sábado, 22 de abril de 2017

A Rua de Santa MARIA, Guimarães, Portugal:

A Rua de Santa Maria

Da Praça de Santiago Léo e eu continuamos nossa exploração pelas veias antigas do Centro Histórico de Guimarães, acessando a estreita e sombreada Rua de Santa Maria, a mais antiga da cidade. Em séculos pretéritos, esta rua era atravancada com sacadas e varandas.

De origem medieval, Santa Maria ligava a Vila de Baixo, onde estava situado o Mosteiro edificado por ordem da Condessa Mumadona, uma dama poderosa em sua época, e a Vila de Cima onde foi construído o Castelo de Guimarães. Atualmente a Rua de Santa Maria liga a Praça da Oliveira ao Largo da Câmara. 

A Rua de Santa Maria
A Rua de Santa Maria - belo prédio

A Rua de Santa Maria
A Rua de Santa Maria
Com a construção do Mosteiro, grupos de pessoas começaram a fixar-se em seu entorno, surgindo então a necessidade de defesa desses agrupamentos e por esse motivo a Condessa ordena a construção, em uma colina, a pouca distância da Vila de Baixo, o Castelo de Guimarães.

A Rua de Santa Maria à essa época era confusa, escura, suja e nem o sol ou o ar chegavam até aqui tornando-a meio sufocante.  Aqui acontecia o “água vai”, que na Espanha, onde eu descobri do que se tratava, chama-se "agua abajo".

Muito antigamente não havia banheiro nas casas, então todas as necessidades humanas de seus habitantes eram feitas em baldes e afins que precisavam, logicamente, ser descartadas. 

Assim, os moradores (pessoas abastadas tinhas empregados que executavam tal tarefa) abriam a janela e gritavam três vezes "Aqui vai água" e mandavam ver. Azar de quem porventura estivesse passando bem na hora. Não à toa a rua era imunda

Entretanto, a Rua de Santa Maria seguiu seu rumo história adentro e evoluiu, tornando-se morada de muitos ilustres e abastados cidadãos da cidade de Guimarães, sendo essa rua hoje testemunha de muitos e variados estilos arquitetônicos. Talvez a casa que mais chame nossa atenção seja a Casa do Arco.

A Rua de Santa Maria
A Casa do Arco
A Casa do Arco (num 52) é um solar construído no século XIII e possui um passadiço que cruza a Rua de Santa Maria. Várias famílias importantes e prestigiadas habitaram esta casa. Além disso, figuras da realeza aqui se hospedaram.

Dom Manuel I e Dom Miguel, filho de Dom João VI e irmão de Dom Pedro IV (o nosso Pedro I) foram alguns desses hóspedes importantes que passaram pela Casa do Arco.

Hotéis e lojas hoje ocupam os edifícios da rua que estão muito bem conservados a exemplo da antiga casa da Senhora Aninhas (num 57), onde funciona o Centro de Artes e Ofícios. Ana Joaquina de Magalhães Aguiar, que viveu entre os séculos XIX e XX, era considerada a Madrinha dos Estudantes.

Nós entramos na casa número 35, uma loja chamada Meia Tigela, que vende variados artigos com motivos portugueses, como esculturas, geleias, conservas, panos de prato, marcadores de livros, camisetas, especiarias, chaveiros, postais feitos à mão, enfim, objetos que de uma forma ou de outra contam a história do país. A visita vale muito pela possibilidade de entrarmos em uma casa antiga.  

Andejar pela Rua de Santa Maria é, portanto, se permitir uma ligeira volta ao passado, a olhar no presente a identidade passada de Guimarães, através das fachadas de suas casas, testemunhas e atores desse caminhar da cidade. Eu diria que isso é um luxo!