terça-feira, 29 de setembro de 2015

O CHEGAR - Colômbia, uma VIAGEM por ANTIOQUIA e Bogotá:

Vamos nessa que este mundão nos espera
Léo queria correr uma maratona em Setembro e então saímos em busca de uma onde pudéssemos unir turismo e corrida a um custo razoável. Foi assim que decidimos ir a Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, situada na região de Antioquia. Usamos milhas para tirar as passagens (LATAM airlines) e lá nos hospedamos em casa de amigos. 

Quando uma amiga de longa data soube desta nossa viagem, comentou: "me impressiona a facilidade com que vocês conhecem pessoas pelo mundo.". Não é sempre que isso acontece, mas muitas vezes, em nossas viagens conhecemos pessoas que se tornam amigos, que vem ao Brasil nos ver e que viajamos para seus países para vê-los. Somos viajantes de alma e adoramos o intercâmbio cultural.

Almoço em Guarulhos

Prontos para embarcarmos para Bogotá

Crepúsculo
Foi uma longa viagem até chegarmos em nosso destino final. Fizemos uma conexão em Guarulhos, São Paulo, onde almoçamos. O voo para Bogotá saiu no horário e durou 6 horas, o que para mim não é nada agradável. 

Eu não consigo dormir em voos, me sinto apertada naquelas poltronas minúsculas e geralmente chego exausta, descabelada, com as olheiras batendo no pé. Fico muito feliz quando a aeronave tem tvs individuais e um bom menu de filmes. Salva minha sanidade, porque me distraio vendo um filme atrás do outro. 

Posto de Informação turística em Bogotá

Aeroporto El Dorado

Tradicional Cafeteria Oma

Mais cansada ou mais faminta?

Ceviche com patacón

Patacón
Quando desembarcamos em Bogotá, já era noite. Colômbia está duas horas atrás do Brasil (tomando por base hora de Brasília) A imigração foi tranquila, com poucas perguntas de praxe, como o que estávamos fazendo na Colômbia, em que trabalhávamos e onde ficaríamos hospedados. Logo na saída do embarque internacional há um posto de informação turística.

Mesmo quando já conhecemos uma cidade (estivemos em Bogotá em 2012/2103) temos por hábito buscar um posto de informação turística para saber o que há de novo e todas as informações disponíveis que houver. Acredito que uma cidade seja viva e as coisas mudam constantemente. 

O senhor que nos atendeu era muito simpático. O mapa da cidade havia acabado, mas ele fez questão de ligar para o Habitel Hotel, onde nos hospedaríamos, para confirmar de onde partia a van.

Não precisamos retirar nossas bagagens, que seguiram direto para Medellín. Decidimos jantar no aeroporto: estávamos cansados, com fome e Bogotá afinal não era nosso destino final. Optamos pela tradicional cafeteria Oma, onde escolhi um ceviche com patacón que estava delicioso. Os patacónes são fatias, geralmente (mas nem sempre) finas, de banana verde frita (plátano verde). É delicioso e eu estava com muita saudade deste sabor. 

Wi-fi livre
O El Dorado é todo de vidro

As montanhas de Bogotá

Juan Valdéz  - tradicional

Lojas diversas

As montanhas que circundam o El Dorado
O El Dorado é um aeroporto muito bonito, todo de vidro, de onde podemos ver as montanhas da cidade. Tem muitas lojas e inúmeras cafeterias. Alguns restaurantes e muitas lanchonetes. E tem wi-fi gratuito, que às vezes funciona muito bem e outras nem tanto. Tudo isso pode ser uma boa distração quando temos que ficar algum tempo no aeroporto.

Van que nos levou ao hotel

O hotel
O quarto

O banheiro

Empanadas

Como senti sua falta café colombiano!

O salão de café da manhã
Nosso voo para Medellín só saia no dia seguinte. Teríamos uma noite inteira em Bogotá. Em outras ocasiões, semelhantes a esta, nós optamos por permanecer no aeroporto ou passear pela cidade de conexão, mas é muito cansativo e desta vez resolvemos pagar uma hospedagem para passar a noite. Escolhemos o Habitel Hotel, por ser perto do aeroporto (cerca de 1km) e por ter van gratuita disponível a cada 15 minutos, saindo do portão 5, do El Dorado.

O hotel é bom, com quarto amplo, cama ótima e vedação total, deixando-o muito escuro. Chuveiro forte, com regulação de temperatura, estilo europeu. O café da manhã estava incluído na  diária com certa variedade de opções. Para mim, tinha o melhor de tudo: o delicioso café colombiano (estava com saudades) e maravilhosas empanadas.

Prontos para partir

Estamos chegando Medellín
Nosso voo saiu de Bogotá com destino a Medellín, no dia seguinte, com mais de uma hora de atraso. A mesma van que nos deixou no hotel, nos levou de volta ao aeroporto. Meia hora depois estávamos em nosso destino final.

Os textos seguintes vão contar esta história.

sábado, 19 de setembro de 2015

Se for de PAZ, pode ENTRAR: ZÉLIA e JORGE, nos esperam:


Zélia e Jorge: mais de 50 anos de casados.
Casados por mais de 50 anos, o casal de escritores Zélia Gattai e Jorge Amado aproveitaram a vida: conheceram pessoas, curtiram os amigos, formaram uma família, escreveram livros de sucesso, viajaram o mundo e construíram uma casa linda.

A casa, na Rua Alagoinhas, 33, no bairro boêmio do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, virou casa-museu e tornou-se um dos atrativos mais bacanas da cidade de tantos encantos e de muito axé!

Entrando na formosa casa de Zélia e Jorge. 
Se você é de paz, pode entrar! A casa é cheia de alma e energia e conta um pouco da história do casal, onde os personagens dos livros de Jorge se confundem e se misturam com os personagens reais que visitaram a casa do Rio Vermelho.

Foram inúmeros: Isabel Allende, Sartre e Simone de Beauvoair, Pierre Verger, Roman Polanski e Caribé, que veio para Bahia descobrir Jubiabá. Os vencedores do prêmio Nobel de literatura Mario Vargas Llosa e Gabriel Garcia Márquez.

Personagens sem conta (reais e imaginários) habitaram e continuam habitando, perambulando por todos os ambientes: podemos ouvir suas vozes durante toda a visita.

Exuberante jardim

A beleza da natureza em cores e vida
Indo conhecer o jardim de Zélia e Jorge

Perdida em meio a tanta beleza

Celebrando o amor
Logo que entramos, nos deparamos com um lindo e exuberante jardim, repleto de flores coloridas e árvores frutíferas. Uma trilha nos permite caminhar por ele e para mim teve aroma de infância: facilmente nos esquecemos de que estamos em um dos bairros mais movimentados da cidade. 

A casa é cheia de detalhes

Parte interna da casa conhecida como jardim dos sapos
Há muitos detalhes a serem observados
A casa é estilosa e carrega por todo lado referências da intensa vida de seus donos. Tem cara de casa de praia, carregada de informações e originalidade mostrada através dos inúmeros objetos trazidos de outros países distribuídos aqui e acolá.

Adeptos do candomblé, religião trazida ao Brasil pelos escravos africanos, há muitas referências aos orixás na casa. Nas paredes há quadros da cultura nordestina de Cordel e placas diversas. O piso é um mosaico. Há portas vermelhas, móveis azuis e bancos amarelos, em uma explosão de cores que estimulam nossos sentidos. 

Objetos colecionados pelo casal

Sala

Cafeteria

Lojinha ao fundo

A Cozinha de Dona Flor 

A cozinha com o colorido apimentado da gastronomia baiana

A pimenta, o dendê, o gengibre, o swing baiano se misturam à risada da Dadá, na cozinha de Dona Flor, de Zélia, de Jorge, de todos nós.


Amores e amantes

Quarto do casal

Cartas

Andarilhos do Mundo
Relação com o comunismo
Há muito que explorar na Casa do Rio Vermelho: salas e quartos foram transformados em pequenas partes desse museu, onde cada um conta um pedaço da historia de Jorge e Zélia.

Ali encontramos curiosidades: as diferentes capas em diversos idiomas dos livros dele traduzidos e as bonecas de pano feitas por ela com inspiração em seus netos.

Entre uma história e outra podemos parar para tomar um café e apreciar um lanche tipicamente baiano na cafeteria enquanto ouvimos o sussurro das plantas no jardim.

O lugar é mágico: tem a cozinha, deliciosa e tipicamente baiana, colorida, forte e quente de D. Flor, o quarto dos amantes e amores: doces e delicados, sensuais, apaixonados e apaixonantes. Temos as cartas que Jorge e Zélia trocaram com os amigos: joias preciosas!

Veríssimo escreve e conta que está trabalhando em O Tempo e o Vento! Monteiro Lobato diz que Mar Morto é bárbaro e referencia a belíssima Igreja da Conceição da Praia acrescentando que os livros de Jorge "revelam uma força da natureza". 

Amantes e amores

Eu sou da paz, por isso entrei

Nosso patrimônio
Jorge levou a Bahia para o mundo e eles viajaram o mundo: em um tempo em que era muito difícil viajar eles se aventuraram pela Rússia e Mongólia, entre muitos outros países. Viajantes de alma, eu me atreveria a dizer!

Quando eu soube que a casa do Rio Vermelho seria aberta ao público, depois de 11 anos fechada e meio abandonada, eu fiquei muito feliz. Jorge e Zélia são patrimônios nossos: da Bahia, do Brasil e do mundo. Seus livros contam a nossa história, falam de nossa gente. 

Fiquei mais feliz ainda quando vi turistas de diversas partes, incluindo estrangeiros, em uma deliciosa babilônia de sotaques. Sentei um momento para observa-los e o que eu vi nos olhos de todos foi admiração por aquele lugar tão especial. 

Não existe um roteiro para percorrer a casa: ela é interativa, com algumas informações em inglês, mas há monitores muito simpáticos e disponíveis para tirar as nossas dúvidas e responder a quaisquer perguntas que tenhamos. 

Eu sou de paz, por isso entrei!

Este texto também está publicado na rede de viajantes Dubbi.