terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Meu ENCONTRO com Nicolai GOGOL e outros símbolos MOSCOVITAS, Russia:

Uma das sete irmãs
Em nosso terceiro dia em Moscou saímos em busca das famosas Sete Irmãs, prédios construídos por Stalin entre 1947 e 1953, para mostrar poder e ostentação ao mundo. Claro que não vimos todas, mas vale à pena procurar aqueles edifícios antigos, de fato imponentes, com um ar de velha senhora aristocrática.

Uma das setes irmãs vista da casa de Tchecov
Uma das Sete Irmãs vista da White Tower
Os arranha céus me lembraram aquele de Ghostbusters. Já foram utilizados como apartamentos comunais na era soviética, mas hoje são hotéis (como o Hilton e o Radisson Royal) e prédios comerciais. Fique de olhos bem abertos para localiza-las quando estiver perambulando pelas ruas de Moscow.

Entrada da casa de  Tchecov

Entrada da casa de  Anton Pavlovich Tchecov
Nosso caminho neste dia nos levou até a casa-museu do escritor Tchecov (Sadovaya-Kudrinskaya 6), que viveu em Moscou entre 1886 e 1890. Eu tenho um apreço especial pelas casas-museu, porque contextualiza o autor e suas histórias. Além disso, podemos ver ao vivo como as pessoas viviam em tempos passados. Estar em uma casa-museu é como entrar em um livro ou até mesmo em uma cápsula do tempo. 

Entrada da casa de  Tchecov
A casa de Tchecov, que viveu no fim do século XIX e início do XX mantem a mesma decoração de sua época. Foi restaurada a partir de fotos e relatos de seus parentes. Os quartos dos irmãos que moravam com ele e a sala onde ele recebia os pacientes, já que era médico, foram os ambientes que me chamaram a atenção. Talvez por mostrar de forma mais íntima a maneira como ele vivia.

Infelizmente não nos permitiram tirar fotos.

Rua Sadovaya-Kudrinskaya, 6 – Museu-casa Anton Chekhov
Metro: “Barrikadnaya”, “Mayakovskaya”, “Krasnopresnenskaya”
Horário de funcionamento: Terça-feira, quinta-feira e sábado – 11:00-18:00. Quarta-feira, sexta-feira – 14:00-20:00, museu está fechado nas segundas-feiras e no último dia de cada mês.

150 rublos a entrada.

Nem sempre os horários das casas-museu são respeitados.

White House russa
Krasnopresnenskaya nab 2
De lá passamos na White House (ironia?), onde fica o primeiro ministro russo Dimitri Medvedev, na moderna rua Krasnopresnenskaya nab 2, metro Krasnopresnenskaya.

ул. Арбат, 44 - o simpático calçadão onde fica o Hard Rock Café Moscow

Stary Arbat, 44 ou ул. Арбат, 44 - o simpático calçadão onde fica o Hard Rock Café Moscow

Hard Rock Café Moscow - Stary Arbat, 44
Colecionamos camisas do Hard Rock com nomes das cidades que visitamos. Então partimos para lá (Stary Arbat, 44 ou ул. Арбат, 44). Como era nosso mês de aniversário, ganhamos uma sobremesa de presente, então o almoço terminou rolando ali mesmo. Foi um momento globalização: dois brasucas, em um bar inglês, comendo comida mexicana, ouvindo música colombiana, na capital russa.

Casa-museu Gogol
Ainda encucados, achando que o local visitado no dia anterior não era a casa-museu de Gogol, voltamos lá, no Nikitsky bul 7. Observamos, fuçamos e descobrimos uma porta onde entramos e soubemos de imediato que agora sim: estávamos na casa do autor de O Capote (um de meus contos favoritos, ao lado de O Inspetor Geral). 

A porta de entrada fica atrás destes arcos
E neste momento descobrimos também que nem sempre as entradas na Russia são evidentes ou óbvias. Portanto, ao vir uma porta, entre para descobrir se é o lugar que você está procurando.

Casa-museu Gogol

Escritório de Gogol

Local de ensaio e de encontro com os amigos e atores de suas peças

Representação de O Capote
A casa de Gogol é muito bacana. Não decepciona. Tem vários ambientes, incluindo o local onde ele morreu e muitas fotos. Tem uns efeitos especiais engraçados e uma sala incrível com representações dos livros dele. Gastamos um tempo enorme aí identificando as histórias e conversando com a senhorinha que cuidava deste ambiente. Bom, conversando é um modo gentil de falar, claro.

Em muitos museus russos encontramos senhorinhas tomando conta dos ambientes e guiando os turistas. Na casa de Nicolai Gogol não foi diferente. Aqui também estavam presentes estas velhas e simpáticas damas que nos conduzem pela história de seu país. Já falei delas em outros posts e com certeza ainda escreverei mais sobre estas encantadoras mulheres.

São elas que nos orientam sobre que caminho seguir e nos entregam papeis em inglês com informações sobre o lugar onde estamos. E se elas percebem que deixamos de ver ou fazer algo importante, elas nos pegam pelo braço e nos dirigem para o caminho correto.

Estávamos na sala de ensaios de Gogol, entretidos com as fotos quando de repetente, quem aparece toda feliz nos cumprimentando com muitos gestos e risos? A nossa guia da "falsa" casa Gogol. Falou conosco alegremente e seguiu seu caminho. A encontramos novamente na sala das reapresentações dos livros do autor.

Quando descobri aquela sala eu me senti uma criança em um parque de diversões. Foi maravilhoso ver os desenhos de meus livros favoritos. Foi como se a qualquer momento eu pudesse ser catapultada para uma daquelas histórias. Eu quase desejei isso.

A nossa senhorinha-guia deste recinto foi imensamente acolhedora: ela olhava o nosso texto em inglês, buscava o equivalente no texto em russo e nos apontava os quadros. Nos arrastava para lá e para cá pela sala e ria. A visita ao mundo de Gogol foi um desses momentos que entraram em minha memória afetiva.

120 rublos para entrar.

Deixando uma mensagem na casa de Gogol com minha querida senhorinha entusiasmada ao fundo.
Saí de lá saltitante de alegria e fomos caminhar pela cidade em direção à Igreja do Cristo Salvador, mas amanha eu conto melhor esta história.