segunda-feira, 16 de abril de 2012

Valle de La Luna y Valle de La Muerte









Uma região inóspita, onde pode-se ouvir o silêncio. Marron é a cor predominante em contraste com o céu de um azul absurdamente intenso e sem nuvens, que se enche de cores com o por do sol. Para qualquer lugar que olhemos, só conseguimos encontrar areia, pedra, secura. Raramente chove no Deserto do Atacama.

Os Vales da Lua e da Morte fazem parte desta paisagem fantástica. O Vale da Lua, que dista cerca de 17 km de San Pedro do Atacama, recebeu este nome porque lembra a lua. Já para o Vale da Morte, cerca de 3Km da vila,  há algumas versões. Uma delas é de que ali é tão seco que nada consegue nascer. Ambos ficam na Cordillera de la Sal.

Contratamos um passeio (Agencia Terra Extreme) no dia em que chegamos na região. Era fim de tarde, estava friozinho. Pegamos uma van com pessoas de diversas nacionalidades que nos levou, com um guia, pelo Valle de la Luna, onde ouvimos a história do lugar. Em seguida, subimos uma enorme duna, por uns 10 minutos, e nos deparamos com o Valle de La Muerte. Sentamos ali nas rochas, em meio aquele deserto, ouvindo os nossos próprios pensamentos e vendo aos poucos o céu ir mudando de cor. Vale cada segundo. O passeio todo durou cerca de 4 horas. Quando saimos de lá já era noite.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Restaurante LAS CHOLAS em Buenos Aires, Argentina

Truta

Parrillada

Dulce de cayote con queso y nuez

Las Cholas - interior
Las Cholas - interior





Um dos grandes prazeres que tenho quando visito a Argentina é me deliciar com sua gastronomia. Come-se muito bem naquele país. Em uma de nossas visitas fomos ao simpático Las Cholas, bem ao estilo de alguns restaurantes e churrascarias brasileiras informais, com papel cobrindo  mesas de madeira. O Las Cholas fica no bairro de Las Cañitas, uma área residencial mas que possui muitos restaurantes e lojas.

Nós no Las Cholas

Prestes a me deliciar

Gulosa
Era um dia de sábado e a área interna do local estava cheia: famílias porteñas em sua maioria. Na área externa não havia nenhum corajoso com vontade de enfrentar a temperatura perto dos 6 graus do inverno argentino. Não foi nenhuma surpresa olhar ao redor e perceber que em quase todas as mesas havia a parrillada (churrasco na grelha). Conversas e risos enchiam o local. O atendimento foi bom e optamos por: morcilla (linguiça de sangue), parrilla (mix de carnes) acompanhada de salada. Para experimentar novos sabores, uma truta com folhas, abacate, cogumelos, e tomates. Tudo muito gostoso. 

No entanto, o melhor ainda estava por vir. Experimentei pela primeira vez uma sobremesa típica de lá chamada dulce de cayote con queso y nuez, uma espécie de romeu e julieta. Cayote é um fruto da família da abóbora e o doce que eles fazem com ele é sensacional e pouco conhecido por nós, brasucas. 

O incoveniente é que só aceitam pagamento em dinheiro.

Las Cholas - ARCE 36, Las Cañitas Buenos Aires.
(11) 4899-0094

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Corrida Sagrada com as bençãos de Oxalá

Igreja do sr. do Bonfim

As fitinhas do Bonfim, amarradas nas grades da Igreja


As fitinhas do Bonfim

A largada da Corrida Sagrada, com a Igreja da Conceição da Praia à esquerda

A Lavagem do Bonfim acontece todos os anos na segunda quinta-feira de Janeiro. A festa tem origem lá no século XVII. Um ritual que mistura o sagrado e o profano e celebra o sincretismo religioso tão típico de Salvador, capital da Bahia. Baianas vestidas de branco, com suas imensas saias, jarros com flores e águas de cheiro na cabeça e vassouras saem em cortejo reverenciando Oxalá, entidade do Candomblé, até a Igreja do Bonfim, Católica, onde lavam suas escadarias.

Antes do cortejo sair acontece uma coisa muito bacana: a Corrida Sagrada. Corredores percorrem 6,5 km saindo às 07:30 da manhã. Este ano corri pela primeira vez. Durante o percurso passamos por alguns símbolos da cidade como por exemplo a Igreja da Conceição da Praia (construida no século XVII, com estilo gótico, por determinação de Tomé de Souza.), onde acontece a largada.

Observei os participantes: pessoas felizes, animadas, alongando, aquecendo, confraternizando, indo buscar as bençãos do Sr. Bonfim. Começa a corrida e logo passamos pelo Elevador Lacerda (o elevador liga a Cidade Baixa a Cidade Alta. Tem este nome por causa do engenheiro que o construiu: Augusto Frederico de Lacerda, no século XIX) e Mercado Modelo (inaugurado no início do século XX. Hoje abriga cerca de 260 lojas que vendem artesanato e lembranças locais), dois cartões postais da cidade.

Entramos na av. Miguel Calmon. O dia costuma ser quente e ensolarado nesta época do ano, mas o percurso é arborizado. À medida que vamos deixando os quilômetros para trás observamos o lado profano da festa sendo montado: barraquinhas de bebida e comida, feijoada nas casas comerciais, música para todo gosto, um vai e vem de gente.

Chegamos então na av. Jequitaia e vemos o Mercado do Ouro (construido no fim do século XIX e onde eram vendidos verduras, temperos e frutas entre outros produtos e hoje funciona o Museu du Ritmo de Carlinhos Brown e dos timbaleiros). Ainda na Jequitaia (que só foi aberta em 1940) está o Trapiche Barnabé (construido lá pelo século XVIII, já foi soterrado e sofreu com incêndios e que leva o nome de seu fundador) e o plano inclinado que liga a Cidade Baixa ao Santo Antônio Além do Carmo (inaugurado em 1932).

Mais quilômetros vão sendo vencidos e chegamos no bairro da Calçada, primeiro bairro entre a Cidade Baixa e o subúrbio ferroviário da cidade. Vislumbro à esquerda a Feira de São Joaquim ( em um espaço de cerca de 60 mil metros quadrados produtos ligados à cultura popular são vendidos) e à direita a belíssima Igreja dos Órfãos de São Joaquim (construida no início do século XVIII e onde hoje acontecem bonitos casamentos). No Largo de Roma estão as Obras Sociais de Irmã Dulce.

É mesmo uma benção enxergar a subida para a Colina Sagrada. Os últimos 100m são duros, mas chegar aos pés da Igreja do Bonfim emociona. Fieis, corredores e não corredores, tomam banho de folhas e amarram fitinhas do Bonfim no pulso. É uma corrida com uma  energia diferente.

É! Como diz o ditado: quem tem fé vai a pé. Ou então correndo. E 6,5 Km depois, bençãos recebidas, é hora de voltar. O jeito é caminhar (ou é melhor correr de volta?). O sol já está alto, e a festa, uma das mais tradicionais de Salvador, já começou. Andando no sentido contrário, nos deparamos com o cortejo: as baianas, grupos de músicos, de políticos, de fieis e de festeiros. Todos indo para o mesmo local.