça-feira, 25 de abril de 2017

O LARGO da Câmara e o Largo dos LARANJAIS. Guimarães, Portugal:

O Largo da Câmara e o Largo dos Laranjais

A Rua de Santa Maria nos levou ao Largo Cônego José Maria Gomes, o nome oficial do Largo da Câmara, onde estão situados dois belos prédios: a Biblioteca Municipal Raul Brandão e a Câmara de Guimarães, construções dos séculos XIX e XVI, respectivamente.

A Biblioteca funciona neste edifício desde 1992, possui belíssima fachada com muitas janelas e alpendres, tão típicos neste país. O nome é uma homenagem ao escritor Raul Brandão que viveu entre os séculos XIX e XX, filho do Porto, conhecido pelo realismo de suas descrições, sem deixar de lado a poesia.

Dizia ele, no qual eu concordo plenamente, e explica minha atração por portas e janelas:

“Em todas as almas, como em todas as casas, além da fachada, há um interior escondido”.

O Largo da Câmara e o Largo dos Laranjais
Largo da Câmara: Câmara de Guimarães
Já a Câmara Municipal, que fica ao lado, é um edifício ainda mais bonito, com seu bordado. Antigo Convento de Santa Clara possui características barrocas, sofrendo sucessivas intervenções nos séculos seguintes. Foi, este, um dos conventos mais ricos da cidade.

Alojada em um nicho no portal de entrada encontramos a imagem da padroeira Santa Clara. Está aberto à visitação de segunda a sexta das 09:00 às 17:30. Como visitamos Guimarães em um sábado, estava fechada. Uma pena!

O Largo da Câmara e o Largo dos Laranjais
Viela Senhora Aninhas

O Largo da Câmara e o Largo dos Laranjais
Largo dos Laranjais
Continuamos, a partir do Largo da Câmara, a subir a Rua de Santa Maria, virando à esquerda na primeira viela, cujo nome é Senhora Aninhas (antiga Viela dos Laranjais), dama considerada a Madrinha dos Estudantes, chegando ao lindo Largo dos Laranjais.

A razão do nome do Largo me parece óbvia: o local está cheio de laranjeiras! Aqui encontramos ainda a Casa dos Laranjais, solar barroco do século XIV com uma torre que abriga uma gárgula representando um leão e portas em estilo manuelino.

Além disso, o Largo dos Laranjais é morada dum baixo-relevo homenageando Alberto Sampaio (historiador português que dá nome ao principal museu da cidade), um apaixonado por sua cidade e história. Assim como eu já estava!

Quanto à Senhora Aninhas, a história de sua existência é interessante. Embora não seja natural de Guimarães, adotou a cidade como sua. Viveu por aqui no inicio do século XX, era filha de um ferrador e de uma doméstica.

A moça casou-se, teve quatro filhos e quando enviuvou, tomou conta do negócio do marido que comercializava farinha. Assim, que era conhecida também como Aninhas Farinheira. Dizem que era mulher de bondades e gentilezas extremas.

A Senhora Aninhas adotou os estudantes do Liceu – os “Nicolinos”: dava colo e aconchego. Cuidava da alimentação deles e muitas vezes só recebia paga anos mais tarde: rabanadas, bolinhos de bacalhau e bolos caseiros eram algumas das iguarias servidas por ela.

Muitos desses estudantes viraram doutores e voltavam constantemente para ver a Senhora Aninhas, com flores, presentes e muita gratidão. Ela morreu em 1948 e seu enterro foi evento de grande comoção, movimentando a cidade-berço, já que gerações de estudantes foram acolhidas por ela. 

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O LARGO da Câmara e o Largo dos LARANJAIS. Guimarães