sexta-feira, 27 de novembro de 2015

MEDELLÍN e arredores em POUCAS PALAVRAS:


A região de Antioquia é bonita e é interessante. Eu gosto de cidades que tem elementos que vão além da beleza óbvia. Eu gosto de cidades que tenham alma, ainda que sejam almas tumultuadas, atormentadas, caóticas, decadentes. A região de Antioquia é assim e também um misto de passado e presente, do rural e do simples que se mistura com o urbano e o complexo.

Medellín tem leves traços cosmopolitas e fortes nuances suburbanas, onde o chique e o popular são tão misturados que às vezes nos confunde. Este lugar tem história e histórias e seu povo está disposto a nos contar cada uma delas. Mais ainda, está querendo que nós escrevamos a nossa própria história em nossa passagem por lá, que deixemos nossa marca e um pouco de nossa energia. Não há como sair da Colômbia sem trazer um pouco da Colômbia conosco. Mas reconheço, este não é um país para todos.


Medellín:

É fácil andar por Medellín: basta ter um mapa.

Algumas curiosidades e particularidades: 
  • Os banheiros públicos são muito limpos. Me parece que os antioqueños tem uma preocupação com limpeza, pois mesmo o centro da cidade, onde muitas pessoas e carros transitam, são mais limpos do que em muitas cidades que conheço; 
  • O metrô, que tem cerca de 20 anos, tem cara de muito novo. Parece que acabou de ser inaugurado;
  • No centro da cidade há homens "alugando" balança. As pessoas pagam para saber o peso. Achei bárbaro tanta criatividade!
  • Vende hóstia no mercado. Igualzinha as que vemos nos rituais católicos.
Onde ir:
  • Catedral Metropolitana de Medellín (bairro Villanueva, no Parque de Bolívar): começou a ser construída na segunda metade do século XX e tem uma fachada muito bonita feita de tijolinhos;
  • La Gorda: primeira escultura de Botero, levada à Medellín, fica em frente ao prédio do Banco de La República;
  • Palacio de La Cultura Uribe Uribe: prédio do século XX, faz parte do acervo cutural e patrimonial do país. Aqui se fomenta processos e ações com o objetivo de estimular a cultura. Há exposições temporárias e a entrada é gratuita;
  • Plaza Botero (Plaza de las Esculturas): praça lotada de obras de esculturas do artista Fernando Botero;
  • Plaza Cisneros: uma praça com 300 postes de luz de 24 metros de altura;
  • Museu de Antioquia: funciona no antigo Palácio Municipal, que data do ano de 1937. Tem um excelente acervo de Botero e de outros artistas;Pajáro da Paz (Parque San Antonio): escultura de Botero que bombardeada por guerrilheiros. O artista construiu outra e hoje elas vivem lado a lado;
  • Via Margarida: linda ruazinha cheia de lojas conceito e café;
  • Metrô e Metrocable: a mobilidade urbana em Medellín é muito eficiente. Há metrôs, ônibus, metrocable e táxis. Nós utilizamos o metrô muitas vezes, além do metrocable, onde sobrevoamos as comunidades, para subir até a estação Santo Domingo onde fica a Biblioteca España, no caminho para o Parque Arvi. 
Os metrôs são de superfície e passam por cima das casas. É possível comprar bilhetes para um ou mais dias e faz parte do sistema integrado, podendo utilizar com um único bilhete mais de um meio de transporte, dentro de determinado tempo. Leva até os principais pontos turísticos da cidade.

Café Botero
Onde comer:

  • Crepes & Waffles - franquia internacional com diversos endereços, deliciosos crepes doces e salgados;
  • Astor Reposteria - restaurante super simples com cardápio variado e com opções gostosas. O cañon de cerdo estava delicioso e o suco de tangerina é maravilhoso. Fica na calle Junín, no centro.
  • Comida de Rua - Medellín tem forte cultura de comida de rua. No centro há muitas barraquinhas com frutas e doces. Muito bom!;
  • Café Botero - café que fica ao lado do Museu de Antioquia. Tem boas opções no cardápio inclusive a Badeja Paisa que aqui leva o nome de Típico Antioqueño; 
  • Mega Pizza - uma fatia de pizza é realmente mega e deliciosa. Cra. 48;
  • Café Pergamino - para um tinto e um lanche. A que fica na Via Margarida é um charme;
  • Plaza Pakita - grande galpão com muitos boxes de comida e lojas com produtos artesanais, além de restaurantes. Km 16, Via Las Palmas.
Arepa
O que comer:

Existem algumas coisas que são muito típicas nesta região:

  • Arepas - há de muitos tipos e todas são deliciosas. Caem bem com queijo, ovo, manteiga e muitas outras coisas. É acompanhamento para bandeja paisa, ótima opção no café da manhã. Minhas preferidas são as de chocolo;
  • Bandeja paisa - prato de peão: feijão, carne moída, arepas, arroz, chicharrón, ovo frito, patacón, abacate. Há variações, mas o tamanho é sempre muito grande;
  • Empanadas: não sei o que acontece com as empanadas colombianas. O que sei é que elas são divinas!
  • Tinto - café colombiano coado.
A espetacular vista da Pedra de El Peñol
Arredores de Medellín:

Santa Fé de Antioquia - Um povoado lindo e pequenino que é a cara de Antioquia. Aqui, o passado e o presente convivem com muita harmonia. Há ônibus que saem do Terminal Norte de Medellín;

El Peñol e Guatapé - Duas pequenas cidades a oriente de Medellín; Em El Peñol tem uma réplica do povoado que foi inundado pela represa. Um charme só. Em Guatapé tem a pedra El Peñol que nos dá uma vista espetacular da represa e os zócalos, elementos coloridos que dão identidade à cidade. Ônibus com destino a estes lugares saem do Terminal Sul de Medellín.

Todos são lugares que podem ser visitados em um bate/volta desde Medellín.

Ler o jornal da cidade, quando compreendemos o idioma, pode nos dar boas dicas de coisas legais que estão rolando na cidade.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Feira de LIVROS, Nel GOMÉZ, CAFÉ e livros: até BREVE Medellín...


Em uma segunda-feira de Setembro, quente, nos despedimos de Medellín, na Colômbia, onde passamos dias felizes e de muitas descobertas. No entanto, ainda tínhamos um dia inteiro para as despedidas. Nosso voo saía para Bogotá apenas na manhã seguinte. 

Arepas

Excelente metrô

Metrô
Nosso dia começou com arepas e eu acredito firmemente que um dia que começa com arepas no café da manhã tem tudo para ser um dia feliz. O nosso foi. E muito!

Às vezes, quando estamos em uma cidade em que compreendemos a língua local, lemos o jornal da cidade. Eles podem nos dar dicas preciosas sobre os eventos que estão acontecendo. Foi assim que ficamos sabendo da feira de livros que estava montada no centro, próxima ao Planetário, Jardim Botânico e Casa de la Musica. 

Tomamos o metrô Aguacatala e saltamos na estação Universidad. O dia estava um verdadeiro forno!

Feira de livros

Feira de livros
Havia várias tendas separadas por temas: didáticos, editora, sebo, infantis e outros. Eu amo os livros: cheiro, textura, arte da capa, formato das letras. Viajo nestes elementos quase com a mesma intensidade com que viajo pelas histórias. 

A feira tinha certa variedade, mas confesso que não consegui aproveitar direito e nem procurar os livros que estava buscando porque Medellín neste dia estava muito quente e as tendas eram verdadeiras saunas. Eu sofro com o calor. Demos uma volta geral, olhei a quantidade de estudantes que estavam entrando e saindo das tendas, rindo e fazendo barulho e toquei em alguns títulos lendo seus resumos. Resolvemos almoçar por ali mesmo. 

Barraquinhas de comida
Kombi para almoço

Muito fofa

Sanduíche de frango desfiado com chips de patacón

Muito bom
Na feira havia algumas barraquinhas de comida, como em uma quermesse. Escolhemos comer em uma kombi que estava estacionada logo no início da feira. Na verdade, eu escolhi. Tenho uma atração absoluta por coisas bonitas (meu conceito de beleza é bem amplo), estilizadas e logo que cheguei a kombi chamou a minha atenção.

Eu almocei um sanduíche de frango desfiado com um desconhecido e delicioso molho, com maravilhosos chips de patacón e um tinto no final. Apesar do calor, foi uma refeição divina: simples, gostosa e ao ar livre. 

Museu Pedro Nel Goméz

Homenaje a Ricardo Rendón
Bañista en la alcoba (1930)
Depois que almoçamos seguimos até a Casa Museu Pedro Nel Goméz. Apesar da curta distância tomamos um táxi até lá porque estava muito quente, porque não estávamos seguros sobre o caminho ou sobre a violência urbana naquela região. 

O museu funciona em uma linda e grande casa onde o artista morou e trabalhou. O acervo possui muitos trabalhos dele com alguns verdadeiramente interessantes. Eu não o conhecia até chegar em Medellín e me encantei por seus temas e cores.

Pedro Nel Goméz (1899-1984) talvez seja um dos mais importantes e expressivos pintores do século XX. Viveu uma época de efervescência colombiana, com mudanças acontecendo por todos os lados e nem sempre de forma pacífica. Mesmo para uma leiga como eu, é possível perceber isso em sua arte.

Em primeiro lugar eu adoro murais, cheios de informações e atemporais e o artista pintou vários deles enchendo paredes de pura história.

O quadro "Homenaje a Ricardo Rendón" (1934), com sua boemia, me chamou particularmente a atenção. Talvez por eu ter certa preferência por cenas.  Ou talvez pela imagens serem muito coloridas, com tons vibrantes, escuros, fechados como o bordô que atraiu vivamente meu olhar. Ou talvez pelo registro do contraste entre o lindo céu azul de Medellín com as montanhas verdejantes que tanto me encantaram. 

O artista pintou temas bíblicos como "O Martírio de São Gerônimo", tema tão recorrente nos trabalhos de muitos artistas ao longo da história. Ele pintou seu país e contribuiu para o desenvolvimento arquitetônico e urbanístico da cidade. 

"Hay que llenar las paredes con la palpitación de la realidad colombiana, que és una realidad del más fabuloso volumen" Pedro Nel Goméz.

Até hoje, se fechar meus olhos, consigo enxergar em minha mente "La Tessália del Trópico", 1940-44, uma senhora de vestido confortável, à vontade em sua casa, pés descalços, comendo frutas que se equilibram no braço de uma poltrona azul, com olhares perdidos dentro de profundos pensamentos. "El Exodo Campesino", 1950, é muito forte, mostrando o desespero de uma mãe, seus olhos sem esperança, abraçando sua filha que chora. As cores dão um ar de melancolia que aprofundam a tristeza do quadro. 

"Esposos en la Ventana" (1966) expressa tanto amor! Pouco amor, amor de uma vida. O acervo é grande e gastamos um bom tempo percorrendo as obras do artista: deliciados. 

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz
Além disso, o casarão é muito bonito e muito bem conservado, com um jardim muito verde e uma vista para as montanhas e telhados de Medellín. Passear pela área externa da casa é quase tão interessante quanto passear por dentro com suas paredes repletas de arte, arte e arte.

Metrô Universidad

Vista do Metrô Universidad

Esperando o metrô
Pegamos o metrô de volta à estação Aguacatala onde nossa querida família anfitriã nos pegou e nos levou para comprar mais café. Desta vez compramos no El Laboratorio de Café  um café premiado, muito aromático que até hoje perfuma a minha cozinha.

Em seguida fomos ao shopping El Tesoro Parque Comercial para comprar livros. Falei ao vendedor que queria livros que falassem da Colômbia e de sua história, fosse ficção ou não, de preferência que referenciasse Antioquia. De repente, eu me vi sentada em um sofá, cercada de três vendedores, um cliente, minha amiga anfitriã antioqueña, uma pilha interminável de livros, mil sugestões e milhares de dúvidas. Depois de muito tempo e dificuldade terminei comprando: El Mundo de Afuera de Jorge Franco e La Oculta de Héctor Abad Faciolince. 

Já era noite e fomos para casa. Queria aproveitar o resto do tempo enrolada nas três meninas lindas desta família, que roubaram o meu coração e me deram muito amor, carinho, beijos e abraços intermináveis. Ficamos no sofá ouvindo música e dançando. Quando penso em seus sorrisos sinto meu coração derreter e meu dia fica mais bonito e iluminado. 


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MARATONA das FLORES em Medellín, Colômbia:

Copacabana, Colômbia

No domingo, acordei bem antes do sol. Era o dia da Maratona das Flores em Medellín e Léo ia correr. Ainda meio sonolenta, observei todo o seu ritual para a corrida, que eu já conhecia de cor e salteado, mas que sempre gosto de ver. 
Desta vez eu não iria com ele para a linha de largada: ele foi com o vizinho, também corredor. Quando não estou correndo meia-maratona, gosto de assistir às provas de corrida. Acho um evento alegre, festivo e muito emocionante.
Comentei com nossa família anfitriã como as corridas de rua costumam ser uma bela festa. Eles nunca haviam assistido a uma prova, mesmo a Maratona das Flores sendo tão bem conceituada.

Fomos então todos até a linha de chegada para ver Léo cruzá-la e para resgatá-lo. Nossos amigos antioqueños ficaram encantados com o que viram.
Medellín, Colômbia
A felicidade de quem cruza a linha de chegada

Medellín, Colômbia
Mais uma maratona para a conta

Medellín, Colômbia
Parceria
Léo disse que a prova foi dura: calor e altitude. Estávamos todos lá na linha de chegada, vendo cada um daqueles corredores se superando. A linha de largada é sempre de alegria e expectativa. A de chegada é de emoção, suor e lágrimas pela superação. Eu sempre choro: quando estou correndo e quando estou assistindo. 
Havia muita gente gritando e incentivando os corredores, o que faz muita diferença para quem corre, e muita animação. Quem sabe um dia eu não volte para correr a meia de Medellín e reencontrar amigos queridos?  

Copacabana, Colômbia
Almoço em família

Copacabana, Colômbia
O céu de Copacabana

Copacabana, Colômbia
O descanso do maratonista: nossos amigos nos fizeram sentir em casa

Copacabana, Colômbia
Absorvendo o dia

Copacabana, Colômbia
Observando o crepúsculo

Copacabana, Colômbia
Início de noite em Copacabana

Copacabana, Colômbia
Dia feliz
A tarde, depois da maratona, foi deliciosa e preguiçosa com mais um almoço em família no pequeno sítio localizado em Copacabana, cidade próxima a Medellín, onde pudemos usufruir uma vez mais da hospitalidade desse povo tão amável.
Dele pudemos ver as montanhas da cidade, que tanto me deliciaram nesta região, o céu com sua tonalidade muito particular de azul em contraste com a vegetação verde do sítio.
Fomos novamente muito bem recebidos, com uma saborosa paella, conversa boa, café, chá e risos despreocupados. Eles fizeram com que me sentisse em casa. O povo de Antioquia é seu maior patrimônio.
Gratidão é a palavra que mais se aproxima do que senti em meus dias por lá.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

SENDO um pouquinho mais que TURISTA em Medellín, Colômbia:


Chegou o fim de semana e nós continuamos por Medellín, mergulhando um pouco mais na cultural local, na maneira de viver das pessoas, descortinando a vida que existe sob a superfície. 

Nós temos um amigo argentino que casou-se com uma colombiana. Tenho que deixar registrado aqui que ambos são pessoas muito, muito queridas. São artistas e divertidos. Nós fizemos um pacto de nos encontrarmos ao menos uma vez por ano, em qualquer lugar, mesmo que fosse apenas por 1 dia, como aconteceu uma vez em Colônia do Sacramento: nós chegamos de Montevidéu de ônibus e eles de barco desde Buenos Aires, onde vivem. Este ano, infelizmente, não conseguimos nos ver. Pelo menos não ainda, já que o ano de 2015 não acabou.

Um dia, em 2012, esta amiga querida nos chamou para passar o Reveillon com sua família na Colômbia. Até então, nunca havia passado pela minha cabeça visitar a Colômbia que em toda a minha ignorância, eu considerava um país violento, onde todos eram herdeiros de Pablo Escobar e que não havia mais nada além disso. Mas eu confiava em minha amiga e quando recebemos o convite aceitamos no ato. 

Chegamos em Bogotá no dia de Natal e absolutamente tudo estava fechado. Chovia muito e as ruas estavam desertas. O meu relacionamento com a Colômbia não foi de amor à primeira vista, mas não demorou muito para que eu me rendesse ao país e seus encantos e tenho certeza que isso se deve especialmente a gente daquela terra, seu maior tesouro. Esta primeira impressão eu validei e confirmei em meus dias na região de Quindio. Parte desta viagem eu já relatei neste blog, mas a outra ainda preciso transformar lembranças em palavras. Não é tarefa fácil e ainda não encontrei tempo para me dedicar a ela como se deve. 

Antioquia sempre vai me remeter ao verde, uma das cores deste lugar
Foi assim que conhecemos a família desta amiga que quase três anos depois nos recebeu em sua casa com uma gentileza, disponibilidade, amabilidade, cortesia e confiança que eu jamais vou conseguir expressar em palavras, com fidelidade. E foi aqui que eu tive a confirmação definitiva que a maior riqueza que a Colômbia tem é seu povo.

Durante o fim de semana vivemos um pouco do cotidiano deles, nos inserimos em sua rotina, gratos por nos permitirem esta incursão. Assim, fomos a um evento na escola das meninas, assistimos a uma partida de futebol do filho mais velho, almoçamos com outros membros da família: avô, primos e tios. 

O almoço foi um capítulo à parte: mesa redonda, comida farta, diversas idades, conversas, pessoas por todos os lados, largados no sofá, recebendo a brisa na varanda, conversando à mesa, vendo tv no quarto. Muitos abraços, beijos e risadas. Um ambiente confortável onde fomos acolhidos sem ressalvas ou restrições.

Nos perguntaram sobre o Brasil e acharam muito curioso nossa vitamina de abacate ou de banana, tomada no café da manhã para ter energia e se espantaram quando contei que minha mãe adora abacate com açúcar. Amaram e afirmaram que iam incorporar ao seu dia a dia. Lá, abacate é comida, acompanhamento, come-se salgado, quase nunca brilha sozinho, como aqui no Brasil. Conversamos sobre as similaridades (muitas) e diferenças entre nossas cidades. Os ouvimos falarem todos ao mesmo tempo, coisa típica de quem se conhece intimamente. 

O que mais me emocionou foi quando um dos membros desta família nos disse que aquela casa estava aberta para nós, sempre que quiséssemos e que podíamos e devíamos levar os amigos. Depois de tudo o que vi neste país, eu acreditei piamente.

Via Margarida

Via Margarida
Saímos do almoço e ainda com a proposta de inserção completa e absoluta na rotina da família, fomos cortar o cabelo do primogênito desta família de quatro filhos que roubou completamente meu coração e que até hoje sinto uma saudade de doer, o que nos rendeu boas risadas.

O destino seguinte foi a Via Margarida, uma simpática e arborizada rua, pequenina, com bares e lojas dos dois lados. Entramos em várias lojas lindas, de design e artefatos conceito e uma loja de chá maravilhosa. No entanto, nos rendemos mesmo foi ao café. 

Pergamino Café lotado

Muitas opções
Pergamino Café

Pergamino Café detalhes

Pergamino Café salão
Paramos então no Café Pergamino que estava lotado. Desta vez tomamos um expresso em lugar do tinto. Estava delicioso. O café colombiano verdadeiramente me agrada: ele tem sabor e tem aroma também. O lugar é bonito com decoração aconchegante. 

Compramos café que foi moído na hora. O moço no caixa nos explicou as diferenças e baseado especialmente no tipo de cafeteira que nós temos nos indicou um. Fiquei feliz com minha compra e assim deixamos a Via Margarida. 

Muito próximo daí está a Zona Rosa, que costuma ser a zona boêmia e da moda, de cidades colombianas. Eu não sou muito festeira, mas nós passamos de carro duas vezes por esta área e o que me chamou muito a atenção é que esta era uma zona puramente residencial algumas décadas atrás, onde alguns de nossos amigos colombianos cresceram, soltos na rua. 

Hoje tudo se transformou em bar, restaurante e danceterias dos mais diversos tipos e temas que dizem lotar à noite. O curioso é que apesar de toda a boemia, como os casarões estão mais ou menos mantidos como eram e há uma praça, a zona toda tem um ar família, um ar de inocência.

Crepúsculo em Medellín

As cores do céu de Medellin

Céu, montanhas e a cidade iluminada
Pegamos o crepúsculo quando saímos da Via Margarida em direção à Plaza Pakita. As cores do céu de Medellín me encantaram desde a primeira vez que eu vi. Esta cidade tem alguma coisa de especial no seu contraste de tantas cores. 

A vista da cidade à noite, iluminada entre montanhas, me arrebatou. Eu sempre gostava de ficar olhando para ela. Ao que parece em breve este caminho de luzes, como uma grande iluminação de Natal, terá tomado conta das montanhas.

Plaza Pakita
Plaza Pakita

Livraria/cafeteria

Lojas diversas

Comida para todo gosto
Plaza Pakita é um grande galpão, democrático, onde as opções são diversas e variadas. Jantamos ai depois de um sábado inteiro em família. Aliás, o que mais vimos na Plaza Pakita foram famílias. Lojinhas com artesanato local (comprei uma xícara decorada para tomar tinto no Brasil), quiosques, boxes de comida rápida, restaurantes e até uma livraria toda estilosa com um café. 

Colorido e barulhento. Movimentado e com uma decoração linda, o desafio é encontrar um lugar para sentar e decidir o que comer em meio a tantas apetitosas opções.

Comida mexicana na Colômbia

Burritos
Olhando
Arepas

Arepa

Barriga cheia, hora de partir.
Terminei decidindo, depois de dar mil voltas com toda a indecisão, parte intrínseca de minha personalidade, por comida mexicana. A fila estava grande e a cara da comida estava ótima. Escolhi burritos que estavam deliciosos.

Léo também comeu comida mexicana e arepas. Arepas con todo, era o nome do lugar, porque era outra maneira de comer arepas, como sanduíches, com recheio à sua escolha. Não provei, mas ele disse que estava maravilhoso. 

E aqui encerramos mais um dia em Medellín.