sábado, 29 de agosto de 2015

TOMSK, a cidade mais ANTIGA da Sibéria se MOSTRA para nós.


Depois de um banho revigorante e um café da manhã, fomos conhecer a cidade. Diferente de Omsk, Tomsk se mostra e se exibe sem medo ou pudores de ser comparada à exuberância de Petersburgo ou à grandiosidade de Moscou. Tomsk sabe que tem sua própria identidade e sua própria beleza, ainda que ela seja muito mais simples. 

Eu me apaixonei por Tomsk ainda no carro, no trajeto da estação de trem até o hotel, meio sonolenta, tendo como trilha sonora a tagarelice do motorista com seu inglês duro, carregado no "R" e suas histórias. 

Em Tomsk o urbano e o rural se misturam e convivem com tanta harmonia que tornam a cidade muito atrativa. Além disso, por ser uma cidade universitária sentimos no ar a energia vibrante tão típica dos jovens iniciando e descobrindo a vida. 

Descobrindo Tomsk

Memorial em Homenagem aos mortos na Segunda Guerra

Rio Tom

Parque Lagerny Sad

Rio Tom

Parque Lagerny Sad

As cores do verão russo
Seguimos em direção ao Monumento da Segunda Guerra Mundial em homenagem aos soldados mortos nesta guerra. Ele fica no final da Prospekt Lenina,dentro do lindo parque chamado Lagerny Sad, com o rio Tom correndo mais abaixo. 

Em frente ao rio, bancos e apesar do forte e gelado vento, pessoas estavam sentadas neles observando a vida e a natureza, sozinhos, em grupos, casais. Sentei-me em um também, enquanto Léo circulava pelos caminhos asfaltados e pelo monumento, tirando fotos. Deixei que vento frio batesse em meu rosto, congelasse a minhas mãos, bagunçasse meus cabelos, me alimentando, me renovando.

De lá, continuamos caminhando pela Lenina, nos misturando ao vai e vem de estudantes deixando as universidades, lotando as ruas. Senti falta de minha época de universitária. Fomos observando e absorvendo a arquitetura da cidade que mistura lindas casas de madeira com prédios mais novos. Naquele momento não tínhamos rumo definido. Até bater a fome.

Lugar de nome impronunciável para almoçar

Bonitinho por dentro

Cardápio todo em cirílico

O almoço

Papel de parede do banheiro
Encontramos um lugar de nome impronunciável, que ficava meio recuado, em uma espécie de largo. Não havia menu em inglês, mas o moço que estava no caixa, que parecia o dono, nos explicou como funcionava o restaurante e quais as opções: uma massa com um molho e/ou o que estava à vista no balcão, por peso. Escolhi uma pasta a bolognese, que estava ok e depois tomei um café, que estava fraco.

O lugar era fofo, o atendimento foi bem simpático e o mais legal foi o papel de parede do banheiro, forrado de livros. 

As tradicionais casas de madeira de Tomsk

Elas podem ser lindamente coloridas

Prédios mais modernos de Tomsk que contrastam com as antigas casas de madeira

As lindas casas de madeira de Tomsk

Casas de madeira com janelas que conferem identidade a elas

Russian - German House

Algumas das antigas casas de madeira estão muito bem conservadas

O antigo e o moderno, o urbano e o rural convivem
Após o almoço, fomos em busca das tradicionais casas de madeira de Tomsk, que foram, em sua maioria mantidas conservadas e fazem parte da identidade da cidade, como a Russian-German House (ul. Krasnoarmeyskaya 71), a Dragon House (ul. Krasnoarmeyskaya 68) ou Peacock House (ul. Krasnoarmeyskaya 67A).

Durante nossa caminhada fomos encontrando diversas casas de madeira, contrastando com prédios mais novos, como bravos sobreviventes. Elas são lindíssimas, mesmo as que estão carregadas de rugas, marcadas pelo tempo, precisando de cuidados. Tem gente morando em quase todas e apesar de possuírem janelas baixinhas, encontrei as cortinas sempre fechadas me impedindo de bisbilhotar o interior delas.

Eu sou apaixonada por janelas porque elas escondem vidas e histórias. Na privacidade que existe por trás das janelas, pessoas vivem suas vidas de verdade e por isso elas despertam tanto a minha curiosidade.

A maioria das janelas das casas de madeira de Tomsk possuem lindas bancadas que as compõem e eu me distraí observando suas diferenças, vislumbrando um pedacinho de nada da alma de seus habitantes: algumas pareciam uma floresta, repleta de plantas, outras estavam cheias de livros, uns apoiados nos outros na vertical, ou empilhados na horizontal. Descobri bancadas tristes, completamente nuas e outras com enfeites diversos.

Estádio do Tom Tomsk
Por fim, visitamos o pequeno estádio do Tom Tomsk o time da cidade. Demoramos um pouco até encontrar a entrada e quando finalmente o encontramos o recepcionista apontou para o campo e com um gesto mandou que nós entrássemos. Simples assim. Nem parece que os russos viveram tempos tão fechados onde todos desconfiavam de todos.

Apreciando Tomsk

Restaurante do Panda

Restaurante do Panda

Vista da rua do restaurante

sopa de verduras
Pizza individual

Pizza de verdura

Nome do restaurante
Encerramos a noite no Restaurante do Panda, bonitinho, com cardápio em inglês, onde só precisamos apontar para nossas escolhas. Tomei uma sopa de verduras e depois comi uma pizza, também de verduras. Ambas estavam muito boas. A longa caminhada e o frio me deixaram faminta.

Voltamos à pé para o hotel. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Nossa HOSPEDAGEM em TOMSK - ASTI Rooms Hotel

Recepção em Tomsk
Quando desembarcamos em Tomsk, vindos de Omsk, a temperatura estava em 3°C. Era segunda-feira, pouco antes das 6 AM e o último dia de verão. Estava um lindo dia de sol, com céu azul. Um representante do hotel foi buscar-nos na estação.

Contrariando mais uma vez as minhas expectativas de que o russo é calado, fechado e sisudo, o motorista não parou um instante de tagarelar. Falava um inglês com forte acento russo, o que não dificultou em nada a comunicação, tornado-a, ao contrário, bem curiosa e interessante.

Ele nos contou que Tomsk é uma cidade universitária e foi apontando as diversas universidade e seus cursos durante o percurso. Disse que professor por lá ganha pouco porque tem muitos. Falou que a cidade tem muita mulher bonita e que quando quer conhecer alguma, basta ir à rua, que é fácil conhecer pessoas. Um paquerador!

Eu estava em um estado de semi-consciência por causa da noite mal dormida no trem e às vezes me deixava distrair pelas imagens e movimentação daquela nova cidade que já estava me conquistando com suas paisagens que em nada lembrava Omsk, apesar de ambas estarem na Sibéria.

O motorista então nos perguntou de onde nós éramos e quando contamos, a expressão de incredulidade em seu rosto não teve preço: foi hilária! Ele quis saber o que estávamos fazendo ali. 

Asti Rooms Hotel

Entrada do Asti Rooms Hotel

Asti Rooms Hotel por dentro

Vizinhança do Asti Rooms Hotel
Ele nos deixou no Asti Rooms Hotel (fizemos a reserva pelo www.booking.com). Engraçadinho por fora e interessante por dentro, por parecer comprido e estreito, sem ser exatamente assim, ele destoava do resto da vizinhança que parecia rural e até meio abandonada à primeira vista.

Uma senhora simpática, que não falava uma única palavra em inglês, nos recepcionou. Para realizar nosso check-in, ela não passou aperto e apelou para a tecnologia: simples, prático e óbvio! Por que eu nunca havia pensado nisso?! Ela usou o google translator: ela escrevia em cirílico, no computador, com o teclado cirílico. O google traduzia, ela mudava o teclado, mudava o idioma e era nossa vez de digitar e assim o diálogo fluiu e recebemos todas as informações que precisávamos. 

Café da manhã

Quarto

Quarto

Quarto

Banheiro com chuveiro europeu

Banheiro

Banheiro
Pagamos 500 rublos pelo early check-in. Era uma questão de necessidade um banho e um café da manhã, depois da noite toda viajando no trem. O café da manhã foi simples, com cara de café da manhã de avião, entregue no quarto, mas estava gostoso (ou era eu que estava faminta?!). 

O quarto é básico, mas amplo e funcional com guarda-roupa, criado-mudo, mesa de trabalho, cama de casal (colchão um pouco mole para o meu gosto), duas janelas e banheiro normal com chuveiro estilo europeu, pia sem bancada e encanamento aparente.

No corredor, café e chá à vontade. Ficamos no segundo piso. 

Vizinhança com cara rural

Casas de madeira vista da janela do quarto

Lindas casas na vizinhança do hotel

Vizinhança do hotel

Indo conhecer Tomsk
No entorno do hotel, muita casa de madeira, dando um aspecto rural à vizinhança. Algumas delas pareciam abandonadas, apesar de morar gente e outras eram lindas, mas estavam precisando urgentemente de uma reforma. 

Em um primeiro momento eu cheguei a olhar com desconfiança o local, que me lembrou alguns bairros violentos no Brasil. Fiquei com receio, mas voltamos todos os dias à noite caminhando e não tivemos nenhuma sensação de insegurança. 

Depois de um bom banho, revigorante, saímos para nos apresentarmos a Tomsk. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pegamos mais uma vez a TRANSIBERIANA: desta vez de OMSK para TOMSK:


Deixamos Omsk logo após a SIM - Siberian International Marathon, onde Léo correu, e seguimos para a estação de trem. A recepção do Ibis Hotel solicitou um táxi para nós e a corrida levou cerca de 15 minutos. Próximo destino: Tomsk, ainda na Sibéria, através, mais uma vez da famosa transiberiana.

Uma coisa que demoramos a entender e que poderia ter nos causado problemas, foi o horário que o trem partia de Omsk. A Rússia possui 9 fusos horários, mas quase tudo no país é regido pelo horário de Moscou. Tanto Omsk quanto Tomsk estão 3 horas à frente de Moscou e Petersburgo. Portanto, o horário que constava em nossos bilhetes, 16 horas, era o horário de Moscou e não o de Omsk, o que significava que tínhamos que estar na estação antes das 19:00, hora local. 

Lanchonete da estação de trem de Omsk
Na estação de trem, pequena mas bonitinha, havia muitos policiais: todos sisudos, com uma expressão carrancuda e por conta disso fiquei com receio de tirar fotografias.

Checamos nosso trem no painel para ver plataforma e confirmar o horário e fomos tomar um café na lanchonete da estação. Para variar, nada de ter alguém falando inglês, mas já estávamos acostumados às mímicas depois de tantos dias circulando pela Rússia.

Para descobrir como chegar em nossa plataforma, buscamos ajuda em uma ilhota, que parecia ser de informação e fomos orientados, por gestos, que caminho devíamos seguir. 

Na plataforma, apresentamos o voucher com o código de barras impresso dos bilhetes que compramos ainda no Brasil, através do site Visit Russia, à ferromoça que nos indicou o nosso vagão, onde foi preciso apresentar a cópia do passaporte para podermos entrar.

Nossa cabine, nossa bagunça

Beliche de couro vermelho

Cabine para quatro pessoas

Vamos lá para mais esta experiência
A plataforma estava cheia de gente. Me lembrou um pouco as rodoviárias do Nordeste em época de São João: pessoas se despedindo, cheias de bagagens, travesseiros e comida. Um pouco da casa nas costas, tipo cágado. 

Quando fui entrar no trem, um homem, exalando forte cheiro de álcool, não me deu passagem, mesmo diante de meu pedido insistente de licença. Eu tive que me encolher para passar por ele. 

O trem cheirava a suor, não teve chá de boas vindas ou café da manhã. As camas eram de couro vermelho com um aspecto nada atraente: aquele trem em nada se parecia com o que pegamos de Moscou para Petersburgo, também pela transiberiana. Definitivamente seria uma nova experiência.

O banheiro do trem: compartilhado

A paisagem rural durante o percurso

Fim da viagem

Fim da viagem: noite péssima
Neste trecho Omsk-Tomsk da transiberiana, não havia cabine dupla, somente quádruplas, com dois beliches. Por sorte, só havia Léo e eu no vagão, porque fiquei imaginando como seria viajar por 14 horas, durante a noite toda, naquele lugar apertadinho, com quatro pessoas e mais todas as bagagens.

Pude vislumbrar o que poderia ter sido, ao ir ao banheiro em um momento e observar as cabines que estavam abertas e completas, com pessoas e bagagens espremidas e amontoadas compartilhando aquele minúsculo espaço. No entanto, elas me pareceram felizes e habituadas àquele movimento, conversando, trocando petiscos e deitados sobre malas e sacolas. Impossível saber se eram famílias, velhos conhecidos ou apenas companheiros daquela viagem. 

Os banheiros (vaso + pia) eram compartilhados e ficavam nas extremidades dos vagões. A descarga era um pedal no chão e apesar do aspecto desleixado, mal acabado e sujo, estava relativamente limpo. 

Recebemos lençóis e fronhas para os travesseiros o que ajudou a camuflar o desagradável odor, além de uma espécie de colchão, similar a um edredom, para colocar sobre a cama de couro vermelho. Assim como no trecho Moscou - Petersburgo, havia separado uma roupa mais confortável para passar a noite (incluindo meias porque faz frio) e pude usá-las porque só estávamos Léo e eu no vagão. 

O trem

Olá Tomsk

Tomsk

A Estação de trem de Tomsk
A viagem foi péssima! O trem fez diversas paradas barulhentas, sacolejou muito e havia música russa tocando distante parecendo rádio, boa parte do caminho. Não dormi a noite toda e cheguei em Tomsk um bagaço. 

Faltando cerca de meia hora para chegar, a ferromoça bate nas portas do vagão para despertar a galera, de forma que na parada do trem todos já estejam prontos para desembarcar. Chegamos pouco antes da 6 AM com temperatura marcando 3 graus em um dia lindo de sol. Viva o verão siberiano!